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Descubra como a primavera e o El Niño vão interferir no clima do Nordeste

Inmet e NOAA apontam mais de 90% de chance de um dos eventos climáticos mais intensos das últimas décadas A primavera no Hemisfério Sul começa oficialmente no dia 22 de setembro de 2026, às 21h05 ...
REDAÇÃO ELISEU, da Agência NE9
14 de setembro de 2026 - às 11:46
Atualizado 14 de setembro de 2026 - às 11:46
4 min de leitura

Inmet e NOAA apontam mais de 90% de chance de um dos eventos climáticos mais intensos das últimas décadas

A primavera no Hemisfério Sul começa oficialmente no dia 22 de setembro de 2026, às 21h05 (horário de Brasília), segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) . Em suma, a estação se estende até 21 de dezembro, quando tem início o verão.

Mas a chegada da primavera não traz apenas flores. Pelo contrário: o país se prepara para enfrentar um dos El Niños mais intensos já registrados, com impactos que devem variar drasticamente de região para região.

O que é o El Niño e por que ele preocupa agora?

Antes de mais nada, o El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial . Ele altera os padrões de circulação atmosférica, temperatura e precipitação em diversas partes do planeta — e no Brasil, seus efeitos são sentidos de forma desigual.

De acordo com o Centro de Previsão Climática da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA), há mais de 90% de probabilidade de o evento atingir a categoria “muito forte” durante a primavera e o verão de 2026–2027 . A probabilidade de ser o El Niño mais forte desde 1950 é de 75%.

Dessa forma, em agosto, as anomalias da temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial Leste já ultrapassavam 3°C . A expectativa é de que o fenômeno atinja seu pico entre outubro e dezembro de 2026, justamente no início do plantio da nova safra agrícola.

O El Niño traz mais chuvas para o Sul do país e seca para o Nordeste.

O que esperar em cada região do Brasil

Ao mesmo tempo, os efeitos do El Niño não são uniformes. Enquanto algumas regiões enfrentarão chuvas excessivas, outras sofrerão com estiagens prolongadas.

RegiãoPrevisão para a primavera
SulMaior tendência de chuvas volumosas e temporais frequentes
Sudeste e Centro-OesteRiscos de ondas de calor intenso e transição gradual para o período chuvoso
Norte e NordesteAumento da probabilidade de secas severas, irregularidade de chuvas e temperaturas mais elevadas

Norte e Nordeste: alerta para seca

Nas regiões Norte e Nordeste, o Inmet alerta que o fenômeno provoca chuvas abaixo da média, podendo levar à redução dos níveis dos rios e impactar a navegação, o acesso a comunidades ribeirinhas, a atividade pesqueira e o abastecimento de água.

Em suma, essa combinação de chuvas irregulares e temperaturas elevadas exige atenção redobrada para a agricultura de sequeiro, que depende diretamente da umidade do solo . Estados como Bahia, Piauí e Maranhão podem enfrentar veranicos prolongados que comprometem a germinação e o desenvolvimento das lavouras.

Impactos que vão além do clima

Portanto, o El Niño não afeta apenas o tempo. Seus efeitos se espalham pela economia, energia e abastecimento.

Energia

Afinal, o Brasil depende fortemente de geração hidrelétrica. Com a redução das chuvas em bacias estratégicas, os níveis dos reservatórios podem cair, pressionando o sistema elétrico e elevando o risco de bandeiras tarifárias mais caras.

Agricultura

Culturas de ciclo curto, como milho e soja, estão entre as mais vulneráveis . No Sul, o excesso de chuva pode causar encharcamento do solo e doenças fúngicas; no Norte e Nordeste, a falta de água reduz a absorção de nutrientes e limita o desenvolvimento das raízes.

Economia

Especialistas alertam que o fenômeno pode afetar a balança comercial brasileira, com redução no volume de exportações agrícolas e aumento nos preços de alimentos . A inflação de alimentos já é uma preocupação, e o El Niño pode agravar esse cenário.

O que você precisa saber

InformaçãoDetalhe
Início da primavera22 de setembro de 2026, às 21h05 (horário de Brasília)
Término da primavera21 de dezembro de 2026 (início do verão)
Probabilidade de El Niño muito forteMais de 90%
Probabilidade de ser o mais forte desde 195075%
Pico previstoEntre outubro e dezembro de 2026
Regiões mais afetadas pela secaNorte e Nordeste
Regiões mais afetadas pelas chuvasSul

Em resumo, a primavera de 2026 será tudo, menos tranquila. Enquanto o Sul se prepara para enfrentar temporais e possíveis enchentes, o Norte e o Nordeste devem reforçar a atenção com a seca, o abastecimento de água e os impactos na agricultura. Desse modo, se você vive em uma dessas regiões, fique atento aos alertas dos órgãos de meteorologia e Defesa Civil.