Início » Política » Mortalidade infantil no Ceará recua quase 20%

Política

Mortalidade infantil no Ceará recua quase 20%

Os dados indicam que os maiores avanços ocorreram na mortalidade neonatal precoce e na pós-neonatal, reforçando a importância da atenção qualificada no pré-natal, parto e acompanhamento da criança após o nascimento.
Eliseu Lins, da Agência NE9
7 de janeiro de 2026 - às 06:59
Atualizado 7 de janeiro de 2026 - às 06:59
4 min de leitura
A redução representa o fortalecimento das políticas públicas voltadas ao cuidado materno-infantil no Ceará foto divulgação
A redução representa o fortalecimento das políticas públicas voltadas ao cuidado materno-infantil no Ceará foto divulgação

O Ceará vem registrando avanços significativos na redução da mortalidade infantil, resultado de um conjunto de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da Atenção Primária à Saúde.

Entre as principais iniciativas está o projeto De Braços Abertos, lançado em 2024 pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), com foco na organização, qualificação e ampliação do acesso aos serviços de saúde, especialmente na linha de cuidado materno-infantil.

A princípio, segundo a Sesa, o projeto tem atuação estratégica ao promover o cuidado integral desde o pré-natal até os primeiros meses de vida da criança, impactando diretamente na redução de óbitos considerados evitáveis.

Projeto fortalece pré-natal e cuidado materno-infantil

O De Braços Abertos é estruturado em três eixos principais:

  • Educação permanente dos profissionais de saúde;
  • Planificação da atenção à saúde;
  • Articulação regional da Atenção Primária.

De acordo com Sheila Santiago, orientadora da Célula de Atenção Primária e Promoção da Saúde da Sesa, o fortalecimento do pré-natal é um dos pontos-chave da estratégia.

“Ao fortalecer o pré-natal na Atenção Primária, conseguimos melhorar a detecção precoce dos riscos gestacionais, qualificar o cuidado ao parto e ao recém-nascido e, consequentemente, reduzir os óbitos infantis evitáveis”, explica.

Entenda como a mortalidade infantil é classificada

A Sesa esclarece que a mortalidade infantil é dividida em três componentes, de acordo com a idade da criança no momento do óbito:

ComponenteFaixa etária
Neonatal precoce0 a 6 dias de vida
Neonatal tardia7 a 27 dias de vida
Pós-neonatal28 a 364 dias de vida

Essa classificação permite uma análise mais detalhada das causas e orienta a formulação de políticas públicas específicas para cada fase.

Evolução das taxas de mortalidade infantil no Ceará

A análise de dados dos últimos 14 anos, entre 2011 e 2024, mostra uma tendência de redução em dois dos três componentes da mortalidade infantil no estado.

Indicadores de mortalidade infantil (2011–2024)

Tipo de mortalidadeTaxa média (óbitos por mil nascidos vivos)DestaquesRedução no período
Neonatal precoce6,6Redução de 19,4% em 2024 em relação a 2011−19,4%
Neonatal tardia2,0Taxa estável; menor índice em 2021 (1,7)Estável
Pós-neonatal3,7Máxima de 4,3 em 2011 e mínima de 3,3 em 2020 e 2023−16,2%

Os dados indicam que os maiores avanços ocorreram na mortalidade neonatal precoce e na pós-neonatal, reforçando a importância da atenção qualificada no pré-natal, parto e acompanhamento da criança após o nascimento.

Diferenças regionais na taxa de mortalidade infantil

A Sesa também destaca variações regionais no número de óbitos e na Taxa de Mortalidade Infantil (TMI) por mil nascidos vivos no ano de 2024.

Região de SaúdeTMI em 2024
SR Cariri9,8
SR Litoral Leste12,5

Enquanto o Cariri apresentou a menor taxa do estado, o Litoral Leste registrou o índice mais elevado, o que reforça a necessidade de ações regionais específicas e fortalecimento da articulação entre os serviços de saúde.

LEIA TAMBÉM

Meta do Ceará é reduzir ainda mais até 2027

Em suma, uma das metas estabelecidas no Plano Estadual de Saúde é alcançar, até 2027, uma taxa de 9,5 óbitos por mil nascidos vivos no Ceará. Para a Sesa, a continuidade e ampliação de projetos como o De Braços Abertos são fundamentais para atingir esse objetivo.

Portanto, com foco na prevenção, no cuidado integral e na qualificação da Atenção Primária, o estado busca consolidar uma rede de saúde mais eficiente, capaz de reduzir desigualdades regionais e garantir melhores condições de vida para mães e crianças cearenses.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.