Início » Política » Lula defende construção conjunta de projeto para acabar com a escala 6×1

Política

Lula defende construção conjunta de projeto para acabar com a escala 6×1

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs, na noite desta terça-feira (3), que o projeto de lei que prevê o fim da chamada escala de trabalho 6×1 seja discutido e construído de forma colaborativa ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
4 de março de 2026 - às 13:19
Atualizado 4 de março de 2026 - às 13:19
5 min de leitura

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs, na noite desta terça-feira (3), que o projeto de lei que prevê o fim da chamada escala de trabalho 6×1 seja discutido e construído de forma colaborativa entre trabalhadores, empregadores e o governo. A declaração ocorreu durante a abertura da Segunda Conferência do Trabalho, realizada em São Paulo. De acordo com ele, o objetivo é chegar a um texto equilibrado antes de sua tramitação no Congresso Nacional.

A proposta — considerada uma das principais pautas trabalhistas no horizonte político deste ano legislativo — está em debate tanto no Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal.

A princíío, o governo já incluiu o fim da escala 6×1 como prioridade da agenda legislativa de 2026, ao lado da regulação do trabalho por aplicativos e de projetos de segurança pública.

comercio varejo
A escala 6×1 atinge todo o comércio. Foto: Agência Brasil

O que está em tramitação no Congresso

📌 Designação de relator na Câmara
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados nomeou o deputado Paulo Azi (União-BA) como relator da PEC que trata da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1. A proposta fica apensada à PEC 8/2025, que prevê a redução da jornada para 36 horas semanais ao longo de dez anos e a eliminação gradual do modelo 6×1.

📌 Urgência constitucional
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, afirmou que o governo pretende enviar um projeto com pedido de urgência constitucional, o que obriga a tramitação e votação da proposta em até 45 dias em cada Casa do Congresso.

📌 Debates e audiências públicas
Em 2025, a subcomissão especial da Câmara que analisa a escala 6×1 já definiu um plano de trabalho para realizar audiências públicas e ouvir empregadores, trabalhadores e especialistas, como base para o relatório final.

O que a PEC e os projetos correlatos propõem

Atualmente, a legislação brasileira prevê jornada máxima de 44 horas semanais e a possibilidade de trabalho por seis dias com um de descanso (escala 6×1). As propostas em análise no Congresso preveem diferentes modelos:

Modelo propostoCaracterísticas principais
PEC 8/2025Fim da escala 6×1 e redução progressiva para 36h semanais (4 dias de trabalho e 3 de descanso)
Projeto com urgência constitucionalTexto similar ao da PEC, com prioridade de votação e prazo de 45 dias em cada Casa
Relatório em subcomissão da CâmaraRedução gradual da jornada de 44h para 40h semanais (sem eliminar a escala 6×1)

As propostas ainda precisam passar por análise de admissibilidade, parecer da CCJ, votação em comissão especial e, somente depois, em plenário da Câmara e do Senado.

Posicionamento do governo e movimento social

O presidente Lula declarou que é melhor construir um acordo entre trabalhadores, empregadores e governo antes de submeter a proposta ao Congresso, para evitar conflitos jurídicos e garantir maior legitimidade à mudança legislativa.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, também participou de debates sobre o tema na Câmara, defendendo que a revisão da jornada seja feita de forma responsável e com base em evidências, considerando impactos na vida familiar e na saúde dos trabalhadores.

Ao mesmo tempo, mobilizações de trabalhadores, sindicatos e movimentos sociais já ocorreram em diferentes regiões do país. Em suma, o objetivo é pressionar pela tramitação do projeto que extingue o modelo 6×1 e promove a redução de jornada.

Próximos passos na tramitação

  1. Análise de admissibilidade na CCJ da Câmara — Conferir se a PEC ou projeto preenche requisitos constitucionais.
  2. Debate em comissão especial — Audiências públicas e ajustes técnicos.
  3. Votação em plenário da Câmara dos Deputados — Maioria simples (projeto de lei) ou dois terços (PEC constitucional).
  4. Análise no Senado Federal — Se aprovada na Câmara, segue para avaliação no Senado.

O calendário legislativo e a prioridade dada ao tema pelo governo federal sinalizam que a pauta deve ganhar ritmo de tramitação já nas próximas semanas.

LEIA TAMBÉM

Impacto esperado

Se aprovada, a mudança representaria uma das transformações mais significativas nas relações de trabalho no Brasil nas últimas décadas, considerando aspectos como:

  • Melhor equilíbrio entre trabalho e vida pessoal;
  • Redução de desgaste físico e psicológico;
  • Potenciais impactos econômicos e negociações com setor privado;
  • Modernização das regras trabalhistas alinhada a práticas internacionais.

Portanto, o debate continua em 2026, com sociedade civil, empregadores e governo sendo chamados a participar da construção do texto antes de sua apreciação final no Parlamento.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.