O surf brasileiro mostrou mais uma vez sua força — e longevidade — com a definição dos primeiros campeões do circuito Surf Brasil Master 2026, nas ondas da Praia dos Náufragos, em Aracaju (SE). Em disputas marcadas por experiência, estratégia e emoção, atletas acima dos 40 anos provaram que o alto rendimento no esporte não tem idade.
O destaque ficou para nomes consagrados e histórias inspiradoras que seguem escrevendo capítulos importantes no surf nacional, agora com o olhar voltado também para o Mundial Master da ISA 2027, onde representarão o Brasil.
Campeões que fizeram história
Entre os principais nomes, o paraibano Fábio Gouveia confirmou sua regularidade ao conquistar o bicampeonato consecutivo na categoria 50+, reforçando seu legado no esporte dos reis.
Já o Ceará dominou boa parte das finais. Edvan Silva levou o título na 40+ logo em sua estreia na categoria, enquanto Cardoso Junior brilhou na 60+, garantindo o título apenas na grande final — a mais dramática da competição.
Outros nomes de destaque do estado foram Felipe Martins e Itim Silva, que venceram etapas 40+ e ajudaram a consolidar a hegemonia cearense no evento



A essência do surf
Mais do que títulos, o Surf Brasil Master foi marcado por histórias de superação, paixão e conexão com o esporte.
Edvan Silva celebrou o título com emoção e surpresa:
““Eu só queria surfar onda por onda, sem pensar em título e tava até sem acreditar que já sou campeão. Quero agradecer minha família, meus pais, irmãos, a minha esposa, que falou para eu vir pra cá, que tinha potencial pra ser campeão brasileiro, porque tava surfando muito. Agradecer também meu aluno, Tércio, que comprou minha passagem e agradecer ao Elias Lamas das pranchas Rio Doce, que tá fazendo um excelente trabalho pra mim. Obrigado a todos e vamos pra próxima”.”
Fábio Gouveia destacou a consistência e a simplicidade da sua preparação:
“Eu vi que o Vitinho tinha perdido, mas eu não sabia de nada, não fiquei procurando saber essas coisas de título não”, contou Fábio Gouveia. “Eu tava na bateria também sem escutar nada. Sabia que tinha uma onda boa, mas não de qual nota precisava pra passar. Esperei pra pegar uma boa, ela veio nos segundos finais, então o negócio era para acontecer. Eu tenho surfado todo dia e meu esporte é o surf. Tem pessoas que vão pra academia, vão correr, mas meu esporte é o surf e eu surfo todo dia. Aqui eu só procurei ficar tranquilo, não quis nem saber de título para não ficar nervoso e, Graças a Deus, deu tudo certo”
Já Cardoso Junior mostrou o lado estratégico da competição:
“Eu só joguei o jogo. Apareceu a onda que eu queria, mas o Tady entrou na minha frente e, na verdade, eu não queria que ele entrasse na onda, porque achei que ela tinha potencial de aumentar meus pontos. Aí ele entrou e acabou ficando um pouco mais fácil pra mim”, disse Cardoso Junior. “Faz parte do jogo e o bonde cearense veio com força, conseguimos várias vitórias e foi bom demais. Estou felizão agora, com a possibilidade de ir para o Mundial Master da ISA mais uma vez, pois é um grande sonho representar o Brasil. E se for em El Salvador, é a minha onda preferida na América Central e me sinto em casa lá”
E Itim Silva reforçou o impacto coletivo da conquista e comemorou muito a vitória na terceira etapado circuito:
“Glória a Deus por esse título e parabéns a todos da organização, a Surf Brasil que faz esse circuito Master alucinante pra gente, com uma premiação muito top e estou muito feliz em levar mais um título pra Praia Leste-Oeste (Fortaleza)”, disse Itim Silva. “Estou muito feliz de levar um troféu lá pra escolinha da Leste, pra minha galera, minha molecada, meus alunos cadeirantes e todos fazem parte dessa vitória. Esse título é fruto de muito treino e quero exaltar o Amelio Junior (presidente da Federação Cearense), que faz um grande circuito pra gente há muitos anos. O Edvan ganhou uma etapa aqui, o Felipe ganhou, consegui ser campeão também e agora o foco é o Surf Brasil Pro em Porto de Galinhas.”
Itim Silva é um dos participantes do Surf Brasil Master que ainda competem no Circuito Brasileiro Profissional. Com a vitória sobre o catarinense atual campeão mundial Master, Diego Rosa, o cearense Isaias Silva e o potiguar José Junior, Itim Silva terminou como vice-campeão brasileiro. O ranking então ficou encabeçado por três cearenses que estão estreando na categoria Master 40+, o campeão Edvan Silva, ele e Felipe Martins. Os três competiram na primeira etapa do Surf Brasil Pro no Ceará em fevereiro e vão participar da segunda etapa do Campeonato Brasileiro Profissional também, entre os dias 9 e 17 de maio na Praia do Borete, em Porto de Galinhas, no município do Ipojuca, em Pernambuco.

Domínio nordestino e força regional
O campeonato também evidenciou a força do Nordeste no surf master. Ceará, Paraíba, Bahia e Sergipe protagonizaram as disputas, com destaque para os cearenses, que venceram 6 das 9 finais disputadas.
Além disso, nomes como o baiano Jerônimo Bomfim e o sergipano Tady também impediram uma hegemonia total, mostrando o equilíbrio e a competitividade entre os estados.
Novo formato aprovado pelos atletas
Um dos pontos mais elogiados foi o novo formato da competição, com três etapas realizadas em uma única viagem. Dessa maneira, a mudança reduziu custos e facilitou a participação de atletas sem grandes patrocinadores.
Com 125 surfistas de 12 estados, o evento também distribuiu R$ 150 mil em premiação, consolidando-se como um dos mais relevantes do calendário nacional da categoria.
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Muito além da idade
O Surf Brasil Master 2026 deixa uma mensagem clara: o surf não tem prazo de validade. Portanto, experiência, leitura de onda e paixão continuam sendo diferenciais decisivos — e esses “coroas” seguem mostrando que ainda têm muito a oferecer dentro e fora do mar.
Agora, o próximo desafio já está no horizonte: o Mundial Master de 2027, onde esses campeões terão a missão de levar o talento brasileiro para o cenário internacional mais uma vez.


