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A digitalização dos esportes da mente no Nordeste

O Nordeste brasileiro vem construindo, nos últimos anos, uma cena sólida em torno dos chamados esportes da mente. Clubes de xadrez ganham espaço em capitais e cidades do interior, entidades regionais se organizam e torneios ...
REDAÇÃO ELISEU, da Agência NE9
23 de outubro de 2026 - às 10:05
Atualizado 23 de outubro de 2026 - às 10:05
5 min de leitura

O Nordeste brasileiro vem construindo, nos últimos anos, uma cena sólida em torno dos chamados esportes da mente. Clubes de xadrez ganham espaço em capitais e cidades do interior, entidades regionais se organizam e torneios locais atraem cada vez mais competidores. 

O pôquer segue um caminho parecido, com jogadores da região cada vez mais presentes em mesas e torneios organizados. É um movimento discreto, mas consistente, que acompanha uma tendência maior no país. 

Uma tradição que cresce fora dos grandes centros

No Piauí, clubes filiados à Federação Piauiense de Xadrez organizam torneios regulares, como o Aberto do Brasil de Xadrez em Parnaíba, seguindo regras certificadas pela Confederação Brasileira de Xadrez. A estrutura é modesta: um clube, uma federação estadual, um calendário fixo. Suficiente para manter viva uma comunidade de jogadores dedicados.

Em Pernambuco, equipes de Recife já representaram o estado em torneios internacionais de xadrez, disputando ao lado de clubes de Portugal e Espanha. O resultado coloca a região no mapa competitivo do xadrez nacional.

Como exemplo concreto temos a enxadrista do Rio Grande do Norte que chegou a disputar um mundial de xadrez na Polônia, enfrentando mestres internacionais logo em seu primeiro torneio fora do país. A história mostra que talento para esportes da mente não depende de estar em um grande centro urbano.

O pôquer segue um caminho parecido, embora mais recente. De fato, um dos eventos presenciais de pôquer mais destacados do país, já teve etapas em Natal, Fortaleza e Recife. Por sua vez, Salvador e a Costa do Sauípe, na Bahia, se tornaram a sede nordestina mais recorrente do circuito nos últimos anos.

A região também aporta jogadores muito valiosos a este esporte da mente. Madson Moura, o “Urea”, por exemplo, nascido no interior do Rio Grande do Norte, é hoje um dos rostos mais conhecidos do pôquer nacional depois de vencer o título máximo do campeonato brasileiro. Ariel Bahia, por sua vez, com múltiplos títulos em etapas nacionais, é considerado um dos maiores nomes baianos do jogo.

Mas também, boa parte do crescimento da modalidade acontece hoje em plataformas online, que aproximam jogadores do Nordeste de torneios e comunidades competitivas sem depender de eventos presenciais. O fenômeno do pôquer online tem várias décadas rolando e é cada vez mais acessível para jogadores de diferentes níveis.

Da mesa física às plataformas online

Todo esse crescimento tem um componente tecnológico relevante. Jogadores treinam e competem cada vez mais por meio de plataformas digitais, que aproximam clubes regionais de adversários em outros estados e países. Análises de partidas, rankings online e torneios remotos passaram a fazer parte da rotina de quem leva o jogo a sério.

O pôquer encontrou nas plataformas online uma forma natural de ampliar sua base de jogadores. A organização de mesas, torneios e rankings ficou mais acessível, com regras claras e formatos padronizados. Plataformas como a Ignition Poker Brasil ocupam esse espaço digital. Elas oferecem ambientes de jogo organizados para quem já compete ou está começando a se interessar pela modalidade, com opções que vão de partidas casuais a torneios com formato mais competitivo.

No xadrez, o tabuleiro físico segue importante para encontros locais e formação de novos jogadores. Mas a tela ampliou o alcance competitivo de forma que antes dependia de viagens e eventos presenciais. Um enxadrista do interior do Piauí pode hoje enfrentar adversários de outro continente sem sair de casa, graças a sites como Chess.com, por exemplo.

O reconhecimento que consolidou a categoria

Em novembro de 2024, a International Mind Sports Association (IMSA) oficializou o pôquer como esporte da mente, ao lado do xadrez e dos eSports. Segundo reportagem da Exame, o anúncio ocorreu em São Paulo, durante um evento que reuniu federações internacionais e validou globalmente o novo status da modalidade.

A federação responsável pelo pedido trabalhou por anos até reunir esse aval. Antes de se tornar membro efetivo da IMSA, o órgão passou por um período como integrante provisório, etapa comum a outras modalidades que buscam validação internacional parecida.

No Brasil, as competições de pôquer também seguem sob orientação de uma federação nacional própria. O arranjo ajuda a padronizar regras entre estados e a validar resultados de torneios locais, algo parecido com o que já acontece no xadrez há mais tempo.

Além disso, xadrez e pôquer compartilham mais do que o rótulo de esporte da mente. Nos dois casos, o jogador precisa ler padrões, calcular possibilidades e tomar decisões sob pressão de tempo. No xadrez, tudo está à vista. No pôquer, parte da informação fica escondida, e o jogador aprende a lidar com essa incerteza ao longo do jogo. Os jogos diferem no tipo de informação disponível a cada momento, mas se asemelham em muitos aspectos.

Jogadores profissionais de pôquer costumam comparar a modalidade ao xadrez pela exigência de concentração, memória e raciocínio estratégico. Uma reportagem recente reuniu depoimentos de atletas que já competiram nas duas modalidades e descrevem rotinas de treino próximas às de esportes tradicionais.

Um desses relatos chama atenção pela duração das partidas. Sessões de xadrez que passam de seis horas e torneios de pôquer que se estendem por dias inteiros aparecem como exemplos do desgaste mental que ambas as práticas exigem. É um esforço diferente do físico, mas real. Vencer nesses jogos exige preparo, disciplina e estudo constante.

No Nordeste, clubes, federações e plataformas online ocupam, cada um a seu modo, um espaço que antes ficava restrito a poucos entusiastas. Hoje o alcance é maior, e a mente segue sendo o principal instrumento desses jogos.