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Polêmica da “long neck” em Maraú acende debate sobre a medida em outras praias

A decisão da Prefeitura de Maraú de proibir a venda de bebidas em garrafas de vidro descartáveis do tipo “long neck” reacendeu um debate relevante: é possível aplicar essa medida em larga escala nas praias ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
30 de março de 2026 - às 10:50
Atualizado 30 de março de 2026 - às 10:50
4 min de leitura

A decisão da Prefeitura de Maraú de proibir a venda de bebidas em garrafas de vidro descartáveis do tipo “long neck” reacendeu um debate relevante: é possível aplicar essa medida em larga escala nas praias do Nordeste?

Prevista na Lei Municipal nº 294/2025, a regra entrou em vigor após período de adaptação e determina que comerciantes substituam o vidro por latas ou recipientes reutilizáveis, especialmente em áreas de grande circulação, como praias e eventos.

A iniciativa segue uma tendência crescente em destinos turísticos que buscam equilibrar exploração econômica com preservação ambiental e segurança.

Por que a medida ganha força no Nordeste

O modelo de turismo “pé na areia” é um dos principais ativos do Nordeste. Com grande fluxo de visitantes e consumo direto nas praias, o impacto ambiental e os riscos associados ao descarte de vidro se tornam mais evidentes.

Entre os principais problemas estão:

  • Acidentes com cacos de vidro na areia
  • Dificuldade de limpeza e coleta
  • Poluição ambiental
  • Riscos para crianças, turistas e trabalhadores

A substituição por embalagens mais seguras surge como alternativa para reduzir esses impactos.

Possíveis impactos da adoção em toda a região

Caso a medida seja ampliada para outros destinos turísticos nordestinos, os efeitos seriam amplos e diretos:

Benefícios esperados

  • Redução de acidentes em praias movimentadas
  • Melhoria na limpeza urbana e ambiental
  • Fortalecimento do turismo sustentável
  • Padronização de práticas em destinos turísticos
  • Melhoria da experiência do visitante

Desafios práticos

  • Adaptação de comerciantes e ambulantes
  • Custo inicial para substituição de embalagens
  • Fiscalização em áreas extensas e abertas
  • Resistência cultural de consumidores e vendedores
  • Logística de fornecimento de alternativas (latas, recicláveis)

Desafio da fiscalização nas praias

Um dos principais entraves para expansão da medida é a fiscalização. Diferente de ambientes urbanos fechados, as praias possuem:

  • Grande extensão territorial
  • Alto número de vendedores informais
  • Rotatividade de turistas

A experiência de Maraú prevê atuação conjunta entre prefeitura e órgãos de segurança, mas replicar esse modelo em capitais e grandes polos turísticos exigiria estrutura robusta.

Impacto econômico para o setor

A mudança também afeta diretamente a cadeia produtiva do turismo:

Para comerciantes:

  • Necessidade de adaptação de estoque
  • Possível aumento de custos operacionais
  • Mudança na logística de fornecimento

Para o turismo:

  • Valorização do destino como sustentável
  • Possível atração de novos perfis de turistas
  • Redução de passivos ambientais

Tendência global e pressão por sustentabilidade

Medidas semelhantes já são adotadas em destinos turísticos internacionais, especialmente em áreas costeiras sensíveis. A pressão por práticas sustentáveis vem crescendo, impulsionada por:

  • Mudanças no comportamento do turista
  • Exigências ambientais globais
  • Competição entre destinos turísticos

Nesse cenário, o Nordeste pode ganhar protagonismo ao adotar políticas integradas de preservação.

Penalidades e efeito educativo

Em Maraú, o descumprimento da regra prevê:

  • Multa de R$ 1 mil
  • Apreensão de mercadorias
  • Multa dobrada em caso de reincidência
  • Possibilidade de interdição do estabelecimento

Mais do que punitiva, a medida tem caráter educativo, incentivando mudanças de hábito no consumo e no comércio.

Caminhos para implementação regional

Especialistas apontam que, para ampliar a medida no Nordeste, seria necessário:

  • Campanhas educativas com turistas e comerciantes
  • Incentivos à adoção de embalagens sustentáveis
  • Parcerias com fornecedores e indústria
  • Regulamentação estadual ou consorciada
  • Fiscalização integrada entre municípios

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O que está em jogo

A discussão vai além da proibição do vidro. Trata-se de um modelo de desenvolvimento turístico que busca equilíbrio entre:

  • Crescimento econômico
  • Preservação ambiental
  • Segurança pública
  • Sustentabilidade de longo prazo

A iniciativa de Maraú pode se tornar um modelo para o Nordeste, mas sua ampliação dependerá de planejamento, diálogo com o setor produtivo e capacidade de fiscalização. O debate está aberto — e deve ganhar força à medida que o turismo sustentável se consolida como prioridade na região.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.