A política brasileira está prestes a ganhar um novo capítulo histórico. Em um cenário ainda majoritariamente dominado por homens, uma chapa composta inteiramente por mulheres entra na disputa pela Presidência da República em 2026, trazendo consigo bandeiras progressistas, pautas sociais e um discurso que promete desafiar o establishment político.
No último domingo (26), o partido Unidade Popular (UP) formalizou a candidatura de Samara Martins à presidência, com Raquel Bricio como vice. A oficialização aconteceu durante a convenção nacional do partido, realizada na Universidade Zumbi dos Palmares, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo — um local simbólico que carrega o nome do maior líder da resistência negra no Brasil colonial.
Quem são as candidatas?
A chama da UP não é composta por políticos tradicionais, mas por mulheres com trajetórias de luta nas bases da sociedade.

Samara Martins, a candidata a presidente, é dentista do Sistema Único de Saúde (SUS), dirigente do movimento negro e uma das vozes mais atuantes na defesa dos direitos das mulheres. Ao mesmo tempo, ela integra o Movimento de Mulheres Olga Benario, que apoia a luta dos sem-teto pelo direito à moradia e atua principalmente em favor das mulheres negras e pobres.
Em sua trajetória já teve um ensaio para a corrida presidencial: em 2022, Samara foi candidata a vice-presidência na chapa encabeçada por Leonardo Péricles. Agora, quatro anos depois, ela assume o posto de cabeça de chapa.
Raquel Bricio, a candidata a vice-presidente, é guarda portuária, sindicalista e também uma das fundadoras do Movimento de Mulheres Olga Benario. Sua atuação no movimento sindical e portuário lhe dá uma visão privilegiada sobre as condições de trabalho e as desigualdades estruturais que afetam a classe trabalhadora.
Uma chapa com identidade própria
Antes de mais nada, o que torna essa candidatura única não é apenas o fato de ter duas mulheres. É algo ainda raro na política brasileira. Contudo, a coerência entre suas trajetórias e as pautas que defendem.
Durante o evento de oficialização, Samara destacou que sua campanha terá três eixos centrais:
- Soberania nacional — com a reestatização de empresas privatizadas e a nacionalização das riquezas do país, como petróleo e minerais.
- Justiça social — com aumento substancial do orçamento para saúde, educação, moradia e assistência social.
- Reestruturação da dívida pública — a candidata defende uma auditoria completa da dívida externa e interna. Além disso, defende a suspensão imediata de seu pagamento, para que os recursos possam ser direcionados a políticas públicas.


