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Por que o potiguar é chamado de “comedor de camarão”?

Entre as muitas expressões curiosas da cultura nordestina, uma delas costuma aparecer em conversas informais entre moradores da região: o potiguar, natural do Rio Grande do Norte, frequentemente é chamado de “comedor de camarão”. A ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
16 de março de 2026 - às 02:40
Atualizado 16 de março de 2026 - às 02:40
3 min de leitura

Entre as muitas expressões curiosas da cultura nordestina, uma delas costuma aparecer em conversas informais entre moradores da região: o potiguar, natural do Rio Grande do Norte, frequentemente é chamado de “comedor de camarão”.

A princípio, a palavra potiguar tem origem na língua tupi, derivada de poti’war, que significa literalmente “comedor de camarão“.

O termo era usado para designar uma tribo indígena que habitava o litoral do Rio Grande do Norte e da Paraíba, onde o crustáceo era abundante, tornando-se posteriormente o gentílico de quem nasce no estado. 

A expressão, usada de forma bem-humorada entre nordestinos, tem origem direta na forte relação do estado com a produção e o consumo do crustáceo, que se tornou um dos símbolos da culinária e da economia potiguar.

Um estado ligado ao camarão

Fazenda de produção de camarão no Rio Grande do Norte FotoABCCCedida

O Rio Grande do Norte é historicamente um dos maiores produtores de camarão do Brasil. A atividade de carcinicultura — criação de camarão em viveiros — se desenvolveu especialmente nas áreas litorâneas e estuarinas do estado, impulsionando a economia de diversas cidades.

Durante muitos anos, o estado chegou a liderar a produção nacional, posição que hoje é ocupada pelo Ceará, enquanto o território potiguar permanece entre os maiores produtores do país.

A abundância do produto também ajudou a popularizar o camarão na mesa dos moradores. Em várias cidades, o alimento aparece em receitas tradicionais e também em pratos vendidos em bares e restaurantes.

Apelido que virou marca cultural

Foi justamente essa relação com o crustáceo que deu origem ao apelido “comedor de camarão”. A expressão surgiu em tom de brincadeira entre moradores de estados vizinhos e acabou sendo incorporada ao vocabulário regional.

Em muitos casos, o termo não é visto como ofensa, mas como uma referência à identidade gastronômica do estado e à importância da atividade econômica ligada ao camarão.

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Gastronomia e turismo

A fama do camarão potiguar também se reflete no turismo gastronômico. Afinal, em cidades como Natal, capital do estado, e destinos turísticos do litoral, o crustáceo é um dos ingredientes mais presentes nos cardápios.

Portanto, pratos como camarão na manteiga, risotos, moquecas e espetinhos são comuns em restaurantes e barracas de praia, atraindo visitantes de várias partes do país.

Assim, o apelido de “comedor de camarão” acabou se transformando em uma forma curiosa de representar a cultura, a culinária e a própria história econômica do Rio Grande do Norte dentro do Nordeste.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.