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Quadrilhas Juninas mantêm viva uma das maiores tradições do Nordeste

De Campina Grande a Aracaju, concursos e festivais reúnem milhares de pessoas no São João Quando as luzes dos arraiais se acendem e o som da sanfona toma conta das praças, começa uma das manifestações ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
10 de junho de 2026 - às 06:52
Atualizado 10 de junho de 2026 - às 06:52
5 min de leitura
quadrilha junina em apresentação
Lumiar é a vicecampeã do Festival de Quadrilhas Juninas Foto Pedro Melo Divulgação

De Campina Grande a Aracaju, concursos e festivais reúnem milhares de pessoas no São João

Quando as luzes dos arraiais se acendem e o som da sanfona toma conta das praças, começa uma das manifestações culturais mais importantes do Nordeste: as quadrilhas juninas. Muito além de uma simples dança típica, elas se transformaram em verdadeiros espetáculos que mobilizam milhares de pessoas, movimentam a economia regional e ajudam a preservar tradições centenárias.

Todos os anos, dezenas de concursos estaduais e regionais atraem quadrilhas de diferentes municípios, que passam meses preparando figurinos, coreografias, cenários e enredos. Em muitos casos, os grupos funcionam como verdadeiras escolas de arte popular, envolvendo crianças, jovens e adultos em atividades culturais durante todo o ano.

Hoje, o Nordeste concentra alguns dos maiores festivais juninos do Brasil, transformando as quadrilhas em protagonistas dos festejos de São João.

Uma tradição que atravessa gerações

As quadrilhas chegaram ao Brasil durante o período imperial, inspiradas em danças de salão francesas. Com o passar do tempo, foram incorporando elementos da cultura popular nordestina até se transformarem em uma expressão própria da região.

O resultado é uma mistura única de dança, teatro, música, cenografia e identidade cultural.

Atualmente, muitas apresentações contam histórias ligadas ao sertão, à religiosidade popular, ao folclore, à agricultura familiar e aos desafios da vida nordestina.

Nordeste concentra os maiores concursos do país

A profissionalização das quadrilhas fez surgir grandes competições que hoje atraem milhares de espectadores e movimentam cidades inteiras.

Os concursos se tornaram uma das atrações mais aguardadas dos festejos juninos e oferecem premiações que ajudam a financiar os grupos durante o restante do ano.

Principais polos de quadrilhas juninas do Nordeste

EstadoEventoCidade
ParaíbaFestival de Quadrilhas da ParaíbaCampina Grande
PernambucoFestival de Quadrilhas Juninas da Globo NordesteRecife
CearáCeará JuninoDiversas cidades
Rio Grande do NorteFestival de Quadrilhas Juninas da Inter TVMossoró
SergipeConcurso de Quadrilhas do GonzagãoAracaju
BahiaCampeonato Baiano de Quadrilhas JuninasSalvador e interior
MaranhãoArraial do Ipem e festivais estaduaisSão Luís
PiauíCidade Junina e Festival EstadualTeresina
AlagoasConcurso Estadual de Quadrilhas JuninasMaceió

Campina Grande e Caruaru também são capitais das quadrilhas

Embora sejam conhecidas pelos grandes shows musicais, Campina Grande (PB) e Caruaru (PE) também se destacam pelas disputas entre quadrilhas.

Em Campina Grande, os concursos fazem parte da programação oficial d’O Maior São João do Mundo e atraem grupos de todo o estado.

Já em Pernambuco, as apresentações ganham grande repercussão através do Festival de Quadrilhas da Globo Nordeste, considerado um dos mais tradicionais do país.

Ceará se tornou uma potência do movimento junino

O Ceará é hoje um dos estados mais fortes quando o assunto é quadrilha junina.

O projeto Ceará Junino reúne dezenas de festivais regionais que funcionam como etapas classificatórias para o concurso estadual.

Algumas quadrilhas cearenses já conquistaram títulos nacionais e são reconhecidas pela qualidade dos figurinos, cenários e produções artísticas.

Em muitas cidades, os grupos movimentam centenas de pessoas durante todo o ano.

O impacto econômico das quadrilhas

Muito além da cultura, as quadrilhas representam uma importante cadeia econômica.

A preparação de um grupo competitivo pode envolver investimentos que ultrapassam centenas de milhares de reais.

Setores beneficiados

SegmentoImpacto
CostureirasProdução de figurinos
ArtesãosCenários e adereços
MúsicosTrilhas e apresentações
CoreógrafosMontagem dos espetáculos
MaquiadoresProdução dos brincantes
TransporteDeslocamento das equipes
TurismoHospedagem e alimentação
Comércio localVenda de produtos juninos

Em muitos municípios, os festivais atraem visitantes de outras cidades e ajudam a movimentar hotéis, restaurantes e pequenos negócios.

Um espetáculo cada vez mais profissional

As quadrilhas modernas evoluíram muito além do tradicional casamento matuto. Hoje, os grupos apresentam verdadeiros espetáculos temáticos, com efeitos especiais, iluminação profissional, cenografia elaborada e enredos que podem abordar desde lendas nordestinas até temas sociais e ambientais.

Algumas apresentações reúnem mais de 100 integrantes entre dançarinos, atores, músicos e equipe técnica.

Os maiores campeonatos do Nordeste

Destaques do calendário junino

EventoEstado
Festival de Quadrilhas da Globo NordestePernambuco
Ceará JuninoCeará
Festival Paraibano de QuadrilhasParaíba
Concurso do GonzagãoSergipe
Festival Mossoró Cidade JuninaRio Grande do Norte
Campeonato Baiano de QuadrilhasBahia
Festival Estadual de Quadrilhas do MaranhãoMaranhão

ESTREIA DA QUADRILHA JUNINA LUMIAR: “A CASAMENTEIRA” 2026

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Patrimônio cultural do Nordeste

Especialistas em cultura popular apontam que as quadrilhas são uma das manifestações culturais mais importantes da região.

Além de preservar tradições, elas funcionam como ferramenta de inclusão social, formação artística e fortalecimento da identidade nordestina.

Em muitos bairros e comunidades, os grupos juninos ajudam a afastar jovens da vulnerabilidade social, oferecendo atividades culturais e oportunidades de desenvolvimento.

O coração do São João continua batendo

Mesmo com o crescimento dos grandes shows e da indústria do entretenimento junino, as quadrilhas seguem ocupando um lugar especial no coração do Nordeste.

Elas representam a essência dos festejos de São João, mantendo viva uma tradição que atravessa gerações e continua encantando milhões de pessoas todos os anos.

Quando a marcação começa, o casal entra no salão e a sanfona toca os primeiros acordes, não é apenas uma dança que se apresenta. É a própria história cultural do Nordeste ganhando vida diante do público.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.