Imagine só: você mora no bairro da Pedra Furada, em Salvador, estuda em escola pública e, de repente, recebe a notícia de que vai passar um tempo na China, com tudo pago, para estudar ciência e tecnologia. Parece sonho, né? Mas é a realidade da estudante Alessandra Cardim, de apenas 16 anos.
Alessandra foi uma dos 10 estudantes brasileiros selecionados para o AFS Global STEM Academies 2026, um programa internacional que oferece bolsas integrais para jovens de 15 a 17 anos e meio. Ao todo, mais de 7 mil jovens brasileiros se inscreveram. No mundo todo, apenas 142 foram escolhidos. E ela está nessa lista!
O que é esse programa de intercâmbio?
O AFS Global STEM Academies é focado em sustentabilidade e nas áreas de STEM — que é uma sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. O programa funciona assim:
- 12 semanas de aprendizado virtual com uma universidade norte-americana
- 4 semanas de imersão presencial em outro país (China, Egito ou Índia)
Alessandra foi selecionada para ir à China. Todas as despesas — passagem, hospedagem, alimentação e estudos — são pagas pela AFS Global. No final, ela recebe um certificado avançado emitido pela AFS e pela Universidade da Pensilvânia, uma das mais conceituadas dos Estados Unidos.
Como ela conseguiu essa oportunidade?
A história de Alessandra é daquelas que inspiram. Ela é aluna do 3º ano da Escola SESI Reitor Miguel Calmon, no bairro do Retiro, em Salvador. Desse modo, entrou na escola como bolsista em 2024 e, desde o começo, correu atrás de oportunidades.
Ao mesmo tempo, na escola ela participa de várias atividades extracurriculares:
- Clube de Relações Internacionais, onde os alunos simulam a ONU e debatem questões globais
- Iniciação Científica, onde desenvolveu um projeto sobre metais pesados em peixes e mariscos da baía de Todos os Santos
- Liga de Robótica, onde é líder da equipe Seven, tricampeã nacional na modalidade STEM Racing
Em suma, foi essa bagagem que fez a diferença na seleção. Alessandra escreveu redações em inglês contando sobre suas experiências, conseguiu cartas de recomendação (uma delas do técnico da robótica) e passou por uma entrevista também em inglês. Resultado: garantiu a vaga!
A conquista de Alessandra
Para ficar mais fácil de entender, veja na tabela os principais detalhes:
| Informação | Detalhe |
|---|---|
| Nome | Alessandra Cardim |
| Idade | 16 anos |
| Cidade | Salvador (BA) |
| Bairro | Pedra Furada |
| Escola | SESI Reitor Miguel Calmon |
| Programa | AFS Global STEM Academies 2026 |
| Foco do programa | Sustentabilidade, Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) |
| Duração | 12 semanas virtuais + 4 semanas presenciais |
| Destino | China |
| Benefícios | Bolsa integral (passagem, hospedagem, alimentação, estudos) |
| Número de inscritos no Brasil | Mais de 7 mil |
| Selecionados no Brasil | 10 |
| Selecionados no mundo | 142 |
| Certificado | AFS e Universidade da Pensilvânia (EUA) |
O que ela leva na bagagem?
Além do intercâmbio, Alessandra ainda tem outro compromisso importante esta semana: entre os dias 5 e 8 de março, ela está em São Paulo com sua equipe de robótica, a Seven, disputando a etapa nacional da STEM Racing. A equipe já é tricampeã brasileira e quer garantir vaga no mundial.
“Temos um legado muito forte e uma responsabilidade enorme. É um orgulho fazer parte dessa história”, diz a jovem, que é líder e gerente de Sustentabilidade da escuderia.
Inspiração em casa
Alessandra é filha única. O pai trabalha com segurança patrimonial e a mãe é recepcionista. Ela conta que sempre viu o esforço dos pais para lhe dar uma boa educação. Em 2018, a mãe decidiu cursar Biologia na faculdade, mesmo com todas as dificuldades financeiras.
“Foi uma época de muito sufoco, mas aquilo me inspirou”, lembra.
Quando recebeu a notícia do intercâmbio, a primeira coisa que viu foi o sorriso no rosto dos pais. “Ver os olhos deles brilhando fez tudo valer a pena.”
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E o futuro?
Alessandra nunca saiu do Brasil. Sempre morou no Bonfim, na Cidade Baixa de Salvador. Mas nunca deixou de sonhar alto:
“Entendi que minha família estar vinculada àquela realidade não era um fator que me limitava a buscar novos caminhos.”
Desse modo, ela segue agora para mais essa aventura. Dessa forma, prova que talento, esforço e apoio escolar podem levar qualquer jovem longe — muito longe. Neste caso, literalmente do outro lado do mundo.



