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Vacina contra herpes-zóster pode entrar no SUS para maiores de 50 anos

PL aprovado no Senado prevê imunização gratuita também para maiores de 18 anos imunossuprimidos; proposta segue para a Câmara dos Deputados A vacina contra o herpes-zóster poderá entrar gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ...
REDAÇÃO ELISEU, da Agência NE9
3 de setembro de 2026 - às 08:51
Atualizado 3 de setembro de 2026 - às 08:51
4 min de leitura

PL aprovado no Senado prevê imunização gratuita também para maiores de 18 anos imunossuprimidos; proposta segue para a Câmara dos Deputados

A vacina contra o herpes-zóster poderá entrar gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para pessoas com mais de 50 anos. A medida está prevista no Projeto de Lei 4.426/2025, aprovado nesta terça-feira (1º) pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado. A proposta também prevê a vacinação para maiores de 18 anos com imunossupressão ou outras condições clínicas que comprometam o sistema imunológico.

O texto, de autoria da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), recebeu parecer favorável da própria parlamentar. Agora, segue para a Câmara dos Deputados, caso não haja recurso de senadores para análise pelo Plenário do Senado. Segundo Damares, a inclusão da vacina no SUS ampliaria o acesso à prevenção da doença.

Quanto custa hoje na rede privada

A vacina recombinante contra o herpes-zóster (Shingrix) já possui registro sanitário no Brasil e é indicada para adultos a partir dos 50 anos e para pessoas imunocomprometidas.

Na rede particular, o preço varia de R$ 700 a R$ 950 por dose, dependendo da farmácia ou clínica. O esquema completo exige duas doses, geralmente aplicadas com intervalo de dois a seis meses — o que leva o custo total a ficar entre R$ 1.400 e R$ 1.900 no pacote completo.

O que é o herpes-zóster

O herpes-zóster é causado pelo vírus varicela-zóster, o mesmo responsável pela catapora. Após a primeira infecção, o vírus permanece no organismo e pode ficar inativo durante anos. Em algumas pessoas, ele volta a se manifestar, principalmente quando há redução da resposta imunológica.

A doença costuma provocar lesões na pele, acompanhadas de dor, ardência e coceira. Também podem ocorrer febre e dor nos nervos. Em alguns casos, a dor pode persistir mesmo depois do desaparecimento das lesões.

Pessoas com doenças crônicas, câncer, histórico de transplante ou outras condições que comprometam o sistema imunológico podem apresentar maior risco de desenvolver a doença.

Estudo brasileiro traz evidência inédita

Um estudo brasileiro de grande porte, conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), traz uma evidência inédita: a vacina recombinante contra herpes-zóster é segura e não aumenta o risco de agravamento da doença em pacientes com doenças reumáticas autoimunes (DRAI). Os resultados foram publicados na revista científica The Lancet Rheumatology e abrangem inclusive pacientes com doença ativa ou em uso de terapias imunossupressoras.

Liderada pela professora Eloisa Bonfá, titular de Reumatologia do Departamento de Clínica Médica da FMUSP, a pesquisa é a maior do mundo a avaliar, de forma sistemática, a segurança e a imunogenicidade da vacina nessa população. O estudo acompanhou 1.192 pacientes com nove diagnósticos diferentes — como lúpus e artrite reumatoide.

Os dados revelam que o imunizante não causou o agravamento (flare) das doenças pré-existentes. A taxa de piora nos pacientes vacinados foi de 14%, valor estatisticamente equivalente aos 15% observados no grupo que recebeu apenas placebo. Além disso, cerca de 90% dos pacientes desenvolveram resposta de anticorpos adequada após as duas doses.

“Este estudo preenche uma lacuna importante de evidência científica e oferece maior segurança para médicos e pacientes. Demonstramos que a vacina pode ser administrada com segurança em uma população altamente vulnerável, inclusive em pacientes jovens, com doença ativa e em uso de imunossupressores”, afirma a professora Eloisa Bonfá.

Um achado de destaque é que os pacientes reumáticos relataram menos eventos adversos — como dor no local da aplicação e febre — do que o grupo de controle formado por pessoas saudáveis. O estudo também identificou que medicamentos específicos, como o rituximabe e o micofenolato de mofetila, podem reduzir a resposta imune, o que reforça a importância de estratégias de vacinação personalizadas.

Segundo a pesquisadora, os resultados reforçam recomendações internacionais recentes e têm potencial para impactar diretrizes clínicas e políticas públicas de imunização, ampliando o acesso à vacina para pacientes com doenças autoimunes no Brasil e em outros países.