A Prefeitura do Recife deu um passo estratégico para transformar a área central da capital pernambucana em um espaço novamente habitado, dinâmico e economicamente ativo.
Já publicado no Diário Oficial o edital de licitação da Parceria Público-Privada (PPP) Morar no Centro, iniciativa que prevê a criação de mais de mil unidades habitacionais por meio de retrofit de prédios antigos e construção de novas edificações.
A princípio, o projeto contempla imóveis localizados nos bairros de São José, Santo Antônio, Boa Vista e Cabanga, com um investimento superior a R$ 213 milhões ao longo de 25 anos de concessão.
O projeto é coordenada pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento e integra o conjunto de ações do Programa Recentro, que busca devolver vitalidade à região central da cidade.

Transformação urbana com moradia e uso inteligente do espaço
A PPP Morar no Centro representa uma mudança de paradigma na política habitacional recifense ao priorizar não apenas a construção de novas moradias, mas também a requalificação de edificações já existentes, combatendo a ociosidade de imóveis e promovendo o uso mais eficiente da infraestrutura urbana.
Serão seis empreendimentos, sendo quatro destinados à locação social e dois voltados à habitação popular e de baixa renda.
O modelo aposta em áreas já regularizadas, com acesso a transporte público e serviços, favorecendo trabalhadores que já atuam na região e hoje enfrentam altos custos de aluguel.
O processo de licitação ocorrerá por meio da B3, com previsão de entrega de propostas e leilão em abril. O projeto já passou por fase de escuta pública e recebeu aprovação do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE).
Dinamização econômica e social do Centro
Além do impacto direto na oferta de moradias, a iniciativa é vista como ferramenta de revitalização econômica, estimulando o comércio, serviços e a circulação de pessoas em uma área historicamente importante para a cidade.
A ocupação residencial tende a ampliar a segurança, movimentar o mercado local e reduzir o abandono de prédios históricos.
Dessa maneira, proposta também se destaca por ser a primeira PPP de locação social da história do Recife, criando um novo eixo dentro da política habitacional municipal e podendo servir de exemplo para outras capitais do Nordeste que enfrentam desafios semelhantes de esvaziamento de centros urbanos.
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Conjunto de medidas reforça modelo de referência
A PPP Morar no Centro não é uma ação isolada. Ela se soma a outras políticas estruturantes que fortalecem o planejamento urbano da capital pernambucana:
- Nova Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo (LPUOS), que estimula a moradia no centro e combate imóveis ociosos;
- Desapropriação por Hasta Pública, instrumento jurídico para dar função social a imóveis subutilizados;
- PPP Distrito Guararapes, voltada à revitalização de importantes avenidas do Centro, com investimento previsto de mais de R$ 600 milhões.
Desde 2021, a política habitacional do Recife já viabilizou mais de 6 mil unidades habitacionais, entre entregues, em obras e aprovadas. Assim, a nova PPP amplia esse número e reforça a estratégia de ocupar o Centro com moradia digna e planejamento de longo prazo.
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Exemplo para outras cidades
Em suma, o modelo adotado pelo Recife chama atenção por unir habitação social, preservação urbana e estímulo econômico em uma mesma política pública.
Portanto, ao apostar em parcerias, reaproveitamento de estruturas existentes e incentivo à permanência de moradores em áreas centrais, a capital pernambucana cria um case de transformação urbana. Dessa forma, pode inspirar outras cidades brasileiras — especialmente no Nordeste — a repensarem seus centros históricos como espaços vivos, habitáveis e produtivos.


