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Borboletas do Velho Chico: conheça a corrida de canoas em Alagoas

Conheça as Borboletas do Velho Chico, tradição de corrida de canoas à vela entre Pão de Açúcar e Ilha do Ferro, em Alagoas.
Eliseu Lins, da Agência NE9
18 de outubro de 2026 - às 12:06
Atualizado 18 de outubro de 2026 - às 12:06
5 min de leitura

Tradição reúne pescadores e comunidades ribeirinhas em uma disputa de cerca de 15 quilômetros pelo Rio São Francisco, com embarcações de madeira e grandes velas coloridas

As velas coloridas que deslizam sobre o Rio São Francisco deram origem a um apelido que chama a atenção: Borboletas do Velho Chico. A expressão identifica uma tradição de corrida de canoas à vela realizada em Alagoas, na região de Pão de Açúcar e do povoado de Ilha do Ferro.

A prática ganhou visibilidade nacional neste domingo (18), com a exibição de uma reportagem no programa Esporte Espetacular, da TV Globo. A atração destacou a relação entre esporte, cultura popular e os conhecimentos de comunidades que vivem às margens do Velho Chico.

Mais do que uma competição, a corrida preserva técnicas tradicionais de construção de embarcações e navegação. Os participantes precisam conhecer o comportamento do vento, a correnteza e o equilíbrio das canoas para avançar pelo rio.

Por que as canoas são chamadas de Borboletas do Velho Chico?

Borboletas do Velho Chico Foto reproducao 2

O nome vem do visual das embarcações durante a navegação. As canoas de madeira utilizam grandes velas coloridas, conhecidas localmente como panos, que se destacam sobre a superfície do São Francisco.

Vistas de longe, as velas parecem asas abertas e dão a impressão de que borboletas percorrem o rio. A imagem se tornou uma marca da tradição alagoana.

As embarcações podem utilizar uma ou duas velas, conforme o tipo de canoa. A estrutura exige habilidade dos tripulantes, porque o vento movimenta não apenas a vela, mas também uma embarcação estreita que precisa permanecer equilibrada.

Como funciona a corrida de canoas à vela?

A disputa depende da combinação entre vento, correnteza e coordenação da tripulação. Ao contrário das embarcações movidas por motores, as canoas aproveitam a força do vento para ganhar velocidade.

Os participantes também precisam deslocar o próprio peso para compensar a pressão exercida pelas velas. Quando o vento muda de direção, a tripulação ajusta sua posição e a condução da embarcação para manter o equilíbrio.

Entre as características da competição estão:

  • Canoas artesanais: embarcações de madeira construídas com técnicas tradicionais.
  • Velas coloridas: os panos aproveitam a força do vento e criam o visual que inspirou o apelido.
  • Equilíbrio e estratégia: os tripulantes precisam distribuir o peso e reagir às mudanças nas condições do rio.
  • Conhecimento local: a experiência com o São Francisco ajuda os participantes a interpretar o vento e a correnteza.

O percurso tradicional entre Pão de Açúcar e Ilha do Ferro tem aproximadamente 15 quilômetros. O tempo de navegação varia conforme as condições do vento e da água.

Onde acontece a tradição das Borboletas do Velho Chico?

A corrida ocorre no trecho alagoano do Rio São Francisco que conecta a cidade de Pão de Açúcar ao povoado de Ilha do Ferro, conhecido também pelo artesanato em madeira e pelo bordado tradicional.

Ilha do Ferro pertence ao município de Pão de Açúcar e integra um roteiro cultural ligado à vida ribeirinha. A região reúne paisagens do Velho Chico, produção artesanal e manifestações que ajudam a contar a história das comunidades locais.

A navegação pelo rio faz parte da rotina de moradores que dependem de seus recursos e conhecem suas características. Por isso, a corrida também representa uma forma de transmitir saberes entre gerações.

cidade de Pão de Açúcar foto reprodução instagram

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As Borboletas do Velho Chico mostram como uma prática ligada à navegação pode ganhar dimensão esportiva sem perder sua relação com a vida cotidiana das comunidades.

Pescadores, ribeirinhos e outros moradores participam de uma tradição que exige habilidade prática e conhecimento das embarcações. A construção das canoas, a preparação das velas e as estratégias de navegação fazem parte desse patrimônio cultural.

A exposição na televisão também amplia a visibilidade de uma região que oferece outros atrativos, como o artesanato de Ilha do Ferro e as paisagens do Rio São Francisco.

Para o turismo, a tradição pode despertar o interesse de visitantes pela cultura popular de Alagoas. No entanto, a valorização da atividade depende também do reconhecimento dos participantes e da preservação dos conhecimentos que mantêm a corrida viva.

As Borboletas do Velho Chico, portanto, vão além da imagem das velas coloridas sobre a água. Elas representam uma relação histórica entre as comunidades e o rio, na qual esporte, habilidade artesanal e identidade cultural seguem navegando juntos.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.