Se você acompanha as notícias sobre o Brasil, já deve ter ouvido falar que a economia do país vai desacelerar um pouco o crescimento em 2026. Contudo, tem uma notícia boa vindo do Nordeste: a região está preparada mais uma vez para crescer e surpreender.
Enquanto o país como um todo deve crescer cerca de 1,6% neste ano, o Nordeste aponta para uma alta de 2,3%. Esse número coloca a região no centro das atenções, ao lado do Norte, e mostra que, mesmo em tempos de juros altos e desafios, o sol do desenvolvimento continua brilhando por lá.
Mas o que está fazendo a diferença? Por que o Nordeste, que já é a terceira maior economia entre as regiões do país, vai acelerar o passo em 2026?
Quais os três motores do crescimento do Nordeste?
A princípio, imagine um carro subindo uma ladeira. Para ele não perder força, é preciso que vários motores funcionem bem. No caso do Nordeste, três “motores” estão ligados e trabalhando juntos:
1. Mais dinheiro no bolso do povo (e o comércio agradece)
Sabe quando a gente tem um dinheirinho extra no fim do mês? Dá pra comprar aquilo que estava precisando, ou até sair para comer um pastel com a família, não é?
Pois é, no Nordeste, esse “dinheiro extra” está chegando por meio de programas sociais importantes, como o Luz para Todos e o Gás para o Povo, além da reforma do Imposto de Renda. Essas iniciativas fazem com que as famílias tenham uma renda maior disponível. E com mais gente podendo comprar, o comércio e o setor de serviços (lojas, bares, salões de beleza, oficinas) se aquecem, gerando mais empregos e movimentando a economia da vizinhança.
2. A indústria voltando com tudo
No ano passado, algumas refinarias de petróleo em Pernambuco e no Rio Grande do Norte precisaram dar uma paradinha para manutenção. Em 2026, elas estão de volta à ativa! Isso significa mais produção, mais empregos na indústria e mais força para a economia da região. É como se uma máquina importante tivesse sido consertada e agora estivesse funcionando a todo vapor novamente.
3. A força da agricultura: a vez da cana-de-açúcar
O agronegócio nordestino também está de parabéns. No ano passado, o destaque foi para o algodão, a soja e o milho. Agora, em 2026, é a vez da cana-de-açúcar brilhar. A produção deve crescer e ajudar a manter o campo forte e produtivo, mesmo depois de um ano tão bom para outras culturas.

E o que dizem os especialistas?
Em entrevista ao Valor, a economista Camila Saito, que estudou a fundo esses números, explica que a combinação desses fatores é a chave para o sucesso da região. “O Nordeste está sendo beneficiado pelo mercado de trabalho aquecido e pelos serviços, tudo por causa do aumento da renda das famílias. E a indústria e a agricultura estão dando aquela força extra”, resume.judado pela recuperação da agricultura, que sofreu com a seca no ano passado.
Nem todo mundo vê o crescimento da mesma forma
Antes de mais nada, é importante saber que existem outras opiniões. Ao mesmo tempo, o banco Bradesco, por exemplo, também fez suas contas e, embora concorde que o Centro-Oeste deve crescer bastante (puxado pela pecuária), vê o Nordeste crescendo um pouco menos em 2026, perto de 1%.
Por que essa diferença? Para os economistas do banco, o Nordeste ainda tem um desafio grande: o desemprego. Apesar de ser a região mais beneficiada pela isenção do Imposto de Renda, ela ainda tem o maior índice de pessoas procurando trabalho no país. Isso pode fazer com que o consumo das famílias desacelere mais do que em outras regiões.
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O crescimento das regiões em números
Para ficar mais fácil de visualizar, olha só como o crescimento deve se distribuir pelo país em 2026:
| Região | Quanto deve crescer em 2026 | Por que esse destaque? |
|---|---|---|
| Centro-Oeste | 2,5% (segundo o Bradesco) | Fora da agropecuária, a renda do setor pecuário deve aumentar com a alta dos preços da carne. |
| Nordeste | 2,3% | Mais dinheiro no bolso das pessoas com programas sociais e reforma do IR, indústria do petróleo retomando e boa safra de cana. |
| Norte | 2,3% | Volta da produção nas minas e o grande impulso do turismo por causa da COP30. |
| Sul | 1,8% (segundo o Bradesco) | Recuperação da agricultura após a seca e possível alta nos preços de carnes de frango e porco. |
| Sudeste | 1,4% (segundo o Bradesco) | Região mais industrial, sofre mais com os juros altos, apesar da boa produção de petróleo e mineração. |
Em suma, neste ano o mapa do crescimento no Brasil virou de ponta-cabeça. As regiões que antes cresciam menos estão mostrando sua força, impulsionadas por uma mistura de programas sociais, grandes eventos e a força da natureza, seja no campo ou no subsolo. Assim, é uma ótima notícia para o país, mostrando que o desenvolvimento pode e deve acontecer em todos os cantos do nosso Brasil!


