O oceano Pacífico Equatorial está fervendo. Literalmente. As temperaturas subsuperficiais da água estão impressionantes 6°C acima da média. Dessa forma, cria um reservatório de calor que promete alimentar um dos fenômenos climáticos mais temidos do planeta e que agora está sendo chamado de super El Niño.
Assim, depois de um período de neutralidade, o fenômeno está se consolidando e, de acordo com o mais recente alerta da Organização Meteorológica Mundial (OMM) – órgão da ONU –, há 80% de probabilidade de ele se instalar entre junho e agosto de 2026. E a notícia não é boa para o Nordeste brasileiro.
Assim, a pergunta que não quer calar: o que esperar daqui para frente?

O cenário para o Nordeste
Diferente de outras regiões do país, onde o El Niño pode significar mais chuvas (como no Sul), para o Nordeste o fenômeno é historicamente sinônimo de estiagem, calor extremo e prejuízos no campo.
O tipo que está se formando é o chamado “canônico” , associado a bloqueios atmosféricos. Na prática, isso significa que o fenômeno inibe a formação de nuvens de chuva sobre a região, favorecendo longos períodos de seca.
Ao mesmo tempo, a probabilidade de um Super El Niño (o mais intenso na escala) subiu de 25% em abril para 37% em maio.
O que diz a história?
Antes de mais nada, o histórico não mente. As maiores secas registradas no Nordeste Setentrional ocorreram justamente em anos de El Niño superforte.
| Ano do El Niño | Intensidade | Impacto no Nordeste |
|---|---|---|
| 1982-1983 | Superforte | Uma das piores secas do século XX, com colapso na agricultura e reservatórios. |
| 1997-1998 | Superforte | Maior estiagem na Zona da Mata pernambucana nos últimos 100 anos. |
| 2015-2016 | Superforte | Crise hídrica severa, racionamento e perda total de safras no semiárido. |
| 2023-2024 | Moderado a forte | Recordes de temperatura, mas chuvas normais devido ao Atlântico quente. |
A ressalva dos especialistas é importante: em 2023-2024, apesar do El Niño forte, as chuvas foram normais porque o Oceano Atlântico estava muito quente, o que criou um “contrapeso”. Isso mostra que outros fenômenos climáticos podem moderar os impactos.



