Você já ouviu falar em lobotomia? Foi um dos maiores erros da história da medicina. E uma nordestina corajosa foi uma das primeiras pessoas no mundo a levantar a voz contra esse procedimento bárbaro.
O nome dela é Nise da Silveira. Nasceu em Maceió (Alagoas) em 1915. Aos 16 anos, entrou na Faculdade de Medicina da Bahia. Adivinhe quantas mulheres havia na turma? Apenas ela. Uma única mulher entre 157 homens.
Ela não se intimidou. E, anos depois, protagonizaria uma das maiores reviravoltas da história da ciência.
O começo da seu carreira
Assim, em 1944, Nise começou a trabalhar em um hospital psiquiátrico no Rio de Janeiro. O que ela viu ali parecia coisa de outro século.
Ao mesmo tempo, os tratamentos para pacientes com problemas mentais eram assustadores:
| Procedimento | Como funcionava |
|---|---|
| Electrochoque | Choques elétricos aplicados no cérebro |
| Lobotomia | Cirurgia invasiva que cortava conexões do cérebro |
A princípio, a lobotomia era defendida por muitos médicos. Um deles, o Dr. Freeman, nos Estados Unidos, reportou em 1942 que 63% de 200 pacientes lobotomizados melhoravam.
Parecia um sucesso, não é? Mas Nise olhou para aqueles números e viu outra coisa completamente diferente.

O que Nise enxergou que os outros não viram
De acordo com os médicos da época, os pacientes que paravam de reclamar ou de dar trabalho estavam “curados”. Para Nise, eles estavam apenas silenciados.
Eles não estavam curados. Estavam calados. Não reclamavam mais. Não eram mais nada.
Ela se recusou a aplicar lobotomias. Por causa disso, foi humilhada pelos colegas. Foi jogada em um setor considerado “o lixo do hospital”: a terapia ocupacional.
Mas foi ali, no lugar que ninguém queria, que ela começou uma revolução.
A revolução: arte no lugar de cirurgia
Em 1946, Nise fundou um ateliê de pintura e escultura para pacientes esquizofrênicos. As regras eram simples: não havia regras. Cada um pintava o que quisesse, do jeito que quisesse, sem modelos, sem cobranças.
E aí algo surpreendente começou a acontecer.
Os pacientes, todos eles diagnosticados como incuráveis pela medicina da época, começaram a produzir padrões circulares idênticos às mandalas indianas – figuras geométricas perfeitas, repetidas, cheias de simbolismo.
O problema? Esses pacientes nunca tinham visto uma mandala na vida. Nunca tinham estudado arte oriental. E ainda assim, estavam produzindo aqueles símbolos todos os dias.
Era impossível. E estava acontecendo.
O reconhecimento internacional
Em 1954, Nise escreveu uma carta em francês para Carl Jung, o famoso psicólogo suíço. Assim, ela enviou fotografias das obras dos pacientes.
Jung respondeu confirmando: aquilo eram mandalas, símbolos universais da realização da psique. Estavam emergindo do inconsciente de pessoas que a medicina tradicional já tinha desistido de tratar.
Contudo, a ciência oficial havia ignorado. Desse modo, agora um dos maiores nomes da psicologia mundial dava razão à brasileira.
O Museu de Imagens do Inconsciente
Em 1952, Nise fundou o Museu de Imagens do Inconsciente, no Rio de Janeiro.
| Dados do museu | Números |
|---|---|
| Ano de fundação | 1952 |
| Obras no acervo | Cerca de 350 mil |
| Tombadas pelo IPHAN | 127 mil |
| Reconhecimento | Maior museu do mundo do gênero |
LEIA TAMBÉM:
- Avanço da cannabis medicinal no Ceará reúne Fiocruz, pacientes e pesquisadores
- Nordeste concentra boa parte dos R$ 130 bilhões em novos investimentos no setor elétrico
- Como a maior cidade do Nordeste se adapta à eletromobilidade
- Cangaço real: depoimentos raros gravados entre 1964 e 2007
Cada quadro, cada escultura, cada obra produzida pelos pacientes era uma prova viva: a doença mental não é irreversível.
Em resumo, Nise provou que não eram os doentes que eram incuráveis. Era o sistema que os trancava, os embotava com remédios e eletrochoques, e depois usava os próprios resultados para justificar mais trancamento.
Desse modo, o canal A Beleza dos Dados traz essa história incrível de como Nise da Silveira desbancou um estudo que venceu o prêmio Nobel. Confira abaixo:


