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Inpasa inicia produção na Bahia e deve tornar Nordeste autossuficiente em etanol

Historicamente, o Nordeste sempre enfrentou preços menos competitivos do etanol em relação à gasolina, principalmente por conta da logística — o combustível vinha de longe, elevando custos.
Eliseu Lins, da Agência NE9
1 de abril de 2026 - às 11:07
Atualizado 1 de abril de 2026 - às 11:07
4 min de leitura

A entrada em operação da nova usina da Inpasa em Luís Eduardo Magalhães marca um novo momento para o mercado de biocombustíveis no Nordeste.

Com início da produção na semana passada, a unidade amplia significativamente a oferta regional de etanol e pode reduzir a dependência histórica de importações e do abastecimento vindo do Centro-Sul.

Somada à planta localizada em Balsas, a capacidade produtiva da empresa na região ultrapassa 1,3 bilhão de litros por ano — volume suficiente para cobrir, com folga, o etanol que tradicionalmente era importado, inclusive dos Estados Unidos.

Sustentabilidade será desafio do hub da Embrapa no maior território agrícola do País  Foto Camila de Almeida
Sustentabilidade será desafio do hub da Embrapa no maior território agrícola do País Foto Camila de Almeida

Nova oferta muda dinâmica do mercado

A princípío, unidade baiana tem capacidade para produzir 470 milhões de litros anuais, enquanto a planta maranhense alcança 950 milhões de litros. Assim, juntas, as operações colocam a Inpasa em posição estratégica no Nordeste.

Para efeito de comparação:

  • O Brasil importou cerca de 320 milhões de litros de etanol em 2025
  • Apenas 75 milhões de litros tiveram como destino o Nordeste
  • O consumo regional total chegou a 4,5 bilhões de litros

Ou seja, mesmo sem cobrir toda a demanda, a nova produção já é suficiente para eliminar a necessidade de importação externa para a região.

A autorização para funcionamento da usina foi concedida pela ANP.

Impacto direto no preço e consumo

Historicamente, o Nordeste sempre enfrentou preços menos competitivos do etanol em relação à gasolina, principalmente por conta da logística — o combustível vinha de longe, elevando custos.

Com a produção mais próxima dos centros consumidores, a tendência é:

  • Redução do custo logístico
  • Maior competitividade nas bombas
  • Aumento do consumo de etanol hidratado

A expectativa do setor é que estados como a Bahia passem a registrar crescimento no uso do biocombustível, aproximando-se do padrão do Centro-Sul, onde o etanol já é mais consolidado.

Matopiba impulsiona nova cadeia produtiva

A produção da nova usina será baseada principalmente em grãos cultivados na região do Matopiba — área que engloba partes de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

Além do milho e do sorgo, a empresa também aposta em fontes alternativas de energia e biomassa, como:

  • Resíduos de eucalipto
  • Braquiária
  • Caroço de açaí vindo da região Norte

Esse modelo fortalece uma cadeia produtiva integrada, conectando agricultura, energia e indústria.

Nordeste ganha protagonismo no etanol

A expansão da Inpasa reforça uma tendência: o Nordeste começa a reduzir sua dependência externa e ganhar autonomia energética.

Até então, a região:

  • Produzia cerca de 2,5 bilhões de litros (principalmente de cana-de-açúcar)
  • Consumía 4,5 bilhões de litros
  • Dependia do Centro-Sul e de importações

Com a nova capacidade instalada, esse cenário começa a mudar — inclusive com possível redução no envio de etanol por cabotagem vindo de outras regiões do país.

Abastecimeno com Etanol
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Resumo

ItemDados
📍 Nova usinaLuís Eduardo Magalhães (BA)
🏭 Capacidade total (NE)1,3 bilhão de litros/ano
⛽ Consumo regional4,5 bilhões de litros
🌽 Matéria-primaMilho, sorgo e biomassa
📑 RegulaçãoANP
🌎 ImpactoRedução de importações e estímulo ao consumo

Portanto, com a chegada da Inpasa ao Matopiba e sua consolidação no Nordeste representam mais do que um investimento industrial: sinalizam uma mudança estrutural no mercado de combustíveis da região, com potencial para baratear preços, gerar empregos e fortalecer a autonomia energética nordestina.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.