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Estudo internacional alerta para impactos do Super El Niño no Nordeste

O Nordeste está no epicentro de um dos maiores alertas climáticos dos últimos anos. O calor extremo provocado pelo Super El Niño pode resultar em 13,3 mil mortes no Brasil, com a maioria concentrada nas ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
24 de setembro de 2026 - às 08:14
Atualizado 24 de setembro de 2026 - às 08:14
4 min de leitura

O Nordeste está no epicentro de um dos maiores alertas climáticos dos últimos anos. O calor extremo provocado pelo Super El Niño pode resultar em 13,3 mil mortes no Brasil, com a maioria concentrada nas regiões Norte e Nordeste. Dessa forma, a região aparece como uma das áreas mais vulneráveis do país. O dado é do relatório do Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago, divulgado nesta quarta-feira (23).

De acordo com o estudo, o Brasil deve ser o país mais afetado da América Latina pelo fenômeno, caracterizado pelo aquecimento fora do normal das águas do Oceano Pacífico. A princípio, a previsão é alarmante: até fevereiro de 2027, são esperadas 451 mil mortes no planeta em decorrência da ocorrência mais intensa do El Niño nos últimos anos.

Por que o Nordeste está tão exposto ao Super El Niño?

Antes de mais nada, a região já convive historicamente com temperaturas elevadas e longos períodos de seca. Com o Super El Niño, esse cenário se agrava: os dias extremamente quentes devem quase dobrar até fevereiro de 2027, ficando pelo menos 1,2 ºC acima do normal em comparação com anos anteriores. O verão — entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027 — será o período mais crítico.

Na Bahia, por exemplo, a estimativa é de 1,2 mil mortes. Ao mesmo tempo, o estado aparece ao lado de Amazonas (também 1,2 mil), Maranhão (1,3 mil) e Pará (2,3 mil) entre os mais afetados do país.

Seca no Nordeste
O Super El Niño vai agravar a estiagem no Nordeste. Foto: Agência Brasil

O Que o Super El Niño vai mudar no clima do Nordeste?

Assim, com base nas previsões meteorológicas atuais veja abaixo os principais impactos do El Niño sobre o Nordeste.

Dimensão do ImpactoComo se ManifestaÁreas AfetadasFontes e Alertas
Redução de chuvasVolume de chuva abaixo da média histórica.Maior parte do Nordeste, especialmente o norte (norte do Piauí, noroeste do Ceará)INMET, CPTEC/INPE, CEMADEN
Risco de seca agravadoAumento da probabilidade de secas severas, com maior impacto no semiáridoSemiárido, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, SergipeINSA/NE Boletim Climático, NOAA, Funceme
Aumento das temperaturasTemperaturas acima da média climática, com desvios de até 2 °C em alguns estadosBahia, Maranhão, Piauí, CearáINMET, CPTEC/INPE
Ondas de calor e calor extremoNúmero de dias extremamente quentes quase dobra; eventos de calor extremo se tornam mais frequentesInterior do Nordeste (região semiárida)Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago
Aumento do risco de incêndiosVegetação seca e umidade baixa elevam significativamente a probabilidade de queimadasRegião do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia)CEMADEN, Funceme
Pressão sobre os recursos hídricosQueda no nível dos rios, redução do volume de reservatórios e tensão no abastecimento de águaTodo o Nordeste, com maior gravidade no interiorINSA Boletim, Funceme
Impactos na agriculturaMaior risco de perda na agricultura de sequeiro, queda na capacidade de regeneração das pastagens e aumento da necessidade de irrigaçãoMatopiba e faixas agrícolas do semiáridoAgrolink, análises da Embrapa/INMET
Riscos à saúde (mortalidade)Mortes em excesso por calor extremo — estimativas de 1.200 na Bahia e 1.300 no MaranhãoBahia, MaranhãoLaboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago
Chuvas irregularesMesmo com tendência geral de menos chuva, ainda podem ocorrer eventos localizados de chuva intensa (como perturbações ondulatórias do leste)Litoral e zona leste do NordesteINSA Boletim
Risco de atraso na estação chuvosaSe o El Niño persistir até o início de 2027, a estação chuvosa de 2026–2027 pode atrasar ou enfraquecerOeste e norte do NordesteINSA/NE, Funceme

Mais calor, menos chuvas

Em suma, o impacto central do El Niño sobre o Nordeste é “mais calor, mais seca e maior risco de incêndios”. Contudo, em contraste com a região Sul (onde se prevê mais chuva), o Nordeste enfrenta uma combinação tripla de pressão: seca agravada + calor extremo + estresse hídrico.

Além disso, a Funceme também alerta que a estação chuvosa de 2027 (fevereiro a maio) pode ser significativamente afetada pelo El Niño. Desse modo, vai contribuir para o cenário de falta de chuvas em estados como o Ceará.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.