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Como a maior cidade do Nordeste se adapta à eletromobilidade

O futuro já chegou nas ruas na maior cidade do Nordeste. Os carros elétricos e híbridos não são mais uma novidade distante. Eles estão aí, cada vez mais comuns, e estão mudando não só a ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
11 de maio de 2026 - às 08:36
Atualizado 11 de maio de 2026 - às 08:36
4 min de leitura

O futuro já chegou nas ruas na maior cidade do Nordeste. Os carros elétricos e híbridos não são mais uma novidade distante. Eles estão aí, cada vez mais comuns, e estão mudando não só a forma como nos locomovemos, mas também a forma como moramos.

A princípio, o estado vem se consolidando como um dos principais mercados de eletromobilidade (veículos com motor elétrico) do Nordeste em 2026. Ao mesmo tempo, o problema é que os prédios, na maioria, não estavam preparados para essa revolução. Agora, eles correm para se adaptar.

Números impressionam: frota mais que triplicou

De acordo com dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), o crescimento foi gigantesco. Veja na tabela:

PeríodoCrescimentoFrota atual (fev/2026)
Fevereiro/2024 a Fevereiro/2026226,1%17.159 veículos

Para você ter uma ideia do tamanho desse salto, o crescimento da frota de veículos eletrificados foi 24 vezes superior ao crescimento da frota total de veículos no Ceará no mesmo período. Ou seja: enquanto os carros comuns crescem devagar, os elétricos estão disparando.

🔋 O que é veículo eletrificado? São os carros 100% elétricos (movidos apenas a bateria) e os híbridos (que combinam motor elétrico com motor a combustão).

Por que esse crescimento?

O avanço acompanha uma tendência nacional e ganhou força em 2025 por dois motivos principais:

MotivoExplicação
Maior oferta de modelosMontadoras como BYD e GWM trouxeram muitas opções para o Brasil
Preços mais acessíveisModelos como o BYD Dolphin Mini mostraram que carro elétrico não é só para ricos

O problema: condomínios não foram feitos para isso

Com tanta gente comprando carro elétrico, surgiu uma dor de cabeça nova: onde carregar o veículo?

Quem mora em casa tem mais facilidade (basta instalar um carregador na garagem). Mas quem mora em apartamento depende da estrutura do condomínio. E aí vem o problema: muitos prédios não foram projetados para suportar vários carregadores ligados ao mesmo tempo.

O que diz a lei em Fortaleza?

A cidade já tem uma lei sobre o assunto: a Lei Municipal nº 11.232/2023. Ela estabelece regras para a instalação de pontos de recarga em condomínios. 

E os custos?

A conta não é barata. Os custos vão muito além da compra do carregador. Veja na tabela:

ItemValor estimado
Carregador (o equipamento em si)Entre R$ 5 mil e R$ 15 mil
Modernização da rede elétrica do prédioValor variável (depende do projeto)
Ampliação de carga (obra na concessionária de energia)Valor variável (pode ser caro)
Sistemas de proteção (disjuntores, aterramento)Valor variável
Medição individualizada (para saber quem consumiu o quê)Valor variável

Dois modelos operacionais

Os condomínios também precisam decidir como vai funcionar na prática. Há dois modelos principais:

ModeloComo funcionaPrósContras
IndividualCada morador instala seu próprio carregador e arca com os custosQuem usa, paga; sem rateioPode sobrecarregar a rede se muitos ligarem ao mesmo tempo
ColetivoO condomínio instala estações compartilhadas e rateia os custos entre quem usaMaior controle sobre a demanda de energiaPrecisa de regras claras de uso e pagamento
Orla de Fortaleza. Foto: Setur-CE
Em dois anos a frota de carros elétricos cresceu quase 230% em Fortaleza. Foto: Setur-CE

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Oportunidades de negócio

Esse cenário todo abre portas para novas empresas. Engenheiros, técnicos, empresas de tecnologia e gestão condominial estão sendo chamados para ajudar na adaptação dos prédios.

Ou seja: quem tem conhecimento nessa área pode encontrar um bom mercado de trabalho no Ceará.

Por que isso é importante agora?

A eletromobilidade está em plena expansão no Ceará. E a capacidade de adaptação dos condomínios vai se tornar um diferencial competitivo no mercado imobiliário.

Daqui a alguns anos, prédios que não oferecem estrutura para carros elétricos podem perder valor de mercado. Quem se preparar agora sai na frente.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.