Entre as muitas expressões curiosas da cultura nordestina, uma delas costuma aparecer em conversas informais entre moradores da região: o potiguar, natural do Rio Grande do Norte, frequentemente é chamado de “comedor de camarão”.
A princípio, a palavra potiguar tem origem na língua tupi, derivada de poti’war, que significa literalmente “comedor de camarão“.
O termo era usado para designar uma tribo indígena que habitava o litoral do Rio Grande do Norte e da Paraíba, onde o crustáceo era abundante, tornando-se posteriormente o gentílico de quem nasce no estado.
A expressão, usada de forma bem-humorada entre nordestinos, tem origem direta na forte relação do estado com a produção e o consumo do crustáceo, que se tornou um dos símbolos da culinária e da economia potiguar.
Um estado ligado ao camarão

O Rio Grande do Norte é historicamente um dos maiores produtores de camarão do Brasil. A atividade de carcinicultura — criação de camarão em viveiros — se desenvolveu especialmente nas áreas litorâneas e estuarinas do estado, impulsionando a economia de diversas cidades.
Durante muitos anos, o estado chegou a liderar a produção nacional, posição que hoje é ocupada pelo Ceará, enquanto o território potiguar permanece entre os maiores produtores do país.
A abundância do produto também ajudou a popularizar o camarão na mesa dos moradores. Em várias cidades, o alimento aparece em receitas tradicionais e também em pratos vendidos em bares e restaurantes.
Apelido que virou marca cultural
Foi justamente essa relação com o crustáceo que deu origem ao apelido “comedor de camarão”. A expressão surgiu em tom de brincadeira entre moradores de estados vizinhos e acabou sendo incorporada ao vocabulário regional.
Em muitos casos, o termo não é visto como ofensa, mas como uma referência à identidade gastronômica do estado e à importância da atividade econômica ligada ao camarão.
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Gastronomia e turismo

A fama do camarão potiguar também se reflete no turismo gastronômico. Afinal, em cidades como Natal, capital do estado, e destinos turísticos do litoral, o crustáceo é um dos ingredientes mais presentes nos cardápios.
Portanto, pratos como camarão na manteiga, risotos, moquecas e espetinhos são comuns em restaurantes e barracas de praia, atraindo visitantes de várias partes do país.
Assim, o apelido de “comedor de camarão” acabou se transformando em uma forma curiosa de representar a cultura, a culinária e a própria história econômica do Rio Grande do Norte dentro do Nordeste.



