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Jovem baiana de 16 anos é selecionada para programa internacional

Imagine só: você mora no bairro da Pedra Furada, em Salvador, estuda em escola pública e, de repente, recebe a notícia de que vai passar um tempo na China, com tudo pago, para estudar ciência ...
Redação, da Agência NE9
5 de março de 2026 - às 09:05
Atualizado 5 de março de 2026 - às 09:05
4 min de leitura
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Imagine só: você mora no bairro da Pedra Furada, em Salvador, estuda em escola pública e, de repente, recebe a notícia de que vai passar um tempo na China, com tudo pago, para estudar ciência e tecnologia. Parece sonho, né? Mas é a realidade da estudante Alessandra Cardim, de apenas 16 anos.

Alessandra foi uma dos 10 estudantes brasileiros selecionados para o AFS Global STEM Academies 2026, um programa internacional que oferece bolsas integrais para jovens de 15 a 17 anos e meio. Ao todo, mais de 7 mil jovens brasileiros se inscreveram. No mundo todo, apenas 142 foram escolhidos. E ela está nessa lista!

O que é esse programa de intercâmbio?

O AFS Global STEM Academies é focado em sustentabilidade e nas áreas de STEM — que é uma sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. O programa funciona assim:

  • 12 semanas de aprendizado virtual com uma universidade norte-americana
  • 4 semanas de imersão presencial em outro país (China, Egito ou Índia)

Alessandra foi selecionada para ir à China. Todas as despesas — passagem, hospedagem, alimentação e estudos — são pagas pela AFS Global. No final, ela recebe um certificado avançado emitido pela AFS e pela Universidade da Pensilvânia, uma das mais conceituadas dos Estados Unidos.

Como ela conseguiu essa oportunidade?

A história de Alessandra é daquelas que inspiram. Ela é aluna do 3º ano da Escola SESI Reitor Miguel Calmon, no bairro do Retiro, em Salvador. Desse modo, entrou na escola como bolsista em 2024 e, desde o começo, correu atrás de oportunidades.

Ao mesmo tempo, na escola ela participa de várias atividades extracurriculares:

  • Clube de Relações Internacionais, onde os alunos simulam a ONU e debatem questões globais
  • Iniciação Científica, onde desenvolveu um projeto sobre metais pesados em peixes e mariscos da baía de Todos os Santos
  • Liga de Robótica, onde é líder da equipe Seven, tricampeã nacional na modalidade STEM Racing

Em suma, foi essa bagagem que fez a diferença na seleção. Alessandra escreveu redações em inglês contando sobre suas experiências, conseguiu cartas de recomendação (uma delas do técnico da robótica) e passou por uma entrevista também em inglês. Resultado: garantiu a vaga!

A conquista de Alessandra

Para ficar mais fácil de entender, veja na tabela os principais detalhes:

InformaçãoDetalhe
NomeAlessandra Cardim
Idade16 anos
CidadeSalvador (BA)
BairroPedra Furada
EscolaSESI Reitor Miguel Calmon
ProgramaAFS Global STEM Academies 2026
Foco do programaSustentabilidade, Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM)
Duração12 semanas virtuais + 4 semanas presenciais
DestinoChina
BenefíciosBolsa integral (passagem, hospedagem, alimentação, estudos)
Número de inscritos no BrasilMais de 7 mil
Selecionados no Brasil10
Selecionados no mundo142
CertificadoAFS e Universidade da Pensilvânia (EUA)

O que ela leva na bagagem?

Além do intercâmbio, Alessandra ainda tem outro compromisso importante esta semana: entre os dias 5 e 8 de março, ela está em São Paulo com sua equipe de robótica, a Seven, disputando a etapa nacional da STEM Racing. A equipe já é tricampeã brasileira e quer garantir vaga no mundial.

“Temos um legado muito forte e uma responsabilidade enorme. É um orgulho fazer parte dessa história”, diz a jovem, que é líder e gerente de Sustentabilidade da escuderia.

Inspiração em casa

Alessandra é filha única. O pai trabalha com segurança patrimonial e a mãe é recepcionista. Ela conta que sempre viu o esforço dos pais para lhe dar uma boa educação. Em 2018, a mãe decidiu cursar Biologia na faculdade, mesmo com todas as dificuldades financeiras.

“Foi uma época de muito sufoco, mas aquilo me inspirou”, lembra.

Quando recebeu a notícia do intercâmbio, a primeira coisa que viu foi o sorriso no rosto dos pais. “Ver os olhos deles brilhando fez tudo valer a pena.”

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E o futuro?

Alessandra nunca saiu do Brasil. Sempre morou no Bonfim, na Cidade Baixa de Salvador. Mas nunca deixou de sonhar alto:

“Entendi que minha família estar vinculada àquela realidade não era um fator que me limitava a buscar novos caminhos.”

Desse modo, ela segue agora para mais essa aventura. Dessa forma, prova que talento, esforço e apoio escolar podem levar qualquer jovem longe — muito longe. Neste caso, literalmente do outro lado do mundo.