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Após crise, Americanas volta a mirar o Nordeste para sua nova fase no varejo

A nova estratégia ocorre após a empresa enfrentar, em 2023, um escândalo contábil bilionário que levou a companhia a um processo de recuperação judicial.
Eliseu Lins, da Agência NE9
12 de março de 2026 - às 07:59
Atualizado 12 de março de 2026 - às 07:59
4 min de leitura

Depois de atravessar uma das maiores crises corporativas da história recente do varejo brasileiro, a rede Americanas inicia uma nova etapa de reorganização e crescimento.

Na estratégia de retomada da empresa, o Nordeste volta a ganhar protagonismo, sendo apontado por executivos como uma das regiões com maior potencial de expansão no país.

A princípio, a companhia, que possui cerca de 1.400 lojas em operação no Brasil, aposta agora em um modelo de negócio mais focado na experiência física do consumidor, modernização das lojas e fortalecimento da relação com o público regional.

Lojas Americanas foto reprodução

Recuperação após crise contábil

A nova estratégia ocorre após a empresa enfrentar, em 2023, um escândalo contábil bilionário que levou a companhia a um processo de recuperação judicial. Desde então, a varejista passou por uma ampla reorganização financeira e operacional.

Segundo o CEO da empresa, Fernando Soares, o momento atual é de consolidar mudanças internas antes de iniciar um novo ciclo de crescimento.

De acordo com o executivo, a prioridade é garantir estabilidade na operação e aprimorar processos internos para fortalecer o posicionamento da marca no varejo nacional.

Nordeste volta ao centro da estratégia

Entre as regiões prioritárias para essa retomada está o Nordeste. Para a direção da empresa, o mercado nordestino apresenta crescimento consistente do consumo e forte identificação com a marca.

O vice-presidente comercial da Americanas, Osmair Luminatti, destaca que a relação da rede com os consumidores da região é histórica.

Segundo ele, o Nordeste sempre foi um território importante para a companhia, tanto em volume de vendas quanto em presença de marca.

Região sempre teve peso na história da empresa

A relação entre a rede e o Nordeste não é recente. Ao longo das últimas décadas, a expansão da Americanas pelo país teve forte presença em capitais nordestinas, onde as lojas se consolidaram como pontos populares de compras em centros comerciais e shoppings.

Cidades como Salvador, Recife, Fortaleza e João Pessoa receberam unidades da rede ainda durante as grandes ondas de expansão do varejo nacional, especialmente a partir dos anos 1990 e 2000.

Nesse período, as lojas da marca se tornaram referência em produtos populares, brinquedos, eletroportáteis e itens de conveniência, criando forte vínculo com o consumidor regional.

Nova experiência de loja

Em suma, na nova fase da companhia, a estratégia também inclui reformular o conceito das lojas físicas. Assim, conta com ambientes mais organizados, maior integração com o comércio digital e foco em melhorar a experiência de compra.

Executivos da empresa afirmam que o varejo físico continua sendo um pilar importante do negócio, principalmente em regiões onde o contato direto com o consumidor ainda tem grande relevância.

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Nordeste como motor da retomada

Com economia em crescimento e aumento gradual do consumo, o Nordeste passou a ser visto por grandes redes varejistas como um dos mercados mais promissores do país.

Afinal, para a Americanas, fortalecer a presença na região significa não apenas ampliar vendas, mas também reconectar a marca com um público que historicamente ajudou a consolidar sua presença no varejo brasileiro.

Portanto. a aposta no Nordeste, portanto, não representa apenas uma estratégia de expansão — mas também um retorno às bases de um mercado que sempre teve peso na trajetória da empresa.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.