A entrada em operação da nova usina da Inpasa em Luís Eduardo Magalhães marca um novo momento para o mercado de biocombustíveis no Nordeste.
Com início da produção na semana passada, a unidade amplia significativamente a oferta regional de etanol e pode reduzir a dependência histórica de importações e do abastecimento vindo do Centro-Sul.
Somada à planta localizada em Balsas, a capacidade produtiva da empresa na região ultrapassa 1,3 bilhão de litros por ano — volume suficiente para cobrir, com folga, o etanol que tradicionalmente era importado, inclusive dos Estados Unidos.

Nova oferta muda dinâmica do mercado
A princípío, unidade baiana tem capacidade para produzir 470 milhões de litros anuais, enquanto a planta maranhense alcança 950 milhões de litros. Assim, juntas, as operações colocam a Inpasa em posição estratégica no Nordeste.
Para efeito de comparação:
- O Brasil importou cerca de 320 milhões de litros de etanol em 2025
- Apenas 75 milhões de litros tiveram como destino o Nordeste
- O consumo regional total chegou a 4,5 bilhões de litros
Ou seja, mesmo sem cobrir toda a demanda, a nova produção já é suficiente para eliminar a necessidade de importação externa para a região.
A autorização para funcionamento da usina foi concedida pela ANP.
Impacto direto no preço e consumo
Historicamente, o Nordeste sempre enfrentou preços menos competitivos do etanol em relação à gasolina, principalmente por conta da logística — o combustível vinha de longe, elevando custos.
Com a produção mais próxima dos centros consumidores, a tendência é:
- Redução do custo logístico
- Maior competitividade nas bombas
- Aumento do consumo de etanol hidratado
A expectativa do setor é que estados como a Bahia passem a registrar crescimento no uso do biocombustível, aproximando-se do padrão do Centro-Sul, onde o etanol já é mais consolidado.
Matopiba impulsiona nova cadeia produtiva
A produção da nova usina será baseada principalmente em grãos cultivados na região do Matopiba — área que engloba partes de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
Além do milho e do sorgo, a empresa também aposta em fontes alternativas de energia e biomassa, como:
- Resíduos de eucalipto
- Braquiária
- Caroço de açaí vindo da região Norte
Esse modelo fortalece uma cadeia produtiva integrada, conectando agricultura, energia e indústria.
Nordeste ganha protagonismo no etanol
A expansão da Inpasa reforça uma tendência: o Nordeste começa a reduzir sua dependência externa e ganhar autonomia energética.
Até então, a região:
- Produzia cerca de 2,5 bilhões de litros (principalmente de cana-de-açúcar)
- Consumía 4,5 bilhões de litros
- Dependia do Centro-Sul e de importações
Com a nova capacidade instalada, esse cenário começa a mudar — inclusive com possível redução no envio de etanol por cabotagem vindo de outras regiões do país.

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Brasil avança no etanol de milho
Com a nova planta, a empresa afirma se consolidar como a segunda maior produtora de etanol do mundo, atrás apenas da norte-americana Poet.
O avanço do etanol de milho no Brasil representa uma diversificação importante em relação ao modelo tradicional baseado na cana-de-açúcar — e o Nordeste passa a ser peça-chave nessa transformação.
Resumo
| Item | Dados |
|---|---|
| 📍 Nova usina | Luís Eduardo Magalhães (BA) |
| 🏭 Capacidade total (NE) | 1,3 bilhão de litros/ano |
| ⛽ Consumo regional | 4,5 bilhões de litros |
| 🌽 Matéria-prima | Milho, sorgo e biomassa |
| 📑 Regulação | ANP |
| 🌎 Impacto | Redução de importações e estímulo ao consumo |
Portanto, com a chegada da Inpasa ao Matopiba e sua consolidação no Nordeste representam mais do que um investimento industrial: sinalizam uma mudança estrutural no mercado de combustíveis da região, com potencial para baratear preços, gerar empregos e fortalecer a autonomia energética nordestina.



