Após relatos de maior presença dos animais, administração busca soluções dentro do equilíbrio ambiental
Fernando de Noronha vive um momento de atenção em relação à presença de tubarões em suas águas. O aumento dos avistamentos, os impactos para a pesca artesanal e os recentes incidentes com banhistas levaram o Conselho Distrital de Fernando de Noronha a convocar uma reunião, marcada para 4 de agosto, que reunirá pesquisadores, órgãos ambientais, pescadores e representantes do setor turístico para discutir soluções para a ilha.
A princípio, o objetivo é avaliar medidas de monitoramento, protocolos de segurança e até possíveis formas de manejo dos animais. Dessa forma, sempre respeitando a legislação ambiental e a importância ecológica dos tubarões.

Por que há mais tubarões em Fernando de Noronha?
Antes de mais nada, Fernando de Noronha sempre foi um dos principais berçários naturais de tubarões do Brasil. Ao mesmo tempo, a preservação ambiental, a abundância de alimento e as áreas protegidas fazem do arquipélago um habitat ideal para diversas espécies.
No entanto, moradores e pescadores relatam um aumento da presença de tubarões em áreas rasas e próximas às regiões frequentadas por turistas.
De acordo com o presidente do Conselho Distrital, Milton Luna, pescadores também enfrentam dificuldades porque os animais passaram a atacar peixes fisgados antes mesmo de serem embarcados.
Onde os tubarões aparecem com mais frequência na Ilha?

Em suma, os registros recentes concentram-se principalmente em alguns pontos conhecidos da ilha.
| Local | Situação |
|---|---|
| Baía do Sueste | Área com histórico de incidentes e banho proibido |
| Porto de Santo Antônio | Local de mergulho onde ocorreu o caso mais recente |
| Praia do Porto | Avistamentos frequentes durante atividades de snorkel |
| Áreas de costões e regiões de pesca | Presença constante de tubarões em busca de alimento |
Portanto, pesquisadores destacam que esses locais fazem parte do ambiente natural das espécies e concentram grande biodiversidade marinha.
Quais foram os últimos incidentes?
Nos últimos anos, Fernando de Noronha registrou alguns casos que aumentaram o debate sobre segurança.
Janeiro de 2026
A advogada Tayane Dalazen foi mordida na perna por um tubarão-lixa enquanto fazia mergulho com snorkel próximo ao Porto de Santo Antônio. O ferimento foi considerado superficial, e ela recebeu atendimento médico sem risco de morte.
2022
Uma menina de 8 anos sofreu um grave incidente na Baía do Sueste, perdeu uma das pernas e o caso levou ao reforço das restrições de acesso ao mar naquela praia.
2015
Também na Baía do Sueste, o turista Márcio de Castro foi atacado por um tubarão-tigre e teve um braço amputado.
Por que a Baía do Sueste continua fechada?
A Baía do Sueste permanece com restrições para banho justamente por causa do histórico de incidentes.
Segundo o Conselho Distrital, a situação será um dos principais temas da reunião de agosto, já que o fechamento também afeta o turismo local e gera discussões sobre alternativas para visitantes e operadores turísticos.
Cuidados para quem visita Noronha
Especialistas e operadores de mergulho recomendam algumas medidas básicas para reduzir riscos durante atividades no mar.
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Entre as principais orientações estão:
- respeitar áreas interditadas;
- nunca entrar sozinho no mar;
- seguir as orientações dos guias credenciados;
- evitar mergulhos ao amanhecer e no fim da tarde, quando há maior atividade de algumas espécies;
- não alimentar peixes ou tubarões;
- manter distância dos animais;
- evitar nadar em locais com atividade intensa de pesca;
- sair da água caso haja orientação das equipes de monitoramento.
É importante lembrar que os tubarões fazem parte do ecossistema de Fernando de Noronha e desempenham papel fundamental no equilíbrio ambiental.
O desafio para a administração da ilha
O crescimento dos avistamentos colocou a administração de Fernando de Noronha diante de um desafio complexo: conciliar conservação ambiental, segurança dos visitantes, turismo e atividade pesqueira.
Por isso, a reunião do Conselho Distrital reunirá representantes do ICMBio, da Administração de Noronha, da Associação de Pescadores, do Conselho de Turismo, do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) e do Ministério Público de Pernambuco (MPPE).
Entre os temas previstos estão:
- ampliação do monitoramento dos tubarões;
- protocolos de segurança para turistas;
- impactos na pesca artesanal;
- futuro da Baía do Sueste;
- possíveis estratégias de manejo da fauna marinha.
Portanto, a expectativa é que o encontro ajude a definir ações que preservem uma das maiores riquezas naturais do arquipélago sem comprometer a segurança de moradores e visitantes.


