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Canoagem da Bahia domina Copa do Mundo na Alemanha

A força da canoagem baiana voltou a colocar o Nordeste em evidência no esporte mundial. Na etapa de Brandenburg an der Havel da Copa do Mundo de Canoagem Velocidade e Paracanoagem 2026, realizada entre os ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
21 de maio de 2026 - às 05:57
Atualizado 21 de maio de 2026 - às 05:57
4 min de leitura

A força da canoagem baiana voltou a colocar o Nordeste em evidência no esporte mundial. Na etapa de Brandenburg an der Havel da Copa do Mundo de Canoagem Velocidade e Paracanoagem 2026, realizada entre os dias 14 e 17 de maio, atletas revelados em projetos sociais da Bahia ajudaram o Brasil a conquistar medalhas e consolidaram mais uma vez o estado como principal celeiro nacional da modalidade.

Muito mais que Isaquias Queiroz

Isaquias Queiroz
Isaquias Queiroz

O destaque ficou para o baiano Gabriel Assunção, natural de Ubatã, que conquistou medalha de bronze na prova do C1 500 metros. A final teve ainda o ouro do campeão olímpico Isaquias Queiroz, formando uma dobradinha brasileira no pódio e reforçando o domínio da Bahia na canoa velocidade.

O resultado chama atenção porque confirma um fenômeno raro no esporte brasileiro: praticamente toda a elite nacional da canoagem de velocidade surgiu de cidades do interior baiano e de projetos sociais apoiados pelo governo estadual.

Gabriel Assunção é fruto do projeto Remando no Rio de Contas, iniciativa voltada à formação esportiva de jovens em municípios do interior. Já na paracanoagem, outro baiano ganhou destaque internacional. O atleta Gabriel Porto, de Itacaré, terminou na quarta colocação da final da KL3 masculina, competindo entre os melhores do mundo.

Mais do que medalhas, os resultados ajudam a reforçar um cenário que há alguns anos vem transformando a Bahia em referência nacional da canoagem olímpica e paralímpica.

Resultado reforça protagonismo do Nordeste no esporte olímpico

Durante muito tempo, modalidades olímpicas de alto rendimento no Brasil ficaram concentradas principalmente no Sul e Sudeste. Mas a canoagem acabou construindo uma história diferente. O interior da Bahia passou a formar atletas em sequência, criando uma espécie de “escola nordestina” da modalidade.

O maior símbolo desse movimento segue sendo Isaquias Queiroz, um dos maiores atletas olímpicos da história do Brasil. Natural de Ubaitaba, Isaquias abriu caminho para uma geração inteira de jovens atletas nordestinos enxergarem a canoagem como oportunidade de transformação social e carreira esportiva.

Hoje, cidades baianas ligadas a rios e áreas costeiras se tornaram polos importantes da modalidade, impulsionadas por projetos sociais apoiados pela Federação Baiana de Canoagem (Febac) e pelo Governo da Bahia.

Segundo dirigentes da modalidade, os resultados internacionais mostram que o investimento contínuo em iniciação esportiva começa a gerar efeitos de longo prazo. A presidente da Febac, Camila Lima, destacou justamente o impacto das políticas públicas voltadas ao esporte de base e ao desenvolvimento de talentos no interior.

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Prova na Alemanha teve nível Olímpico

A etapa da Alemanha reuniu cerca de mil atletas de aproximadamente 50 países e marcou uma das primeiras grandes competições do novo ciclo olímpico rumo aos Jogos de Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.

Além das medalhas de Isaquias e Gabriel Assunção, o Brasil encerrou a competição com sete pódios entre canoagem velocidade e paracanoagem. Entre os destaques apareceram também: Fernando Rufino, Luis Carlos Cardoso, Giovane Vieira de Paula e Miqueias Elias Rodrigues.

A competição na Alemanha veio logo após outra etapa positiva para o Brasil na Hungria, onde Isaquias voltou ao pódio e a dupla formada por Jacky Godmann e Gabriel Assunção também conquistou medalha.

Portanto, o resultado reforça que o Nordeste, especialmente a Bahia, deixou de ser apenas participante da canoagem brasileira para se tornar protagonista absoluto da modalidade.

Hoje, boa parte das esperanças brasileiras para os próximos ciclos olímpicos segue saindo justamente dos rios, projetos sociais e centros de treinamento espalhados pelo interior baiano.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.