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PPP no Ceará acelera infraestrutura mas enfrenta desafio de adesão da população

A ampliação da rede de esgotamento sanitário no Ceará ganhou escala e velocidade por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) firmada entre a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) e a Ambiental Ceará. ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
24 de fevereiro de 2026 - às 07:34
Atualizado 24 de fevereiro de 2026 - às 07:34
4 min de leitura

A ampliação da rede de esgotamento sanitário no Ceará ganhou escala e velocidade por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) firmada entre a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) e a Ambiental Ceará.

O modelo tem sido apontado como estratégico para acelerar investimentos em infraestrutura no Nordeste, mas ainda enfrenta um gargalo: milhares de imóveis com rede disponível permanecem desconectados.

A princípío, cerca de 183 mil residências nas 24 cidades atendidas pela PPP já poderiam estar ligadas ao sistema de esgoto. Apenas em Fortaleza, quase 100 mil imóveis possuem conexão disponível, mas não utilizam o serviço.

Na sequência aparecem:

  • Juazeiro do Norte – 12.407 imóveis aptos
  • Horizonte – 8.438
  • Caucaia – 7.355
  • São Gonçalo do Amarante – 4.750
  • Cascavel – 1.225

PPP como instrumento de aceleração no Nordeste

A Parceria Público-Privada do esgotamento sanitário no Ceará prevê R$ 6,5 bilhões em investimentos, com meta de alcançar 90% de cobertura até 2033 e 95% até 2040, beneficiando cerca de 4,3 milhões de pessoas.

O modelo de PPP tem sido considerado fundamental para o Nordeste por três razões centrais:

  1. Antecipação de investimentos estruturantes, que dificilmente ocorreriam apenas com recursos públicos;
  2. Ganho de eficiência operacional, com metas contratuais de desempenho;
  3. Previsibilidade financeira e regulatória, garantindo continuidade mesmo em mudanças de gestão.

Em 2025, foram implantados 344 quilômetros de novas redes de esgoto nas 24 cidades atendidas, evidenciando a capacidade de execução do modelo.

Em um cenário regional historicamente marcado por déficit de saneamento, a PPP cearense se consolida como referência para acelerar a universalização, reduzir desigualdades e atrair investimentos privados para infraestrutura básica — um dos principais gargalos do desenvolvimento nordestino.

Impacto direto na qualidade de vida

Além da expansão física da rede, equipes sociais da Ambiental Ceará realizaram mais de 535 mil visitas domiciliares em 2025, resultando na conexão de 80 mil imóveis ao sistema.

O trabalho de sensibilização é essencial para transformar infraestrutura instalada em benefício concreto. Assim, a ligação ao esgoto tratado reduz riscos de doenças, protege lençóis freáticos, evita contaminação de rios e melhora indicadores ambientais urbanos.

A aposentada Maria Elisete, moradora da Parangaba, em Fortaleza, relata que antes convivia com mau cheiro e gastava, em média, R$ 250 por serviço de limpeza de fossa. Após a interligação, afirma que a qualidade de vida melhorou significativamente.

Desenvolvimento urbano e valorização imobiliária

A conexão ao sistema de esgotamento também impacta:

  • Valorização de imóveis;
  • Redução de custos familiares com fossas;
  • Melhoria do ambiente escolar e comunitário;
  • Aumento da atratividade para novos empreendimentos.

Para a Cagece, a adesão da população é etapa decisiva para que os investimentos realizados se convertam em ganhos sociais efetivos. A rede instalada precisa ser utilizada para que o ciclo de expansão continue.

Como solicitar a ligação

Moradores da cidades aptas podem verificar a disponibilidade da rede e solicitar interligação pelos canais oficiais da Cagece:

  • Central de Atendimento: 0800.275.0195
  • Aplicativo Cagece App (Android e iOS)
  • Assistente virtual Gesse, no portal da companhia

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Infraestrutura como vetor de crescimento regional

O saneamento básico é um dos indicadores mais sensíveis do desenvolvimento socioeconômico. Afinal, ao estruturar uma PPP robusta e com metas claras, o Ceará sinaliza ao mercado e à população que infraestrutura pode ser tratada como política de Estado, e não apenas de governo.

No contexto nordestino, onde o déficit histórico ainda é elevado, modelos de parceria como este representam uma ferramenta estratégica para acelerar obras, gerar empregos, melhorar indicadores de saúde pública e criar ambiente favorável ao crescimento sustentável.

Portanto, o desafio agora é ampliar a adesão dos moradores para que a universalização do saneamento avance no mesmo ritmo das obras — consolidando a PPP como um marco de transformação estrutural na região.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.