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Piauí Afropindorâmico: conheça a exposição fotográfica realizada dentro de uma oca

A exposição reúne registros fotográficos produzidos ao longo de mais de 15 anos, retratando expressões culturais, manifestações populares e vivências que dialogam diretamente com as matrizes afro-indígenas, presentes na formação histórica e cultural do Piauí.
Eliseu Lins, da Agência NE9
6 de janeiro de 2026 - às 06:15
Atualizado 6 de janeiro de 2026 - às 06:15
3 min de leitura

O Museu dos Povos Indígenas do Piauí – Anízia Maria, localizado na Comunidade Nazaré, no município de Lagoa de São Francisco, recebe desde ontem, segunda-feira (5) a exposição fotográfica “Piauí Afropindorâmico”, a primeira do estado realizada integralmente dentro de ocas indígenas. A princípio, a mostra segue aberta ao público até 6 de fevereiro, com visitação gratuita de segunda a sexta-feira, nos horários das 8h às 11h e das 14h às 17h.

A exposição é viabilizada por meio de recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), com apoio do Governo do Estado do Piauí, através da Secretaria de Estado da Cultura (Secult). Antes de chegar a Lagoa de São Francisco, o projeto já passou por cidades históricas como Oeiras e Amarante, consolidando-se como uma ação itinerante de valorização da cultura afro-indígena no território piauiense.

Exposição inédita dentro de oca indígena no Piauí

Exposição no Piauí Foto Chico Rasta

O projeto marca um momento histórico para a cultura do estado. Pela primeira vez, uma exposição fotográfica ocupa três ocas tradicionais da comunidade: duas ocas medianas e a grande oca do povo Tabajara. Toda a concepção respeita a circularidade, a simbologia e a energia do espaço ancestral, proporcionando ao visitante uma experiência sensorial e cultural singular.

De acordo com o fotógrafo Chico Rasta, autor da exposição, a realização no Museu dos Povos Indígenas representa um marco simbólico para o projeto.

“Iniciar o ano de 2026 com a exposição no Museu Indígena é muito significativo. A gente se adaptou ao espaço, manteve a circularidade e contribuiu para a energia do lugar. Estar dentro das ocas é algo único, e ter a própria comunidade como receptora e guia da exposição torna tudo ainda mais potente”, afirma.

Registros de mais de 15 anos e diálogo afro-indígena

A exposição reúne registros fotográficos produzidos ao longo de mais de 15 anos, retratando expressões culturais, manifestações populares e vivências que dialogam diretamente com as matrizes afro-indígenas, presentes na formação histórica e cultural do Piauí. Segundo o autor, esse diálogo acontece de forma natural na Comunidade Nazaré, onde a ancestralidade segue viva no cotidiano dos moradores.

Um dos grandes diferenciais desta edição é que os próprios povos indígenas da Comunidade Nazaré também são personagens da exposição, fortalecendo o sentimento de pertencimento, reconhecimento e valorização coletiva.

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Acesso gratuito e valorização dos territórios culturais

Com entrada gratuita e acesso democrático, Piauí Afropindorâmico reforça o compromisso da Secult em apoiar iniciativas que descentralizam as políticas culturais, promovem a ocupação de espaços tradicionais e valorizam os saberes dos povos originários e das comunidades tradicionais do estado.

Mais do que uma exposição fotográfica, o projeto convida o público a refletir sobre identidade, ancestralidade e pertencimento, ao mesmo tempo em que evidencia o papel fundamental dos povos indígenas e afrodescendentes na construção da identidade cultural piauiense.

Serviço

Exposição: Piauí Afropindorâmico
Local: Museu dos Povos Indígenas do Piauí – Anízia Maria
Município: Lagoa de São Francisco (Comunidade Nazaré)
Período: até 6 de fevereiro
Horário: 8h às 11h e 14h às 17h (segunda a sexta-feira)
Entrada: Gratuita

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.