Imagine essa cena. Partes do É o Tchan, Rolling Stones e Led Zeppelin juntos dividindo o mesmo palco em plena capital baiana. Pois bem, isso existiu nesta realidade e não é ficção.
A princípio, essa história surreal foi resgatada pelo executivo musical Alexandre Ktenas, um dos nomes mais icônicos da indústria fonográfica brasileira, durante uma entrevista ao programa Corredor 5. Afinal, o relato é tão bom que parece mentira, mas não é.
O Encontro do Rock com o Pagode Baiano
Antes de mais nada, tudo começa com uma passagem de Jimmy Page pelo Rio de Janeiro. O guitarrista do Led Zeppelin, conhecido por sua aura mística e seus riffs pesados, ficou fascinado com a alegria do povo brasileiro. Como Ktenas relembra: “Ele falava assim, brasileiro sabe se divertir, né? A frase que ele falava, brasileiro consegue se divertir com pouco.” Page se encantou com a molecada pulando de um trampolim natural numa praia carioca, uma visão que, para ele, resumia a essência do país.
Meses se passaram, e o destino (ou seria a energia da Bahia?) fez com que as histórias se cruzassem novamente. Ktenas, que foi a Salvador para ver o grupo 3060 (banda da qual fazia parte o lendário Compadre Washington, do É o Tchan!), no famoso bar Lagoamar.
“É o Jimmy Page!”
Era segunda-feira à noite. Ktenas descreve o clima: “Estava lá, vendo o show. Não era o É o Tchan, não tinha dançarinas. O Compadre Washington estava lá em cima do palco com sua serigueloska na mão e tal.” Enquanto curtia o show, ele olha para o fundo do bar e vê uma cabeleira inconfundível. “Cara, eu conheço aquela cabeleira ali”, pensou.
Era Jimmy Page. O deus do rock estava ali, na simplicidade de um bar em Salvador, assistindo ao show do Compadre Washington. Ao se aproximar, Page o reconheceu e o chamou: “Alex, que legal te ver, que bacana. Vem conhecer meu amigo aqui, meu brother, o Ron.”
Quando o amigo virou, Ktenas quase caiu para trás: Ron Wood, o guitarrista dos Rolling Stones, estava ali, ao lado de Page, com as duas namoradas. O que era uma noite qualquer em Salvador tinha se transformado num momento icônico que ia ficar ainda mais insano.
“Cinco minutos depois, estávamos no palco”
E o que aconteceu a seguir é digno de um filme. “Cinco minutos depois, estavam nós em cima do palco, todo mundo dançando com o Compadre Washington”, conta Ktenas. A imagem é digna de um quadro: Jimmy Page e Ron Wood, que já tocaram para multidões de milhões, sacudindo o esqueleto no ritmo do pagode, comandados pelo carisma do icônico baiano.
E a maior ironia de todas? Não há um único registro fotográfico disso. Naquela época, celular com câmera não era uma realidade, e a magia do momento ficou apenas na memória dos sortudos que estavam ali. “Não tem um registro disso, cara. Não tem”, lamenta Ktenas, rindo da situação.
A Viagem que mudou a vida de Page
Mas a história não termina no palco. O encontro rendeu um convite: Jimmy Page, que já havia se encantado com o Brasil, chamou Ktenas para passar uns dias em Lençóis, no interior da Bahia.
“Cara, eu e o Jimmy ando morando aqui no interior da Bahia, num lugar chamado Lençóis. Você vai pra lá com a gente amanhã.” E foram. Uma viagem de cinco horas de carro até a charmosa cidade chapadeira.

Lá, Ktenas descobriu que Page tinha uma escola de música e morou anos na região. E o mais emocionante: Page revelou que toda aquela experiência de vida no Brasil só foi possível por causa de uma ideia que teve anos antes, numa tarde deitado numa espreguiçadeira no Rio. “Ah, eu volto e venho até algum livro sobre essas histórias dele no Brasil”, brincou Ktenas. Desse modo, ele deixa claro que esse é apenas o começo de uma história muito maior.
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Resumo da Ópera: O encontro de gigantes
Para facilitar a visualização dessa bizarrice maravilhosa, separei os principais elementos dessa história em uma tabela:
| Elemento | Detalhes |
|---|---|
| O Local | Bar Lago Amar, em Salvador (BA) |
| A Atração Principal | Show da banda 3060, com Compadre Washington no vocal |
| Os Visitantes Ilustres | Jimmy Page (Led Zeppelin) e Ron Wood (Rolling Stones) |
| O Narrador | Alexandre Ktenas (Executivo musical e ícone da indústria) |
| O Ponto de Virada | Ktenas reconhece a “cabeleira” do Jimmy Page no fundo do bar |
| O Resultado | Page, Wood, Ktenas e Washington dançando pagode juntos no palco |
| A Curiosidade Máxima | Não existe nenhuma foto ou vídeo desse momento histórico |
| O Desfecho | Convite para passar uns dias com Jimmy Page em Lençóis (BA) |
Em suma, essa história, contada em primeira mão por Alexandre Ktenas é a prova viva de que o Brasil tem um poder magnético. Não importa se você é um deus do rock que tocou em estádios lotados ou um artista do pagode baiano; quando a música brasileira começa a tocar, todo mundo quer fazer parte da festa.
O encontro de Jimmy Page, Ron Wood e Compadre Washington é mais do que uma anedota; é um símbolo da nossa capacidade de quebrar barreiras e unir culturas através da alegria e do ritmo.


