A corrida eleitoral para a Presidência da República continua quente. Uma nova pesquisa divulgada nesta quarta-feira (25) pelo instituto AtlasIntel, em parceria com a Bloomberg, trouxe números que mostram uma mudança importante no cenário político.
O levantamento indica que, embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda lidere nas duas regiões mais populosas do país — Sudeste e Nordeste —, sua vantagem diminuiu. Isso significa que a disputa ficou mais apertada e equilibrada.
Assim, vamos entender o que os números mostram e por que isso é relevante.
Cenário de segundo turno: pela primeira vez, virada simbólica
Um dos dados que mais chamaram atenção na pesquisa foi o cenário de segundo turno entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Pela primeira vez na série de levantamentos recentes, Flávio Bolsonaro apareceu numericamente à frente. Veja os números:
| Cenário | Flávio Bolsonaro (PL) | Lula (PT) |
|---|---|---|
| Segundo Turno | 47,6% | 46,6% |
A diferença de 1 ponto percentual está dentro da margem de erro da pesquisa, que é de um ponto para mais ou para menos. Isso significa que, tecnicamente, há um empate técnico. No entanto, a inversão em relação aos levantamentos anteriores tem um peso simbólico importante e mostra que a disputa está mais acirrada.
Nordeste: reduto de Lula ainda lidera, mas com menos folga
O Nordeste sempre foi considerado a principal base eleitoral do presidente. E continua sendo. No primeiro turno, Lula aparece com 57,3% das intenções de voto na região. É um número alto, que mostra força.
No entanto, o que preocupa a campanha do petista é que essa vantagem diminuiu em comparação com pesquisas passadas. Além disso, o adversário Flávio Bolsonaro cresceu no Nordeste, alcançando 34,2% das intenções de voto. Esse avanço encurta a distância entre os dois na região.
Sudeste: maior colégio eleitoral do país também vê vantagem encolher
O Sudeste é a região que concentra o maior número de eleitores do Brasil. Por isso, o desempenho dos candidatos por ali é decisivo.
De acordo com a pesquisa, Lula aparece à frente no Sudeste com 45,8%. Flávio Bolsonaro vem logo atrás, com 39,1%. A liderança do presidente se mantém, mas a diferença é menor do que a registrada em pesquisas anteriores, indicando que a competição por lá também ficou mais acirrada.
O equilíbrio da disputa mudou? Entenda o que os números indicam
A redução da vantagem de Lula no Nordeste e no Sudeste muda o equilíbrio da eleição por dois motivos principais:
- Menos margem de compensação: O Nordeste sempre foi uma “almofada” para Lula, uma região onde ele conseguia uma vantagem grande o suficiente para compensar eventuais desvantagens em outras partes do país. Com essa margem menor, fica mais difícil para ele equilibrar a disputa no total.
- Crescimento do adversário fora de seus redutos: Flávio Bolsonaro conseguiu ampliar sua presença em regiões que não são suas bases tradicionais, especialmente no Sudeste e no Nordeste.
Como estão as outras regiões?
Enquanto Lula mantém vantagem no Nordeste e no Sudeste, nas demais regiões do país o cenário é mais desafiador para o presidente. Veja os percentuais de Lula em cada uma:
| Região | Intenção de voto em Lula (1º turno) |
|---|---|
| Nordeste | 57,3% |
| Sudeste | 45,8% |
| Sul | 39,4% |
| Norte | 34,1% |
| Centro-Oeste | 31,4% |
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Os números mostram que o presidente tem mais dificuldade nas regiões Sul, Norte e Centro-Oeste, onde seus percentuais ficam abaixo dos 40%.
Sobre a pesquisa
O levantamento foi realizado pelo instituto AtlasIntel, uma das principais empresas de pesquisa do país, em parceria com a Bloomberg. Foram ouvidas 5.028 pessoas entre os dias 18 e 23 de março. A margem de erro é de um ponto percentual para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.



