Início » Economia » Atividade econômica cresce em 2025 e Nordeste contribui de forma expressiva

Economia

Atividade econômica cresce em 2025 e Nordeste contribui de forma expressiva

Esses dados ajudam a compor uma fotografia mais ampla da economia brasileira, revelando tanto a continuidade do crescimento como sinais de desaceleração em relação a 2024
Eliseu Lins, da Agência NE9
19 de fevereiro de 2026 - às 12:36
Atualizado 19 de fevereiro de 2026 - às 12:36
4 min de leitura
maquina agricola em destaque
Maranhão lidera projeção de crescimento do PIB no Nordeste foto Divulgação

A atividade econômica brasileira registrou expansão em 2025, conforme dados divulgados nesta quinta-feira (19) pelo Banco Central (BC). A princípio, o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), subiu 2,5% no acumulado do ano, impulsionado principalmente pela agropecuária, que cresceu 13,1%, e pelo setor de serviços, com alta de 2,1%, segundo os dados oficiais.

Indicadores econômicos mostram ritmo positivo

No confronto entre os meses de dezembro de 2025 e dezembro de 2024, o IBC-Br apresentou aumento de 3,1%, apesar de recuar 0,2% frente a novembro do mesmo ano, na série ajustada sazonalmente. Assim, no trimestre móvel encerrado em dezembro, o índice avançou 0,4% ante os três meses anteriores, sugerindo recuperação de ritmo ao final do ano.

Esses dados ajudam a compor uma fotografia mais ampla da economia brasileira, revelando tanto a continuidade do crescimento como sinais de desaceleração em relação a 2024, quando o IBC-Br havia registrado expansão mais robusta.

Nordeste participa ativamente da recuperação econômica

Embora o IBC-Br seja divulgado em nível nacional, outros indicadores reforçam a participação relevante da região Nordeste no desempenho macroeconômico do país em 2025. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a região respondeu por 27,2% dos novos empregos formais criados no Brasil no ano passado, com 347.940 postos gerados entre janeiro e dezembro, o segundo melhor resultado entre as regiões.

Esse desempenho expressivo, aliado ao crescimento regional de setores como energia renovável, agropecuária e serviços — tema de estudos recentes sobre o potencial de crescimento do Nordeste — sugere que a região tem papel importante na dinâmica econômica nacional.

Impactos da atividade econômica sobre políticas públicas

O IBC-Br é amplamente utilizado como instrumento para orientar decisões de política monetária do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central. Com a economia operando em expansão, ainda que moderada, a autoridade monetária decidiu manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006, como forma de controlar pressões inflacionárias. A ata mais recente do Copom sinaliza início de redução dos juros a partir da reunião de março de 2026, embora sem detalhar a magnitude do corte.

Agropecuária e serviços continuam em destaque

O desempenho da agropecuária — com forte crescimento de dois dígitos — foi o principal fator responsável por sustentar a expansão da atividade econômica em 2025, indicando que o setor permanece resiliente mesmo diante de um cenário global mais desafiador. Os serviços, embora com crescimento mais moderado, também contribuíram positivamente para o resultado anual.

LEIA TAMBÉM

O que esperar em 2026

O resultado do IBC-Br antecede a divulgação oficial do PIB pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que está prevista para 3 de março de 2026. O crescimento de 2,5% em 2025 representa um ritmo de expansão inferior ao observado em anos anteriores, mas reflete a capacidade de recuperação da economia brasileira em meio a um contexto de juros elevados e volatilidade global.

Portanto, a participação expressiva do Nordeste na criação de empregos formais e o desempenho de setores estratégicos sugerem que a região deve seguir como um dos pilares da recuperação econômica nacional, com impacto não apenas regional, mas também no cenário macroeconômico do Brasil.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.