O ritmo de crescimento das cidades brasileiras ganhou novos contornos entre 2019 e 2022. De acordo com o estudo “Áreas Urbanizadas do Brasil”, divulgado pelo IBGE, o Nordeste foi a região que mais avançou em termos de urbanização, tanto em números absolutos quanto percentuais.
A princípio, o levantamento utiliza imagens de satélite para classificar feições urbanizadas e loteamentos vazios, revela que, apesar da expansão, o tecido urbano brasileiro ainda ocupa uma fatia muito pequena do território nacional: apenas 0,63% da área total do país.
O que são feições urbanizadas e loteamentos vazios?
Antes de mais nada, é importante entender o que o IBGE considera como “área urbanizada”. O conceito é dividido em três categorias principais:
- Áreas urbanizadas: espaços com construções residenciais e comerciais, podendo ser densas ou pouco densas.
- Outros equipamentos urbanos: estabelecimentos não residenciais, como universidades, aeroportos, shoppings e presídios, localizados a até 3 km das áreas urbanizadas.
- Vazios intraurbanos: terrenos não ocupados dentro do perímetro urbano, como parques e corpos d’água (a Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, é um exemplo citado).
Além disso, o estudo considera os loteamentos vazios – áreas com vias implantadas, mas sem domicílios ou com poucas casas, que indicam potencial para futura expansão.
O avanço por regiões
O Nordeste foi destaque absoluto no período analisado. Ao mesmo tempo, a região teve um aumento de 16,52% em suas áreas urbanizadas e loteamentos vazios, o que representa 1.961 km² a mais. Esse foi o maior acréscimo tanto em termos proporcionais quanto absolutos.
Em contrapartida, o Sudeste, que já possui a maior concentração de áreas urbanas do país, apresentou a menor taxa de crescimento: 9,09% (mais 1.606 km²). Mesmo assim, a região concentra 35,35% de todas as feições urbanizadas do Brasil.
Assim, veja o comparativo completo na tabela abaixo:
| Região | Aumento (2019–2022) | Percentual de aumento | Área urbanizada total em 2022 (km²) | Participação no total nacional |
|---|---|---|---|---|
| Nordeste | 1.961 km² | 16,52% | 13.679 km² | 25,36% |
| Sudeste | 1.606 km² | 9,09% | 19.062 km² | 35,35% |
| Sul | 1.341 km² | 13,78% | 11.024 km² | 20,44% |
| Centro-Oeste | 571 km² | 11,45% | 5.474 km² | 10,15% |
| Norte | 476 km² | 11,16% | 4.686 km² | 8,70% |
| Brasil | 5.955 km² | 12,27% | 53.925 km² | 100% |
Brasília ultrapassa o Rio e já é a 2ª maior área urbana do país
Outro dado de destaque é o ranking das cidades com maior extensão de feições urbanizadas (excluindo loteamentos vazios). São Paulo mantém a liderança, com 922,4 km². Mas a grande surpresa ficou por conta de Brasília, que ultrapassou o Rio de Janeiro e assumiu a segunda posição, com 662,5 km², contra 644,36 km² da capital fluminense.
A expansão da capital federal foi a mais expressiva do país: 72,1 km² a mais entre 2019 e 2022, mais que o dobro do segundo colocado no ranking de crescimento, São Luís (MA), que registrou +35,76 km².
Cidades com 100% de urbanização
Quando o assunto é proporção de área urbanizada em relação ao território municipal, São Caetano do Sul (SP) lidera com 100% de seu território coberto por feições urbanizadas. Em seguida, aparecem:
- São João de Meriti (RJ): 99,99%
- Olinda (PE): 96,36%
- Carapicuíba (SP): 94,29%
- Osasco (SP): 93,38%
- Taboão da Serra (SP): 91,44%
Esses números reforçam a alta densidade urbana em regiões metropolitanas consolidadas, especialmente no entorno de São Paulo e Rio de Janeiro.
Litoral e fronteiras: contrastes na ocupação
Em suma, o estudo também revela desigualdades regionais marcantes. Os 443 municípios costeiros ocupam apenas 5,02% do território nacional, mas concentram 19,5% de todas as áreas urbanizadas do país.
Já os 590 municípios da faixa de fronteira representam 26,61% do território, mas abrigam somente 8,28% das feições urbanizadas.
Na Amazônia Legal, os 772 municípios somam 59,11% do território brasileiro, mas detêm apenas 14,27% das áreas urbanizadas, evidenciando o baixo adensamento urbano na região.

Um país ainda pouco urbanizado em área
Apesar do crescimento expressivo, as áreas urbanizadas e loteamentos vazios somam 53.925 km² – uma extensão inferior ao território da Paraíba (56.467 km²), mas superior ao da Dinamarca (42.957 km²). Ou seja, o Brasil é um país imenso, com cidades que crescem, mas que ainda ocupam uma parcela mínima de seu território.
O avanço da urbanização no Brasil segue dinâmicas regionais distintas. Enquanto o Nordeste puxa a expansão, o Sudeste mantém sua hegemonia em área total. Brasília surge como novo polo urbano de destaque, e o litoral brasileiro continua sendo o principal vetor de ocupação urbana.
O estudo do IBGE reforça a importância de políticas públicas que considerem essas disparidades, garantindo infraestrutura, mobilidade e qualidade de vida para os mais de 200 milhões de brasileiros que vivem – e se espalham – por essas áreas urbanas em constante transformação.

