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Você conhece o VIOLENTÔMETRO? entenda como enxergar a violência no relacionamento

A régua é dividida em uma escala de cores que representam o nível de perigo e a urgência de uma intervenção. Nela, estão listados comportamentos que variam desde "brincadeiras ofensivas" até o "feminicídio".
Redação NE9 Nordeste, da Agência NE9
12 de março de 2026 - às 06:57
Atualizado 12 de março de 2026 - às 06:57
4 min de leitura


A ferramenta usada em diversas campanhas no Nordeste foi criada para dar visibilidade a abusos e auxilia mulheres a interromper a violência antes que ela se torne fatal.

O VIOLENTÔMETRO é uma ferramenta gráfica e educativa, em forma de régua, criada para que as mulheres possam visualizar facilmente as diferentes manifestações de violência ocultas no cotidiano.

Muitas vezes, comportamentos abusivos são confundidos com “cuidado” ou simplesmente ignorados, e esta ferramenta ajuda a tirar a venda dos olhos.

A régua é dividida em uma escala de cores que representam o nível de perigo e a urgência de uma intervenção. Nela, estão listados comportamentos que variam desde “brincadeiras ofensivas” até o “feminicídio”.

Confira a tabela abaixo e verifique se você está vivenciando algum desses sinais:

Tabela do VIOLENTÔMETRO

Nível de AlertaAções e Comportamentos
(Do menor para o maior risco)
🟢 Fique atenta!
O primeiro sinal já é motivo para agir.
• Piadas ofensivas/maldosas
• Chantagem e mentiras
• Ignorar ou dar a “lei do gelo”
• Ciúme excessivo e controle
• Perseguir/Stalkear redes sociais
• Culpabilizar e desqualificar
• Humilhar em público ou intimidar
🟡 Reaja!
Procure ajuda e denuncie.
• Controlar amizades, família, dinheiro e celular
• Destruir itens pessoais
• Apalpar ou carícias agressivas
• Bater “brincando”, beliscar ou arranhar
• Empurrar, sacudir ou dar bofetadas
• Trancar ou isolar você
🔴 Alerta! Socorro!
Busque ajuda imediatamente.
• Sextorsão (ameaça de expor fotos íntimas)
• Ameaçar com objetos ou armas
• Divulgar conteúdo íntimo sem consentimento
• Ameaçar de morte
• Forçar relação sexual ou abuso sexual
• Mutilar
• ASSASSINAR (Feminicídio)

Como buscar ajuda?

Se você identificou algum desses comportamentos, não ignore. Busque ajuda o mais rápido possível e denuncie:

  • Central de Atendimento à Mulher: Ligue 180 – Serviço gratuito e anônimo, disponível 24h.
    • WhatsApp: (61) 9610-0180
    • E-mail: central180@mulheres.gov.br
  • Polícia Militar: Ligue 190 – Para situações de emergência e flagrante.
  • Direitos Humanos: Disque 100 – Para violações de direitos em geral.
  • Presencialmente: Você pode procurar as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), delegacias comuns ou as Casas da Mulher Brasileira de sua cidade.

História e a ferramenta no Brasil

O Violentômetro foi criado em 2009 no México, pelo Instituto Politécnico Nacional (IPN). A ideia surgiu da necessidade de alertar mulheres jovens sobre comportamentos abusivos que precedem agressões físicas graves. O objetivo era simples: identificar o perigo antes que a situação se tornasse fatal.

Atualmente, a ferramenta é uma política pública em toda a América Latina. No Brasil, governos estaduais, inclusive na região Nordeste, utilizam o Violentômetro em campanhas locais e materiais educativos.

violentometro
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Conexão com as Leis Brasileiras

O uso dessa ferramenta é um suporte visual para o que já está previsto em nossa legislação:

  • Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06): O Violentômetro ilustra perfeitamente os cinco tipos de violência previstos na lei: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. Ele ajuda a mulher a provar que a violência psicológica (como a humilhação e o controle) é o primeiro passo para o crime físico.
  • Lei Carolina Dieckmann (Lei 12.737/12): Os itens da tabela que mencionam “sextorsão” e “divulgação de conteúdo íntimo” encontram respaldo nesta lei, que pune a invasão de dispositivos e a exposição de dados e fotos privadas sem consentimento.

A violência não começa com uma agressão física; ela começa com o controle. Use o Violentômetro para se proteger e proteger quem você ama.