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Recife celebra Dia Nacional do Frevo: ritmo identidade cultural da cidade

Entenda por que o frevo é tão importante para Recife e como o ritmo nascido nas ruas da cidade virou Patrimônio Cultural da Humanidade.
Eliseu Lins, da Agência NE9
11 de setembro de 2026 - às 07:49
Atualizado 11 de setembro de 2026 - às 07:49
3 min de leitura

Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, manifestação nasceu nas ruas do Recife e segue como uma das principais marcas culturais da cidade

Recife celebra neste fim de semana uma das manifestações que melhor representam sua identidade cultural. O Dia Nacional do Frevo, comemorado em 14 de setembro, ganha uma programação especial no Paço do Frevo, no Bairro do Recife, mas a data também serve para lembrar a importância de um ritmo que ultrapassou os limites do Carnaval e se tornou símbolo da capital pernambucana.

O frevo nasceu no final do século XIX, nas ruas de Recife e Olinda, a partir das manifestações populares do Carnaval. Música, dança e poesia se encontraram nos cortejos, enquanto diferentes influências, como a capoeira e as bandas musicais, ajudaram a formar a expressão que conhecemos hoje.

Mais que uma dança, uma identidade

Arrastão do Frevp em Recife foto Hugo Muniz

O frevo ocupa um lugar particular na cultura recifense porque nasceu da própria ocupação das ruas pela população.

Sua música apresenta diferentes vertentes, como frevo de rua, frevo de bloco e frevo-canção, enquanto a dança utiliza movimentos rápidos e acrobáticos que se tornaram uma das imagens mais conhecidas do Carnaval de Pernambuco.

Por isso, o frevo não funciona apenas como trilha sonora da folia. Ele reúne música, dança, memória, criação artística e participação popular e ajuda a preservar uma parte importante da história social e cultural do Recife.

O Iphan reconheceu o frevo como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil e, em 2012, a Unesco incluiu a manifestação na lista do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Recife mantém o frevo vivo

O reconhecimento internacional não transformou o frevo em uma peça de museu. Pelo contrário, a cidade mantém ações de formação, apresentações e iniciativas voltadas à transmissão dos conhecimentos para novas gerações.

O Paço do Frevo, instalado no Bairro do Recife, concentra parte importante desse trabalho. O equipamento atua na preservação, pesquisa, formação e divulgação da manifestação.

Em 2026, por exemplo, projetos educacionais da Prefeitura também levam música e dança para escolas municipais, aproximando crianças e jovens da história do frevo.

Essa transmissão é fundamental porque o frevo depende não apenas de registros históricos, mas também de mestres, músicos, passistas, agremiações e novos praticantes que mantêm a tradição em movimento.

Uma expressão que leva Recife para o mundo

A força do frevo também ultrapassa Pernambuco. O ritmo se transformou em uma das principais referências internacionais da cultura brasileira e reforça a imagem do Recife como destino de turismo cultural.

Neste fim de semana, o Paço do Frevo realiza quatro dias de atividades, entre 11 e 14 de setembro, incluindo feira, oficinas, apresentações e um Arrastão do Frevo pelo Bairro do Recife. No dia 14, o museu terá visitação gratuita.

A programação celebra uma data. Mas o frevo representa algo maior: a capacidade do Recife de transformar sua história, suas ruas e sua cultura popular em uma identidade reconhecida muito além do Carnaval.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.