Às vezes, a história atravessa o tempo por meio de objetos. Uma música, um livro, uma fotografia. E, no caso do futebol, uma camisa. Não uma camisa qualquer: a número 10, amarela, canarinho. A que vestiu o Rei.
No dicionário, o nome Pelé já significa “que ou aquele que é fora do comum”. O eterno camisa 10 da Seleção Brasileira virou até verbete, mas antes de entrar para as páginas dos livros, ele autografou um uniforme que agora pode mudar a vida de uma família cearense.
A peça — uma réplica fiel da camisa utilizada na histórica Copa de 1970 — pertence ao pedagogo e radialista Alano Maia, colecionador de antiguidades residente no Ceará. Adquirida em Santos, a relíquia está à venda por 3 mil dólares (cerca de R$ 15 mil). O destino do dinheiro é nobre: custear os estudos da filha, recém-aprovada no curso de Psicologia.
A história por trás da camisa de Pelé
Em entrevista ao Diário do Nordeste, Alano conta um pouco de sua saga para adquirir o item. O ano era 2018. Ele conheceu o Museu do Pelé, em Santos, e saiu de lá encantado — e com uma aquisição inusitada. Na saída do local, comprou a camisa de um senhor que, quando jovem, costumava ir treinar na Vila Belmiro.
“Ele disse que, quando era mais jovem, ia treinar na Vila Belmiro. Contou a história dele. Aí comprei a camisa. Meu amigo disse para deixar a peça com ele que, de dois em dois meses, o Pelé ia a Santos e autografava algumas para os amigos. Se tivesse oportunidade, ele conseguiria também”, relembra Alano.
Dois anos depois, a espera terminou. O amigo conseguiu o autógrafo do Rei. Houve apenas um detalhe: Pelé perguntou se o nome do destinatário era com “A” ou com “H” (Alano), mas o amigo não soube responder. O resultado? A camisa veio assinada, mas sem o nome do dono.
Um “defeito” que, para Alano, acabou se tornando uma vantagem: “Foi uma alegria para mim muito grande ganhar esse presente. Guardo com muito carinho, mas valeu ele não ter colocado (meu nome). É mais fácil vender sem o nome da pessoa”, brincou o colecionador.
Por que a camisa de 1970 é tão especial?
Não é exagero. A camisa do tri é, disparada, a peça mais importante da coleção de Alano. E por um motivo muito claro: foi na Copa do México, em 1970, que Pelé se consagrou definitivamente como o maior jogador de todos os tempos.
Depois de sair machucado do Mundial de 1966, o Rei voltou com tudo. Ao lado de uma geração de gênios, comandada por Zagallo, o Brasil conquistou o tricampeonato invicto. Na final contra a Itália, vitória por 4 a 1 no Estádio Azteca. Pelé abriu o placar com um golaço de cabeça e, na reta final, deu uma assistência para Carlos Alberto Torres fechar a conta com um dos gols mais bonitos da história das Copas.
A escalação do time dos sonhos (1970)
Em suma, para matar a saudade ou apresentar essa máquina às novas gerações, vale relembrar os 11 titulares que vestiram a camisa canarinho naquela conquista:
| Posição | Jogador |
|---|---|
| Goleiro | Félix |
| Lateral | Carlos Alberto (capitão) |
| Zagueiro | Brito |
| Zagueiro | Piazza |
| Lateral | Everaldo |
| Volante | Clodoaldo |
| Meia | Gerson |
| Meia | Rivellino |
| Atacante | Pelé |
| Atacante | Jairzinho |
| Atacante | Tostão |
Gols da final: Pelé, Gérson, Jairzinho e Carlos Alberto para o Brasil; Boninsegna para a Itália.
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Autenticidade garantida e objetivo nobre
Alano não vende qualquer camisa com qualquer autógrafo. Ele fez o dever de casa. Há poucos meses, iniciou o processo de certificação da originalidade da assinatura. Recentemente, conseguiu atestar a idoneidade da peça.
“Consegui a certificação da originalidade do autógrafo, da idoneidade da peça. É uma peça que qualquer colecionador ou qualquer pessoa gostaria de ter em seu acervo. É uma relíquia, emoldurada em vidro duplo”, destacou o colecionador.
Assim, a camisa está guardada com carinho há anos, recentemente emoldurada, e agora espera um novo dono. O preço é alto? Sim. Contudo, caro mesmo é ver um sonho de faculdade ficar pelo caminho. Desse modo, a história pode ajudar a escrever um novo capítulo.



