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Xilogravura: conheça os cinco principais mestres dessa cultura popular nordestina

A princípio no Nordeste, a xilogravura ultrapassou o campo da ilustração para se consolidar como patrimônio artístico reconhecido, reunindo mestres que transformaram a arte popular em expressão universal.
Eliseu Lins, da Agência NE9
15 de setembro de 2025 - às 06:27
Atualizado 15 de setembro de 2025 - às 06:27
4 min de leitura

A Xilogravura é uma das expressões artísticas mais marcantes da cultura nordestina. Presente em capas de cordéis, ilustrações e obras independentes, essa técnica milenar de gravura em madeira ganhou força na região por seu forte vínculo com a literatura de cordel, tornando-se símbolo de identidade, memória e resistência cultural.

A princípio no Nordeste, a xilogravura ultrapassou o campo da ilustração para se consolidar como patrimônio artístico reconhecido, reunindo mestres que transformaram a arte popular em expressão universal.

Qual a importância da xilogravura?

A xilogravura nordestina é mais do que uma técnica: ela traduz a vida cotidiana, o imaginário popular e a tradição oral da região. Utilizando madeira talhada, tinta e papel, os artistas imprimem imagens de personagens, mitos, festas, religiosidade e cenários típicos do sertão.

Além disso, essa arte ganhou grande visibilidade principalmente nas feiras, bancas de cordel e espaços culturais do Nordeste, ajudando a difundir histórias e fortalecer a identidade cultural. Hoje, a xilogravura é valorizada dentro e fora do Brasil, presente em exposições e museus internacionais.

A ligação entre xilogravura e cordel

A relação entre a xilogravura e o cordel é histórica e inseparável. Desde os séculos XIX e XX, quando os folhetos começaram a circular pelas feiras nordestinas, as capas eram ilustradas por xilogravuras que ajudavam a atrair leitores. Além disso, as imagens, gravadas em madeira e reproduzidas no papel, traduziam visualmente as histórias contadas em versos — fossem aventuras, romances, lendas ou críticas sociais.

Assim, a xilogravura se consolidou como parte essencial do cordel, funcionando como uma “porta de entrada” para o público. Enquanto os versos contavam histórias, as imagens davam vida e impacto imediato às narrativas, reforçando o caráter popular e acessível da arte.

Cinco grandes mestres da xilogravura no Nordeste

Selecionamos cinco dos nomes mais importantes que marcaram a história da xilogravura nordestina:

ArtistaEstado de origemDestaque
J. BorgesPernambucoConsiderado um dos maiores xilogravuristas do mundo, com obras expostas em diversos países e referência internacional da arte popular.
Abraão BatistaCearáMestre cordelista e xilógrafo, conhecido por sua produção vasta e pela defesa da tradição da literatura de cordel.
Amaro FranciscoPernambucoReconhecido pela riqueza de detalhes em suas obras e pelas contribuições para a divulgação da cultura nordestina.
Dila (José Soares da Silva)PernambucoFoi um dos nomes mais importantes da xilogravura em Bezerros, com obras que retratam o cotidiano e a religiosidade popular.
José LourençoCearáMestre xilógrafo da região do Cariri, ligado à tradição dos cordéis e à preservação da cultura popular nordestina.

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Preservação e novos olhares

trabalho de Jose Lourenco Gonzaga Banda Cabacal Xilogravura 42-30 cm imagem reprodução
trabalho de Jose Lourenco Gonzaga Banda Cabacal Xilogravura 42-30 cm imagem reprodução

Atualmente, além dos mestres tradicionais, novas gerações de artistas vêm renovando a xilogravura, misturando técnicas clássicas com linguagens contemporâneas. Feiras, oficinas culturais e centros de arte no Nordeste desempenham papel fundamental na preservação e valorização desse patrimônio.

Portanto, a xilogravura nordestina segue como um dos símbolos mais fortes da arte popular brasileira. Afinal, ao unir tradição, memória e criatividade, os mestres e seus seguidores garantem que essa forma de expressão continue viva, dialogando com o passado e abrindo caminhos para o futuro.

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Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.