A ferramenta usada em diversas campanhas no Nordeste foi criada para dar visibilidade a abusos e auxilia mulheres a interromper a violência antes que ela se torne fatal.
O VIOLENTÔMETRO é uma ferramenta gráfica e educativa, em forma de régua, criada para que as mulheres possam visualizar facilmente as diferentes manifestações de violência ocultas no cotidiano.
Muitas vezes, comportamentos abusivos são confundidos com “cuidado” ou simplesmente ignorados, e esta ferramenta ajuda a tirar a venda dos olhos.
A régua é dividida em uma escala de cores que representam o nível de perigo e a urgência de uma intervenção. Nela, estão listados comportamentos que variam desde “brincadeiras ofensivas” até o “feminicídio”.
Confira a tabela abaixo e verifique se você está vivenciando algum desses sinais:
Tabela do VIOLENTÔMETRO
| Nível de Alerta | Ações e Comportamentos (Do menor para o maior risco) |
| 🟢 Fique atenta! O primeiro sinal já é motivo para agir. | • Piadas ofensivas/maldosas • Chantagem e mentiras • Ignorar ou dar a “lei do gelo” • Ciúme excessivo e controle • Perseguir/Stalkear redes sociais • Culpabilizar e desqualificar • Humilhar em público ou intimidar |
| 🟡 Reaja! Procure ajuda e denuncie. | • Controlar amizades, família, dinheiro e celular • Destruir itens pessoais • Apalpar ou carícias agressivas • Bater “brincando”, beliscar ou arranhar • Empurrar, sacudir ou dar bofetadas • Trancar ou isolar você |
| 🔴 Alerta! Socorro! Busque ajuda imediatamente. | • Sextorsão (ameaça de expor fotos íntimas) • Ameaçar com objetos ou armas • Divulgar conteúdo íntimo sem consentimento • Ameaçar de morte • Forçar relação sexual ou abuso sexual • Mutilar • ASSASSINAR (Feminicídio) |
Como buscar ajuda?
Se você identificou algum desses comportamentos, não ignore. Busque ajuda o mais rápido possível e denuncie:
- Central de Atendimento à Mulher: Ligue 180 – Serviço gratuito e anônimo, disponível 24h.
- WhatsApp: (61) 9610-0180
- E-mail: central180@mulheres.gov.br
- Polícia Militar: Ligue 190 – Para situações de emergência e flagrante.
- Direitos Humanos: Disque 100 – Para violações de direitos em geral.
- Presencialmente: Você pode procurar as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), delegacias comuns ou as Casas da Mulher Brasileira de sua cidade.
História e a ferramenta no Brasil
O Violentômetro foi criado em 2009 no México, pelo Instituto Politécnico Nacional (IPN). A ideia surgiu da necessidade de alertar mulheres jovens sobre comportamentos abusivos que precedem agressões físicas graves. O objetivo era simples: identificar o perigo antes que a situação se tornasse fatal.
Atualmente, a ferramenta é uma política pública em toda a América Latina. No Brasil, governos estaduais, inclusive na região Nordeste, utilizam o Violentômetro em campanhas locais e materiais educativos.

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Conexão com as Leis Brasileiras
O uso dessa ferramenta é um suporte visual para o que já está previsto em nossa legislação:
- Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06): O Violentômetro ilustra perfeitamente os cinco tipos de violência previstos na lei: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. Ele ajuda a mulher a provar que a violência psicológica (como a humilhação e o controle) é o primeiro passo para o crime físico.
- Lei Carolina Dieckmann (Lei 12.737/12): Os itens da tabela que mencionam “sextorsão” e “divulgação de conteúdo íntimo” encontram respaldo nesta lei, que pune a invasão de dispositivos e a exposição de dados e fotos privadas sem consentimento.
A violência não começa com uma agressão física; ela começa com o controle. Use o Violentômetro para se proteger e proteger quem você ama.



