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Política

Lula embarca para Índia

A aproximação diplomática entre Brasil e Índia, reforçada com a agenda do presidente Lula ao país asiático, reacende um debate estratégico para a economia brasileira: o potencial de ampliação das trocas comerciais e como regiões ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
18 de fevereiro de 2026 - às 07:00
Atualizado 18 de fevereiro de 2026 - às 07:00
5 min de leitura

A aproximação diplomática entre Brasil e Índia, reforçada com a agenda do presidente Lula ao país asiático, reacende um debate estratégico para a economia brasileira: o potencial de ampliação das trocas comerciais e como regiões específicas, como o Nordeste, podem se beneficiar diretamente desse movimento.

A Índia é hoje uma das maiores economias emergentes do mundo e figura entre os principais parceiros comerciais do Brasil, abrindo espaço para novas oportunidades de importação e cooperação industrial.

A princípio, Lula viaja à Índia acompanhado de uma comitiva de ministros, representes de instituições públicos e por uma missão de empresários brasileiros.

Antes de embarcar, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse em sua rede social, que serão priorizados acordos no setor farmacêutico para atrair investimentos, acesso a novos medicamentos e pesquisa pelo Brasil para garantir o acesso à população brasileira a medicamentos e à tecnologia da Saúde.

“Nossa missão na Índia, essa potência farmacêutica, terá três grandes focos: trazer cada vez mais produtos e tecnologias para o Brasil, vamos assinar várias parcerias [na área], conhecer a medicina tradicional indiana e visitar os hospitais inteligentes”, adiantou ministro da Saúde.

O que a Índia mais importa no cenário global?

Foto Marcelo Camargo
Foto Marcelo Camargo

A economia indiana é altamente dependente de insumos externos para sustentar seu crescimento industrial e tecnológico. Entre os principais produtos importados pelo país estão:

  • Petróleo e derivados – essenciais para abastecer o vasto parque industrial e o setor de transportes.
  • Ouro e metais preciosos – utilizados tanto em reservas financeiras quanto na indústria joalheira, forte na cultura local.
  • Equipamentos eletrônicos e semicondutores – fundamentais para o setor de tecnologia e telecomunicações.
  • Produtos químicos e fertilizantes – base para a agricultura em larga escala.
  • Máquinas industriais e equipamentos de engenharia – voltados à modernização de infraestrutura.
  • Produtos farmacêuticos e insumos de saúde – apesar de ser potência na produção de medicamentos, o país ainda importa matérias-primas específicas e tecnologias médicas.

Esse perfil mostra que a Índia busca fornecedores capazes de garantir escala, preço competitivo e estabilidade logística — pontos em que o Brasil pode se posicionar com vantagem, especialmente em commodities e produtos industriais intermediários.

Onde o Nordeste entra nessa equação

O Nordeste brasileiro reúne características estratégicas que podem transformá-lo em protagonista nas relações comerciais com o mercado indiano. A região possui localização geográfica favorável para rotas marítimas, polos industriais em expansão e forte produção de matérias-primas.

Entre os setores que podem se beneficiar estão:

1 – Energia e combustíveis

Estados nordestinos vêm ampliando a produção de energias renováveis, como eólica e solar, além de derivados de petróleo. A Índia, grande importadora de energia, representa um mercado potencial tanto para tecnologia quanto para insumos energéticos.

2- Indústria química e fertilizantes

O agronegócio indiano demanda fertilizantes em grande escala. O Nordeste abriga complexos portuários e industriais capazes de atuar como centros de distribuição e processamento desses produtos.

3 – Minérios e metais

A presença de reservas minerais em estados como Bahia e Ceará cria oportunidades para exportação de insumos utilizados em tecnologia e construção civil, segmentos fortemente dependentes de importações indianas.

4 – Saúde e farmacêutico

Com a Índia sendo referência mundial em medicamentos genéricos e biotecnologia, o Nordeste pode atrair parcerias industriais, centros de pesquisa e instalação de fábricas, reduzindo custos logísticos e fortalecendo cadeias produtivas locais.

Portos e logística como diferencial

O litoral extenso e a modernização de portos nordestinos ampliam a competitividade da região. A proximidade relativa com rotas internacionais reduz tempo de transporte e custos operacionais, fator decisivo em negociações de grande volume comercial. Além disso, zonas de processamento de exportação e incentivos fiscais regionais tornam o ambiente ainda mais atrativo para investidores estrangeiros.

Cooperação tecnológica e inovação

A visita presidencial e os encontros bilaterais com o primeiro-ministro Narendra Modi também colocam em pauta áreas como inteligência artificial, transição energética e tecnologias digitais. Assin, para o Nordeste, isso pode significar instalação de hubs tecnológicos, intercâmbio acadêmico e atração de startups indianas interessadas em expandir operações na América Latina.

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Perspectiva econômica

Com a Índia figurando entre os maiores parceiros comerciais do Brasil, a tendência é de ampliação das correntes de comércio e investimentos cruzados. Portanto, para o Nordeste, o cenário aponta para geração de empregos, fortalecimento da indústria local e diversificação de mercados consumidores.

Afinal, o avanço das relações Brasil–Índia pode ser uma ponte estratégica entre a produção nacional e a demanda asiática, consolidando um novo eixo de crescimento econômico baseado em logística eficiente, inovação e cooperação industrial.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.