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A Copa que ficou distante

Nesta quinta-feira, a bola começa a rolar para mais uma Copa do Mundo. Pela primeira vez, o torneio será realizado em três países: Estados Unidos, México e Canadá. Também será a primeira edição com 48 ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
11 de junho de 2026 - às 08:12
Atualizado 11 de junho de 2026 - às 08:12
3 min de leitura

Nesta quinta-feira, a bola começa a rolar para mais uma Copa do Mundo. Pela primeira vez, o torneio será realizado em três países: Estados Unidos, México e Canadá. Também será a primeira edição com 48 seleções, um crescimento significativo em relação às 32 equipes que disputavam o título até a edição passada.

Mas, apesar de toda essa grandiosidade, há algo que parece menor. Bem menor.

A Copa do Mundo já não ocupa o mesmo espaço no coração dos brasileiros. E no Nordeste então, é algo visível e triste de constatar.

Antigamente, a chegada do Mundial era um acontecimento quase sagrado. As ruas ganhavam bandeirinhas verdes e amarelas semanas antes da estreia. As crianças pintavam o rosto. Os vizinhos se organizavam para decorar a rua. Os bares lotavam. As famílias marcavam encontros. A Copa era assunto em qualquer esquina, na fila da padaria ou na conversa do fim da tarde. E se misturava com o São João em looks verde e amarelo e comemorações forrós adentro.

Hoje, muita gente sequer sabe quando o Brasil estreia.

É curioso observar isso. Afinal, em 1994 também estávamos há 24 anos sem conquistar uma Copa do Mundo. O jejum era exatamente o mesmo. A diferença é que existia uma crença coletiva. Havia uma confiança quase irracional na camisa amarela, na mística da Seleção, na possibilidade de que o Brasil sempre encontraria um jeito de vencer.

A mística se perdeu pelo caminho

O Brasil continua sendo o maior campeão da história, mas já não entra entre os principais favoritos (em 94 também não éramos). E, mais do que isso, a Seleção deixou de ser um símbolo capaz de unir o país da forma que unia décadas atrás.

As ruas permanecem sem decoração. A expectativa é tímida. A audiência já não é a mesma. A conversa gira em torno de muitos assuntos, e a Copa é apenas mais um deles.

Talvez porque o futebol tenha mudado. Ou o mundo tenha mudado. Talvez porque nós mesmos tenhamos mudado.

No Nordeste, existe ainda um ingrediente especial nessa equação. A Copa divide espaço com algo que pulsa muito forte no mês de junho: o São João. Enquanto a Seleção busca recuperar seu prestígio, cidades inteiras estão preocupadas com as quadrilhas, os arraiais, o forró e os reencontros que fazem desta época do ano uma das mais aguardadas pelos nordestinos.

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A Copa continua sendo a maior competição esportiva do planeta. Mas aquela sensação de que o país inteiro parava para sonhar junto parece cada vez mais distante.

A bola vai rolar. O Brasil vai entrar em campo. Nós vamos torcer.

Mas talvez nunca mais daquela mesma forma. Afinal, algumas coisas não acabam. Apenas mudam de lugar dentro da memória. E, para muitos brasileiros, a Copa do Mundo parece ter deixado de ser uma paixão absoluta para se tornar apenas mais uma companhia no calendário. Enquanto isso, por aqui, o som da sanfona segue vencendo a disputa pela atenção do povo.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.