A Brisanet quer levar sinal de celular a áreas onde as antenas terrestres não conseguem chegar. A operadora cearense assinou um acordo com a empresa americana AST SpaceMobile para oferecer conexão via satélite diretamente a smartphones convencionais. Entretanto, a disputa ganhou um novo capítulo: a Vivo já lançou um serviço semelhante em parceria com a Starlink.
O movimento abre uma nova frente no mercado de telecomunicações brasileiro. Para o Nordeste, a tecnologia pode representar uma alternativa para comunidades rurais, estradas e localidades afastadas que ainda enfrentam dificuldades de conectividade. Mas há uma diferença importante entre anunciar a parceria e disponibilizar o serviço ao consumidor.
Brisanet aposta em conexão direta entre satélites e celulares
Em fato relevante divulgado em 23 de outubro, a Brisanet confirmou o acordo comercial com a AST SpaceMobile, ao lado das operadoras regionais Unifique e iez! Telecom.
A proposta utiliza a tecnologia Direct-to-Device (D2D), que permite a comunicação direta entre satélites e celulares compatíveis, sem a necessidade de instalar uma antena externa ou comprar um equipamento dedicado.
Segundo o comunicado da Brisanet, a iniciativa pretende oferecer chamadas de voz, dados móveis e streaming de vídeo por meio de smartphones convencionais. Para isso, as operadoras devem disponibilizar frequências que possuem na faixa de 700 MHz e conectar suas redes à infraestrutura da AST.
No entanto, a empresa informou que os termos definitivos do contrato ainda estavam em negociação. Portanto, a parceria não estabelece, por enquanto, uma data confirmada de lançamento nem preços para os consumidores.
Vivo saiu na frente com serviço em parceria com a Starlink
Enquanto a Brisanet prepara sua estratégia, a Vivo anunciou, em 26 de outubro, o lançamento do Vivo Satélite, desenvolvido com a Starlink. A oferta inicial alcança cerca de 50 milhões de assinantes elegíveis da operadora.
Nesta primeira fase, o serviço permite utilizar aplicativos selecionados de mensagens e mapas em locais sem cobertura móvel terrestre, desde que o usuário tenha um aparelho compatível e condições adequadas de conexão com os satélites.
A oferta inicial não equivale a uma conexão irrestrita de banda larga. Além disso, a Vivo estabeleceu condições de elegibilidade conforme o plano contratado.
Assim, a entrada comercial da Starlink por meio da Vivo aumenta a pressão sobre os concorrentes. A Brisanet, por sua vez, aposta na infraestrutura da AST SpaceMobile para desenvolver uma alternativa e ampliar o alcance de sua rede.
Anatel autoriza frequências para a AST SpaceMobile
A disputa avançou também no campo regulatório. Em 28 de outubro, a AST SpaceMobile recebeu autorização da Anatel para utilizar espectro da banda S e, de forma secundária, frequências de 700 MHz no Brasil.
Na mesma data, a empresa anunciou uma parceria com a Amazônia 5G. Com isso, a estratégia passou a reunir quatro grupos de operadoras regionais: Brisanet, Unifique, iez! Telecom e Amazônia 5G.
A autorização representa um passo importante para a implantação da tecnologia no país. Ainda assim, a oferta depende da instalação da infraestrutura necessária e da ampliação da capacidade de satélites, além das condições operacionais de cada parceria.
Portanto, o avanço regulatório não significa que os clientes da Brisanet já possam utilizar internet via satélite diretamente no celular.
Nordeste ainda tem milhares de localidades sem cobertura móvel
A expansão da conectividade é especialmente relevante para o interior nordestino. O Plano Estrutural de Redes de Telecomunicações (PERT) de 2026, da Anatel, identificou cerca de 26,4 mil localidades brasileiras sem cobertura 4G e sem obrigação regulatória de receber essa tecnologia.
No Ceará, são 308 localidades nessa situação, segundo dados do levantamento citados em reportagem sobre a infraestrutura de telecomunicações no estado.
Esses números ajudam a dimensionar o desafio: mesmo com a expansão das redes móveis, pequenas comunidades e áreas afastadas ainda podem ficar fora do alcance das antenas convencionais.
Nesse cenário, a conexão direta entre satélites e celulares pode ampliar as opções de comunicação em áreas rurais, estradas e regiões remotas. Também pode ajudar trabalhadores, motoristas e moradores que precisam acessar serviços digitais longe dos centros urbanos.
Entretanto, o impacto dependerá da cobertura efetiva, dos aparelhos compatíveis, do desempenho da conexão e do preço que cada operadora cobrar. A tecnologia também não substitui automaticamente a necessidade de ampliar a infraestrutura terrestre.

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O que muda para os clientes da Brisanet?
Por enquanto, o principal avanço está na preparação de uma nova alternativa tecnológica. A Brisanet busca complementar sua rede móvel com conectividade via satélite e, assim, alcançar áreas que as antenas terrestres não atendem.
A Vivo já iniciou uma oferta comercial com a Starlink, enquanto a AST SpaceMobile avança nas autorizações e nas parcerias necessárias para entrar no mercado brasileiro.
Para os consumidores nordestinos, ainda falta conhecer os detalhes que definirão a utilidade prática do serviço: data de lançamento, preço, modelos de celular compatíveis, cobertura disponível e recursos liberados na primeira fase.
A disputa pelo sinal de celular via satélite já começou, mas a chegada dessa tecnologia ao cotidiano dos clientes da Brisanet ainda depende das próximas etapas de implantação.


