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Como o Nordeste lidera a urbanização no Brasil

O ritmo de crescimento das cidades brasileiras ganhou novos contornos entre 2019 e 2022. De acordo com o estudo “Áreas Urbanizadas do Brasil”, divulgado pelo IBGE, o Nordeste foi a região que mais avançou em ...
REDAÇÃO ELISEU, da Agência NE9
19 de agosto de 2026 - às 11:11
Atualizado 19 de agosto de 2026 - às 11:11
5 min de leitura
Vista aérea de Salvador
Salvador tem diversos projetos na área ambiental. Foto: Eliseu Lins

O ritmo de crescimento das cidades brasileiras ganhou novos contornos entre 2019 e 2022. De acordo com o estudo “Áreas Urbanizadas do Brasil”, divulgado pelo IBGE, o Nordeste foi a região que mais avançou em termos de urbanização, tanto em números absolutos quanto percentuais.

A princípio, o levantamento utiliza imagens de satélite para classificar feições urbanizadas e loteamentos vazios, revela que, apesar da expansão, o tecido urbano brasileiro ainda ocupa uma fatia muito pequena do território nacional: apenas 0,63% da área total do país.

O que são feições urbanizadas e loteamentos vazios?

Antes de mais nada, é importante entender o que o IBGE considera como “área urbanizada”. O conceito é dividido em três categorias principais:

  • Áreas urbanizadas: espaços com construções residenciais e comerciais, podendo ser densas ou pouco densas.
  • Outros equipamentos urbanos: estabelecimentos não residenciais, como universidades, aeroportos, shoppings e presídios, localizados a até 3 km das áreas urbanizadas.
  • Vazios intraurbanos: terrenos não ocupados dentro do perímetro urbano, como parques e corpos d’água (a Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, é um exemplo citado).

Além disso, o estudo considera os loteamentos vazios – áreas com vias implantadas, mas sem domicílios ou com poucas casas, que indicam potencial para futura expansão.

O avanço por regiões

O Nordeste foi destaque absoluto no período analisado. Ao mesmo tempo, a região teve um aumento de 16,52% em suas áreas urbanizadas e loteamentos vazios, o que representa 1.961 km² a mais. Esse foi o maior acréscimo tanto em termos proporcionais quanto absolutos.

Em contrapartida, o Sudeste, que já possui a maior concentração de áreas urbanas do país, apresentou a menor taxa de crescimento: 9,09% (mais 1.606 km²). Mesmo assim, a região concentra 35,35% de todas as feições urbanizadas do Brasil.

Assim, veja o comparativo completo na tabela abaixo:

RegiãoAumento (2019–2022)Percentual de aumentoÁrea urbanizada total em 2022 (km²)Participação no total nacional
Nordeste1.961 km²16,52%13.679 km²25,36%
Sudeste1.606 km²9,09%19.062 km²35,35%
Sul1.341 km²13,78%11.024 km²20,44%
Centro-Oeste571 km²11,45%5.474 km²10,15%
Norte476 km²11,16%4.686 km²8,70%
Brasil5.955 km²12,27%53.925 km²100%

Brasília ultrapassa o Rio e já é a 2ª maior área urbana do país

Outro dado de destaque é o ranking das cidades com maior extensão de feições urbanizadas (excluindo loteamentos vazios). São Paulo mantém a liderança, com 922,4 km². Mas a grande surpresa ficou por conta de Brasília, que ultrapassou o Rio de Janeiro e assumiu a segunda posição, com 662,5 km², contra 644,36 km² da capital fluminense.

A expansão da capital federal foi a mais expressiva do país: 72,1 km² a mais entre 2019 e 2022, mais que o dobro do segundo colocado no ranking de crescimento, São Luís (MA), que registrou +35,76 km².

Cidades com 100% de urbanização

Quando o assunto é proporção de área urbanizada em relação ao território municipal, São Caetano do Sul (SP) lidera com 100% de seu território coberto por feições urbanizadas. Em seguida, aparecem:

  • São João de Meriti (RJ): 99,99%
  • Olinda (PE): 96,36%
  • Carapicuíba (SP): 94,29%
  • Osasco (SP): 93,38%
  • Taboão da Serra (SP): 91,44%

Esses números reforçam a alta densidade urbana em regiões metropolitanas consolidadas, especialmente no entorno de São Paulo e Rio de Janeiro.

Litoral e fronteiras: contrastes na ocupação

Em suma, o estudo também revela desigualdades regionais marcantes. Os 443 municípios costeiros ocupam apenas 5,02% do território nacional, mas concentram 19,5% de todas as áreas urbanizadas do país.

Já os 590 municípios da faixa de fronteira representam 26,61% do território, mas abrigam somente 8,28% das feições urbanizadas.

Na Amazônia Legal, os 772 municípios somam 59,11% do território brasileiro, mas detêm apenas 14,27% das áreas urbanizadas, evidenciando o baixo adensamento urbano na região.

foto de igreja em olinda
Olinda é destaque em urbanização no Brasil. Divulgação

Um país ainda pouco urbanizado em área

Apesar do crescimento expressivo, as áreas urbanizadas e loteamentos vazios somam 53.925 km² – uma extensão inferior ao território da Paraíba (56.467 km²), mas superior ao da Dinamarca (42.957 km²). Ou seja, o Brasil é um país imenso, com cidades que crescem, mas que ainda ocupam uma parcela mínima de seu território.

O avanço da urbanização no Brasil segue dinâmicas regionais distintas. Enquanto o Nordeste puxa a expansão, o Sudeste mantém sua hegemonia em área total. Brasília surge como novo polo urbano de destaque, e o litoral brasileiro continua sendo o principal vetor de ocupação urbana.

O estudo do IBGE reforça a importância de políticas públicas que considerem essas disparidades, garantindo infraestrutura, mobilidade e qualidade de vida para os mais de 200 milhões de brasileiros que vivem – e se espalham – por essas áreas urbanas em constante transformação.