Fortaleza recebe nos dias 30 e 31 de maio a terceira edição do Comunicação Antirracista, evento que vem se consolidando como um dos principais espaços de discussão sobre comunicação, diversidade, território e representatividade no Brasil. Depois de passar por Brasília e Rio de Janeiro, o encontro desembarca no Ceará com um tema carregado de significado: “Nordeste em Voz Alta”.
A proposta desta edição é clara: colocar o Nordeste no centro do debate nacional não apenas como tema, mas como protagonista político, cultural e intelectual na construção das narrativas do país.
O evento acontece no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, um dos espaços culturais mais importantes do Nordeste, com programação gratuita, acessível e voltada à valorização das vozes nordestinas dentro da comunicação, da academia, dos movimentos sociais e da produção cultural.
Mais do que um seminário tradicional, o Comunicação Antirracista chega em um momento em que o debate sobre representação regional, desigualdade social e racismo estrutural ganha ainda mais força no ambiente digital, no jornalismo e nas instituições brasileiras.
A escolha do Nordeste como eixo central da edição de 2026 também dialoga com uma discussão histórica sobre quem narra a região e como essas narrativas foram construídas ao longo das décadas.
Debates colocam memória, território e mídia em discussão
O evento reúne pesquisadores, jornalistas, lideranças indígenas, quilombolas, artistas e comunicadores em painéis que discutem desde memória histórica até a ocupação de espaços institucionais.
Entre os destaques da programação está a abertura com a pesquisadora Carla Akotirene, referência nacional nos estudos sobre interseccionalidade e pensamento antirracista.
Ao longo dos dois dias, os debates abordam temas ligados à reconstrução das memórias negras e indígenas, ao direito de narrar o Nordeste e à relação entre território, identidade e sobrevivência cultural.
Programação principal do Comunicação Antirracista 2026
| Painel | Tema | Participantes | Data e horário |
|---|---|---|---|
| Painel 1 | Memória que Resiste | Raquel Kariri e Bruno de Castro | 30/05 – 17h |
| Painel 2 | Quem pode narrar o Nordeste? | Vera Rodrigues e Rubens Rodrigues | 30/05 – 18h30 |
| Painel 3 | Território, Palavra e Defesa da Vida | Juliana Jenipapo e Aurila Quilombola | 31/05 – 14h |
| Painel 4 | Coletivo Caixa Preta: Transformação Institucional | Karina Dória | 31/05 – 15h15 |
| Painel 5 | Vozes que contam o país: Jornalismo e Dignidade | Dediane Souza e Larissa Carvalho | 31/05 – 16h30 |
| Painel 6 | Diversidade na prática | Representantes da CAIXA e Banco do Nordeste | 31/05 – 18h |
Além dos debates, a programação inclui apresentações culturais, oficinas e ações voltadas ao fortalecimento da economia criativa e do afroempreendedorismo local.
No encerramento, o cantor Caio Prado sobe ao palco com um show marcado por músicas ligadas à ancestralidade, resistência e liberdade. Já a artista cearense Roberta Kaya participa da programação musical de sábado.
Nordeste ganha protagonismo nas narrativas nacionais
O tema escolhido para esta edição também reflete uma mudança cada vez mais visível na produção cultural e jornalística brasileira.
Nos últimos anos, o Nordeste passou a ocupar mais espaço:
- na música;
- no audiovisual;
- na literatura;
- nas redes sociais;
- e no debate político e cultural nacional.
Ao mesmo tempo, cresce a discussão sobre como a região historicamente foi retratada por narrativas produzidas fora do próprio território nordestino.
O Comunicação Antirracista surge justamente dentro desse contexto, defendendo que comunicação também é disputa de memória, identidade e poder.

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Evento terá feiras e programação acessível
Além dos painéis, o encontro contará com Feira Negra de Fortaleza, Feira do Fuxico, oficinas culturais, apresentações artísticas e transmissão online gratuita. Todos os debates terão tradução em Libras e serão exibidos pelo canal oficial do evento no YouTube.
O projeto conta com patrocínio master da CAIXA e do Governo Federal, além de apoio do Banco do Nordeste.



