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Por que Flávio Bolsonaro quer se livrar da sombra do pai e pra isso mira o Nordeste?

Você já parou para pensar em como a política pode mudar de uma eleição para outra? Pois é, o cenário para 2026 está cada vez mais interessante. E um dos movimentos mais comentados dos últimos ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
23 de março de 2026 - às 09:15
Atualizado 23 de março de 2026 - às 09:15
5 min de leitura
Flavio e Bolsonaro foto Carolina Antunes PR
Flávio tem a missão de substituir o ex-presidente Jair Bolsonaro. Foto Carolina Antunes PR

Você já parou para pensar em como a política pode mudar de uma eleição para outra? Pois é, o cenário para 2026 está cada vez mais interessante. E um dos movimentos mais comentados dos últimos dias é a virada de chave que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está tentando dar na sua pré-campanha à Presidência.

Sabe aquele ditado “filho de peixe, peixinho é”? Pois Flávio parece estar tentando nadar contra essa maré. Ele começou sua agenda de pré-campanha justamente no Nordeste, uma região que sempre foi um calcanhar de aquiles para a família Bolsonaro. E não é por acaso. Vamos entender o que está por trás dessa estratégia e por que o senador quer, aos poucos, deixar o sobrenome de lado.

A estratégia do “abrace o inimigo”

A grande sacada da campanha de Flávio, segundo aliados próximos, é mostrar um lado mais moderado. Enquanto o pai, Jair Bolsonaro, construiu uma carreira na política falando em “fuzilar a esquerda” e tratando adversários como inimigos, o filho mais velho quer virar a página.

Os estrategistas são claros: para vencer a eleição, Flávio precisa se posicionar como um nome de centro-direita, não mais na extrema direita. Isso significa defender a economia liberal, sim, mas também mostrar abertura para diálogo com quem pensa diferente. Programas sociais, valores conservadores e, principalmente, a capacidade de conversar com adversários políticos são os pilares dessa nova imagem que tentam construir.

A ideia é que Flávio, na verdade, sempre foi um político moderado e a fama de radical seria uma “herança maldita” por ter vivido à sombra do pai. O problema? Essa herança não é fácil de deixar de lado.

Nordeste: a mina de votos que o pai não explorou

A primeira parada dessa nova fase foi em Natal, no Rio Grande do Norte. E olha, a escolha não foi à toa. O Nordeste sempre foi um território hostil ao bolsonarismo, com forte apoio ao presidente Lula. Mas Flávio enxerga na região uma oportunidade de ouro.

Lá, ele participou de eventos para estruturar palanques estaduais, lançar candidaturas e, principalmente, mostrar serviço. O discurso foi duro contra o crime organizado, defendendo penas mais severas e criticando o que chama de “política de desencarceramento” do governo federal. Também bateu na tecla da redução de impostos e do apoio aos empreendedores.

E não é só no Nordeste que a estratégia acontece. O giro político inclui também o Sul do país, onde o bolsonarismo já tem mais força. A ideia é simples: ampliar a presença onde é fraco e consolidar o apoio onde já é forte.

Mas afinal, por que querer se livrar do sobrenome?

A resposta está nas pesquisas. Flávio já aparece empatado tecnicamente com Lula em simulações de segundo turno. Esse salto não veio exatamente por méritos próprios, mas pelo prestígio eleitoral do pai, que está transferindo votos para o filho.

O problema é que esse mesmo sobrenome que ajuda também atrapalha. A rejeição ao nome Bolsonaro ainda é alta em muitos setores da sociedade. Por isso, a estratégia agora é fazer um movimento de descolamento gradual. Não é romper com o pai, mas sim mostrar que Flávio tem um estilo próprio, mais diálogo, menos radicalismo.

A ideia é que, nas urnas, o eleitor enxergue Flávio como uma opção de direita mais palatável, capaz de conversar com o centro político e até com parte da centro-esquerda.

AspectoJair Bolsonaro (pai)Flávio Bolsonaro (filho)
Posicionamento políticoExtrema-direita, radicalCentro-direita, moderado
Relação com adversáriosTratados como inimigos; discurso de confrontoAbertura para diálogo; busca reduzir polarização
Foco eleitoralSul e Sudeste como bases fortesInvestimento no Nordeste para ampliar capilaridade
Perfil públicoAssociado ao sobrenome como marca principalBusca descolamento gradual para ser visto como “Flávio”
Discurso econômicoNacionalista, crítico ao “mercado”Aproximação com mercado financeiro e liberais
Tom políticoBeligerante, ataques constantesModerado, com ênfase em diálogo institucional

E o que vem por aí?

A agenda de Flávio segue intensa. Depois do Nordeste, ele vai a Santa Catarina e Rio Grande do Sul reforçar alianças. O grande momento, porém, será no dia 30 de março, em São Paulo, num evento que promete reunir parlamentares, empresários e até representantes do mercado financeiro.

Aliás, esse é outro ponto importante: a aproximação com o setor econômico. Flávio quer mostrar que tem um plano de governo sólido e que pode ser um nome de confiança para investidores. Antes do evento público, ele já deve ter encontros reservados com gestores e empresários para apresentar suas ideias.

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O que fica dessa história?

A verdade é que Flávio Bolsonaro está tentando fazer um malabarismo político bem complicado. Ele precisa do apoio do pai e da base mais radical para ter força na campanha, mas ao mesmo tempo quer conquistar eleitores que rejeitam o bolsonarismo mais raiz.

Se vai dar certo, só o tempo dirá. Mas uma coisa é certa: a eleição de 2026 promete ser uma das mais disputadas dos últimos anos, e o candidato que conseguir conversar com diferentes públicos vai levar vantagem. Flávio aposta todas as fichas que pode ser esse nome. O Nordeste será um termômetro importante para medir se a estratégia está funcionando.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.