Uma cena rara e delicada mobilizou equipes ambientais no litoral da Paraíba na última semana. Uma filhote recém-nascida de peixe-boi-marinho foi encontrada sozinha e encalhada na região da Barra do Rio Mamanguape, no litoral norte paraibano.
A filhote foi avistada por moradores da região na semana passada, que acionaram rapidamente equipes de proteção ambiental e especialistas em mamíferos aquáticos. O atendimento emergencial foi realizado por profissionais da Área de Proteção Ambiental da Barra do Rio Mamanguape, ligada ao ICMBio, em parceria com o Projeto Viva o Peixe-Boi-Marinho.O animal ainda apresentava resquícios do cordão umbilical, indicando que havia nascido há pouquíssimo tempo.
Após o primeiro atendimento, o animal foi encaminhado para o Centro de Reabilitação do Centro Mamíferos Aquáticos, em Pernambuco, onde segue recebendo cuidados intensivos, alimentação artificial e acompanhamento veterinário em tempo integral.
Especialistas afirmam que ainda é cedo para prever quando poderá ocorrer a reintrodução da filhote à natureza, mas as primeiras avaliações indicam quadro estável e boas perspectivas de recuperação.
Nordeste concentra maior presença do peixe-boi-marinho no Brasil
O caso voltou a chamar atenção para uma das espécies mais ameaçadas do litoral brasileiro. O peixe-boi-marinho é considerado atualmente o mamífero aquático com maior risco de extinção no país e possui forte presença justamente no litoral nordestino, especialmente em áreas de manguezais, estuários e águas mais calmas.
A região Nordeste concentra praticamente toda a população brasileira da espécie.
Principais áreas de circulação do peixe-boi-marinho no Nordeste
| Estado | Regiões com maior presença |
|---|---|
| Maranhão | Delta do Parnaíba e litoral ocidental |
| Piauí | Delta do Parnaíba |
| Ceará | Icapuí e litoral leste |
| Rio Grande do Norte | Galinhos, Macau e litoral norte |
| Paraíba | Barra do Rio Mamanguape |
| Pernambuco | Itamaracá e litoral norte |
| Alagoas | APA Costa dos Corais |
| Sergipe | Manguezais e estuários costeiros |
| Bahia | Litoral norte e Baía de Camamu |
A Barra do Rio Mamanguape, onde a filhote foi encontrada, é considerada uma das áreas mais importantes do Brasil para preservação da espécie.
A região abriga uma das principais bases nacionais de monitoramento e reabilitação de peixes-bois-marinhos.
Perda de habitat preocupa especialistas
Segundo pesquisadores envolvidos no resgate, ainda não é possível saber exatamente o que causou a separação entre mãe e filhote.
Mas especialistas explicam que muitos casos semelhantes estão ligados à degradação ambiental dos habitats naturais da espécie.
Manguezais destruídos, assoreamento de rios, ocupação irregular do litoral e alterações nos estuários acabam dificultando que as fêmeas encontrem áreas seguras para parto e proteção dos filhotes. Como os recém-nascidos possuem pouca resistência às correntes e às ondas, acabam ficando extremamente vulneráveis quando se afastam das mães.
O avanço urbano desordenado em áreas costeiras do Nordeste também é apontado como uma das maiores ameaças atuais à sobrevivência do peixe-boi-marinho.

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O que fazer ao encontrar um peixe-boi?
Especialistas alertam que o contato humano inadequado pode colocar ainda mais em risco a sobrevivência do animal.
Cuidados importantes
- Não tocar no animal;
- Não tentar empurrar para o mar;
- Não oferecer alimento;
- Não jogar água;
- Não fazer barulho excessivo;
- Manter distância;
- Acionar imediatamente órgãos ambientais.
No Nordeste, os principais acionamentos costumam ser feitos para:
- ICMBio;
- Corpo de Bombeiros;
- Projeto Viva o Peixe-Boi;
- ou órgãos ambientais estaduais.
Símbolo ambiental do litoral nordestino
Além da importância ecológica, o peixe-boi-marinho virou símbolo da preservação ambiental no Nordeste.
Portanto, em estados como Paraíba, Pernambuco e Alagoas, a espécie também se tornou importante para o turismo ecológico e projetos de educação ambiental.
O resgate da pequena filhote na Paraíba acaba servindo como lembrete de um desafio cada vez mais urgente:
preservar os ecossistemas costeiros nordestinos que garantem a sobrevivência de uma das espécies mais ameaçadas do Brasil.



