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Política

Paraíba fecha o cerco e cria rede de apoio para combater violência contra a mulher

A Paraíba deu um passo importante para combater a violência contra as mulheres. Foi sancionada nesta terça-feira (12) a Lei nº 14.410/2026, que institui a Política Estadual de Prevenção e Enfrentamento à Violência contra a Mulher ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
13 de maio de 2026 - às 08:46
Atualizado 13 de maio de 2026 - às 08:46
4 min de leitura

A Paraíba deu um passo importante para combater a violência contra as mulheres. Foi sancionada nesta terça-feira (12) a Lei nº 14.410/2026, que institui a Política Estadual de Prevenção e Enfrentamento à Violência contra a Mulher – batizada de “Antes que Aconteça” .

O nome já diz tudo: a ideia é agir antes da violência, prevenindo, educando e criando redes de apoio para que as mulheres não precisem chegar ao extremo de sofrer agressões.

O que muda com essa lei?

A nova política não é apenas um conjunto de boas intenções. Ela organiza ações concretas em seis eixos principais para combater a violência contra a mulher. Veja na tabela:

EixoO que significa na prática
1. Prevenção, Educação e Cultura de PazCampanhas educativas, inclusão do tema nas escolas, formação de adolescentes e homens para masculinidades não violentas
2. Proteção, Atendimento e Rede de ApoioDelegacias especializadas, “Salas Lilás”, casas-abrigo, atendimento humanizado e sigiloso
3. Responsabilização e Reeducação de AgressoresGrupos reflexivos para homens autores de violência, monitoramento de medidas protetivas
4. Gestão da Informação, Pesquisa e InovaçãoSistemas informatizados integrados, uso de inteligência artificial para identificar riscos, criação de observatório estadual
5. Governança, Participação e Controle SocialComitê Gestor, conferências, audiências públicas, transparência dos dados
6. Autonomia Econômica, Trabalho e RendaCapacitação profissional, microcrédito, empreendedorismo feminino, apoio à inserção no mercado de trabalho

Por que o nome “Antes que Aconteça”?

Em suma, a ideia é simples e poderosa: em vez de apenas agir depois que a violência já ocorreu, o estado quer prevenir. Isso significa:

  • Educar meninos e meninas desde cedo sobre igualdade de gênero
  • Formar professores e profissionais da saúde para identificar sinais de risco
  • Criar campanhas que incentivem a denúncia e o acolhimento
  • Oferecer autonomia financeira para que a mulher não dependa economicamente do agressor

Destaques da nova lei

A lei traz algumas novidades importantes que merecem destaque:

DestaqueExplicação
Educação nas escolasConteúdos sobre direitos das mulheres e prevenção à violência entram nos currículos da rede pública
Salas LilásEspaços humanizados e reservados para acolher mulheres em delegacias, hospitais e órgãos de justiça
Tecnologia a favor da proteçãoUso de inteligência artificial para identificar padrões de risco e monitorar medidas protetivas
Grupos para agressoresCriação de grupos reflexivos para homens autores de violência, com encontros semanais e relatórios enviados à Justiça
Defensoras popularesFormação de lideranças comunitárias para identificar violência e encaminhar vítimas à rede de proteção
Foco na autonomia econômicaProgramas de capacitação, microcrédito e empreendedorismo para mulheres em situação de violência

O que são os Grupos Reflexivos para Homens?

A princípio, a lei prevê a criação de Grupos Reflexivos e Responsabilizantes para Homens Autores de Violência. Eles funcionam assim:

  • Encontros semanais com duração de duas horas
  • Objetivo: fazer o agressor perceber seu papel na dinâmica da violência
  • Relatórios mensais enviados ao Poder Judiciário para acompanhamento

Não se trata de “tratamento”, mas de responsabilização e reflexão – uma forma de quebrar o ciclo da violência.

Articulação com o governo federal

Em suma, a política estadual para combater a violência contra a mulher foi criada para se integrar ao Programa Nacional Antes que Aconteça, do governo federal. Isso significa que a Paraíba vai:

  • Compartilhar dados e informações (respeitando o sigilo)
  • Usar os mesmos indicadores e metodologias
  • Receber cooperação técnica do governo federal

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Quem vai participar da implementação?

A lei prevê uma grande articulação entre diferentes instituições:

EsferaInstituições envolvidas
Governo estadualSecretarias de Educação, Saúde, Assistência Social, Segurança Pública, entre outras
Governos municipaisPrefeituras paraibanas
Governo federalMinistérios da Educação, Saúde, Direitos Humanos, Mulheres
Poder JudiciárioTribunais de Justiça
Ministério PúblicoDefesa dos direitos das mulheres
Defensoria PúblicaAtendimento jurídico gratuito
Sociedade civilONGs, movimentos de mulheres, universidades

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.