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É penta ou hexa? Vitória reacende luta por reconhecimento de títulos regionais no Nordeste

A conquista da Copa do Nordeste de 2026 pelo Vitória foi comemorada nas arquibancadas, mas também reabriu uma velha e espinhosa discussão nos escritórios rubro-negros: afinal, o time baiano é pentacampeão ou hexacampeão regional? Se ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
8 de junho de 2026 - às 07:19
Atualizado 8 de junho de 2026 - às 07:19
4 min de leitura
Vitória campeão do Nordeste. Foto_ Jonny Pinho - Staff Images _ CBF
Vitória campeão do Nordeste. Foto_ Jonny Pinho - Staff Images _ CBF

A conquista da Copa do Nordeste de 2026 pelo Vitória foi comemorada nas arquibancadas, mas também reabriu uma velha e espinhosa discussão nos escritórios rubro-negros: afinal, o time baiano é pentacampeão ou hexacampeão regional?

Se você perguntar para a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), a resposta é cinco títulos. Se perguntar para a torcida do Leão, a resposta sobe para seis. E enquanto isso, no Recife, o Náutico aguarda no banco de reservas da história uma decisão que pode mudar completamente o ranking nordestino.

Vamos entender essa novela que mistura taças antigas, validação oficial e muito orgulho clubístico.

O imbróglio rubro-negro: 1976 conta ou não conta?

O cerne da questão está na edição de 1976. Na época, o Vitória venceu um torneio regional de grande porte com representantes de seis estados da região. O clube sempre tratou essa conquista como um título nordestino, exibindo-a em sua galeria. Porém, a CBF adota como “marco zero” oficial da Copa do Nordeste o ano de 1994.

Assim, no site da entidade, constam apenas os títulos conquistados pelo Vitória a partir de 1997:

  • 1997
  • 1999
  • 2003
  • 2010

Assim, com essa contabilidade “oficial”, o Leão chegaria a 2026 como tetracampeão. Ao vencer a edição de 2026, o clube se tornaria pentacampeão para a CBF.

Porém, o clube e sua imensa torcida não abrem mão da taça de 1976. Para a nação rubro-negra, o time já era tetra antes de 2026 (com 1976, 1997, 1999, 2003 e 2010). Logo, com o título de 2026, a conta fecha em seis títulos regionais.

Resumo da ópera: Para a CBF, o Vitória é PENTA em 2026. Para o clube, é HEXA.

O caso Náutico: um fantasma do passado que quer voltar a jogar

Se a situação do Vitória é uma “recontagem”, a do Náutico é um “pedido de revisão da vida inteira”.

Desde 2021, o Timbu tenta sensibilizar a CBF para reconhecer competições regionais realizadas antes de 1994. O clube pernambucano argumenta que, entre as décadas de 1950 e 1960, existiram torneios de caráter regional que tinham a mesma relevância da atual Copa do Nordeste.

Caso o pedido seja aceito, não só o Náutico, mas também ABC e Botafogo-PB (vencedores de edições da mesma época) seriam beneficiados. A mudança no critério reescreveria a história do futebol nordestino.

Quais títulos o Náutico reivindica?

O clube apresentou uma lista de competições que, segundo sua pesquisa histórica, equivalem a títulos nordestinos:

PeríodoCompetiçãoRelevância Histórica
1952Torneio dos Campeões do Norte-NordesteUm dos primeiros torneios a reunir os melhores do Norte e Nordeste.
1965Copa NorteCompetição regional de peso antes da unificação dos critérios.
1966Copa NorteSegunda edição consecutiva vencida pelo Timbu.
1966Torneio Pentagonal dos Campeões do Norte-NordesteTorneio complementar que reuniu campeões estaduais.
1967Copa NorteTerceiro título do clube na competição (tri da era 65/66/67).

O impacto: Se a CBF deferir o pedido, o Náutico deixará de ser um coadjuvante no ranking para saltar a cinco títulos nordestinos, igualando-se ou superando alguns dos maiores campeões da atualidade.

Troféu da Copa do Nordeste. Foto: Maurícia da Matta/CBF
Troféu da Copa do Nordeste. Foto: Maurícia da Matta/CBF

O que está em jogo?

A decisão da CBF sobre o recurso do Náutico pode criar um efeito dominó:

  1. Para o Vitória: O clube segue com dois números (5 ou 6) até que a entidade se posicione sobre o que fazer com títulos anteriores a 1994. Se a regra mudar a favor do Náutico, o Leão terá ainda mais força para incluir 1976 na conta.
  2. Para o Náutico: É a chance de resgatar uma era de ouro esquecida pelos calendários modernos. Sai de um status de “time do passado” para “gigante regional com 5 títulos”.
  3. Para o Nordeste: O reconhecimento oficial dessas taças valoriza a história do futebol da região, que muitas vezes foi ofuscado pelo eixo Sul-Sudeste nas primeiras décadas do futebol nacional.

Por enquanto, a torcida rubro-negra comemora o “hexa” subjetivo, enquanto a nação alvirrubra aguarda, documentos em mãos, uma decisão que pode, finalmente, coroar o Timbu como um dos maiores campeões do Nordeste. E a CBF? Essa continua com a caneta na mesa, segurando o placar histórico.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.