Inmet e NOAA apontam mais de 90% de chance de um dos eventos climáticos mais intensos das últimas décadas
A primavera no Hemisfério Sul começa oficialmente no dia 22 de setembro de 2026, às 21h05 (horário de Brasília), segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) . Em suma, a estação se estende até 21 de dezembro, quando tem início o verão.
Mas a chegada da primavera não traz apenas flores. Pelo contrário: o país se prepara para enfrentar um dos El Niños mais intensos já registrados, com impactos que devem variar drasticamente de região para região.
O que é o El Niño e por que ele preocupa agora?
Antes de mais nada, o El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial . Ele altera os padrões de circulação atmosférica, temperatura e precipitação em diversas partes do planeta — e no Brasil, seus efeitos são sentidos de forma desigual.
De acordo com o Centro de Previsão Climática da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA), há mais de 90% de probabilidade de o evento atingir a categoria “muito forte” durante a primavera e o verão de 2026–2027 . A probabilidade de ser o El Niño mais forte desde 1950 é de 75%.
Dessa forma, em agosto, as anomalias da temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial Leste já ultrapassavam 3°C . A expectativa é de que o fenômeno atinja seu pico entre outubro e dezembro de 2026, justamente no início do plantio da nova safra agrícola.

O que esperar em cada região do Brasil
Ao mesmo tempo, os efeitos do El Niño não são uniformes. Enquanto algumas regiões enfrentarão chuvas excessivas, outras sofrerão com estiagens prolongadas.
Norte e Nordeste: alerta para seca
Nas regiões Norte e Nordeste, o Inmet alerta que o fenômeno provoca chuvas abaixo da média, podendo levar à redução dos níveis dos rios e impactar a navegação, o acesso a comunidades ribeirinhas, a atividade pesqueira e o abastecimento de água.
Em suma, essa combinação de chuvas irregulares e temperaturas elevadas exige atenção redobrada para a agricultura de sequeiro, que depende diretamente da umidade do solo . Estados como Bahia, Piauí e Maranhão podem enfrentar veranicos prolongados que comprometem a germinação e o desenvolvimento das lavouras.
Impactos que vão além do clima
Portanto, o El Niño não afeta apenas o tempo. Seus efeitos se espalham pela economia, energia e abastecimento.
Energia
Afinal, o Brasil depende fortemente de geração hidrelétrica. Com a redução das chuvas em bacias estratégicas, os níveis dos reservatórios podem cair, pressionando o sistema elétrico e elevando o risco de bandeiras tarifárias mais caras.
Agricultura
Culturas de ciclo curto, como milho e soja, estão entre as mais vulneráveis . No Sul, o excesso de chuva pode causar encharcamento do solo e doenças fúngicas; no Norte e Nordeste, a falta de água reduz a absorção de nutrientes e limita o desenvolvimento das raízes.
Economia
Especialistas alertam que o fenômeno pode afetar a balança comercial brasileira, com redução no volume de exportações agrícolas e aumento nos preços de alimentos . A inflação de alimentos já é uma preocupação, e o El Niño pode agravar esse cenário.
O que você precisa saber
| Informação | Detalhe |
|---|---|
| Início da primavera | 22 de setembro de 2026, às 21h05 (horário de Brasília) |
| Término da primavera | 21 de dezembro de 2026 (início do verão) |
| Probabilidade de El Niño muito forte | Mais de 90% |
| Probabilidade de ser o mais forte desde 1950 | 75% |
| Pico previsto | Entre outubro e dezembro de 2026 |
| Regiões mais afetadas pela seca | Norte e Nordeste |
| Regiões mais afetadas pelas chuvas | Sul |
Em resumo, a primavera de 2026 será tudo, menos tranquila. Enquanto o Sul se prepara para enfrentar temporais e possíveis enchentes, o Norte e o Nordeste devem reforçar a atenção com a seca, o abastecimento de água e os impactos na agricultura. Desse modo, se você vive em uma dessas regiões, fique atento aos alertas dos órgãos de meteorologia e Defesa Civil.

