O Nordeste pode estar diante de uma das maiores oportunidades econômicas do turismo internacional das próximas décadas. A entrada definitiva do Brasil no radar dos turistas chineses começa a abrir um novo cenário para hotéis, aeroportos, restaurantes, receptivos, comércio e toda a cadeia produtiva do turismo nordestino.
A princípio, a movimentação ganhou força após a Embratur lançar uma ofensiva inédita de promoção turística na China, incluindo campanhas publicitárias exclusivas, site adaptado ao público chinês e presença oficial nas principais redes sociais do país asiático.
Ao mesmo tempo, o movimento acontece justamente no momento em que o fluxo de visitantes chineses cresce de forma acelerada no Brasil. De acordo com dados da própria Embratur, o número de turistas chineses aumentou 34,8% em 2025 e segue em forte alta em 2026, impulsionado principalmente pela recente isenção de vistos para visitantes chineses.
Embora o Sudeste ainda concentre boa parte das entradas internacionais, especialistas do setor avaliam que o Nordeste pode ser um dos grandes beneficiados no médio prazo.
E, antes de mais nada, os motivos são claros.
Nordeste reúne exatamente o que o turista chinês busca
O perfil do novo turista chinês mudou muito nos últimos anos. Se antes predominavam viagens rápidas e focadas em compras, segundo pesquisa da CTA ( China Tourism Academy), as escolhas de viagem dos chineses passa por: gastronomia local, paisagens e museus, conhecer atrações famosas, realizar atividades e contato com a natureza e fazer compras.
A própria campanha da Embratur para a China já utiliza destinos nordestinos como vitrine internacional, especialmente os Lençóis Maranhenses, um dos cenários brasileiros que mais impressionam o mercado asiático pelas imagens consideradas quase “surreais” para o público chinês.
Além dos Lençóis, destinos como Salvado, Jericoacoara, Porto de Galinhas, Praia da Pipa, São Miguel dos Milagres e Morro de São Paulo podem ganhar enorme visibilidade nos próximos anos.
Mas o Nordeste ainda precisa se preparar
Apesar do enorme potencial, especialistas alertam que o Nordeste ainda possui gargalos importantes para atender o turista chinês.
O principal desafio envolve conectividade aérea internacional. Hoje, praticamente todo visitante chinês entra no Brasil via São Paulo, Rio de Janeiro ou conexões internacionais na Europa e Oriente Médio.
A ausência de voos diretos para o Nordeste acaba limitando o crescimento desse mercado.
Outro ponto considerado estratégico é a adaptação da cadeia turística regional ao perfil cultural do visitante asiático. Hotéis, restaurantes, aeroportos e receptivos turísticos podem precisar investir em:
- sinalização multilíngue;
- treinamento cultural;
- meios de pagamento digitais usados na China;
- cardápios adaptados;
- e atendimento voltado ao público asiático.
Em destinos internacionais consolidados no mercado chinês, como Tailândia, Dubai e Maldivas, essas adaptações foram fundamentais para explosão do turismo vindo da China.

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Nordeste pode viver novo ciclo econômico do turismo
O cenário lembra o que aconteceu com o turismo europeu no Nordeste entre os anos 1990 e 2010, quando destinos da região passaram a receber investimentos internacionais pesados.
Agora, o mercado asiático pode abrir uma nova fase.
A diferença é que o turista chinês costuma buscar experiências muito conectadas à natureza, autenticidade cultural e exclusividade — exatamente os pontos mais fortes do litoral e das paisagens nordestinas.
Portanto, com mais investimento em infraestrutura, conectividade e qualificação, o Nordeste pode se transformar em uma das principais portas do turismo chinês na América Latina. Dessa forma, trazer desenvolvimento econômico para uma grande cadeia produtiva.




