O Governo de Pernambuco lançou um edital para retomar o monitoramento de tubarões ao longo do litoral do estado, uma ação estratégica voltada à prevenção de ataques e ao aumento da segurança de banhistas, surfistas e trabalhadores do mar. O projeto, que havia sido interrompido em 2015, será reativado com o uso de microchips (marcação eletrônica) para acompanhar os deslocamentos dos animais e identificar áreas de maior circulação.
De acordo com o edital, o investimento previsto ultrapassa R$ 1 milhão ao longo de dois anos, com início das atividades estimado para o mês de maio. A iniciativa será coordenada em articulação com o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) e instituições de pesquisa.

Importância da ação: prevenção baseada em ciência
Ao mesmo tempo, a retomada do monitoramento representa um avanço importante na política de gestão de riscos costeiros, pois permite:
- Identificar rotas de deslocamento dos tubarões;
- Mapear zonas de maior risco em períodos específicos do ano;
- Apoiar decisões sobre sinalização, interdições temporárias e campanhas educativas;
- Produzir dados científicos para orientar políticas públicas permanentes.
Especialistas defendem que a estratégia de monitoramento é mais eficaz do que medidas pontuais, pois atua na prevenção e na informação, sem causar impactos negativos à fauna marinha. O uso de marcação eletrônica também possibilita alertas em tempo real, dependendo do modelo de acompanhamento adotado.
Histórico de incidentes reforça necessidade de vigilância contínua
Segundo dados do Cemit, desde 1992 Pernambuco registrou 80 incidentes com tubarões, sendo:
- 67 ocorridos no Grande Recife,
- 13 em Fernando de Noronha.
Atualmente, o monitoramento ativo ocorre apenas em Fernando de Noronha, realizado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Com o novo edital, a expectativa é que o acompanhamento volte a abranger toda a costa continental, especialmente nas áreas urbanas mais frequentadas.
Locais de Pernambuco com mais registros e avistamentos
Historicamente, os maiores registros de incidentes e avistamentos se concentram em trechos específicos do litoral da Região Metropolitana do Recife, sobretudo em áreas próximas a estuários e canais, que favorecem a circulação dos animais. Entre os pontos mais sensíveis estão:
- Praia de Boa Viagem (Recife) – especialmente nos trechos próximos aos arrecifes e áreas com canais de drenagem;
- Pina (Recife) – área de transição entre estuário e mar aberto;
- Praia de Piedade (Jaboatão dos Guararapes) – com histórico de incidentes em décadas anteriores;
- Candeias (Jaboatão dos Guararapes) – ponto com registros de avistamentos em determinados períodos do ano;
- Trechos próximos ao Porto de Suape (Ipojuca/Cabo de Santo Agostinho) – área de influência ambiental que pode afetar rotas de fauna marinha.
Em Fernando de Noronha, embora os registros sejam menos frequentes, o monitoramento é contínuo por se tratar de área de preservação ambiental com intensa atividade turística e de mergulho.
Situação em Fernando de Noronha: monitoramento ativo e atenção permanente
Diferentemente do litoral continental, Fernando de Noronha nunca deixou de ter acompanhamento científico, embora em escala menor. Atualmente, o monitoramento na ilha é da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Em suma, o foco é na pesquisa, preservação das espécies e no mapeamento de comportamento dos tubarões em áreas de mergulho e banho.
Desde 1992, o arquipélago registrou 13 incidentes, número significativamente menor em comparação com o Grande Recife, o que especialistas atribuem à maior preservação ambiental, menor interferência urbana e controle rigoroso das atividades costeiras.
Mesmo assim, por ser um dos principais destinos de ecoturismo do país, Noronha exige vigilância contínua. A presença de tubarões é considerada parte do ecossistema local e, em muitos casos, é vista como um indicador de boa qualidade ambiental, mas também impõe a necessidade de protocolos de segurança, sinalização e orientação constante a turistas.
Com o novo edital estadual, a expectativa é que os dados de Noronha passem a integrar um sistema mais amplo de monitoramento costeiro, permitindo comparação de padrões entre áreas urbanas e ambientes preservados, além de subsidiar políticas públicas específicas para ilhas oceânicas.

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Impacto positivo para turismo e economia costeira
Além da proteção à vida, o retorno do monitoramento tem impacto direto no turismo, no esporte e na economia local. Praias mais seguras e com informação clara para visitantes ajudam a:
- Reduzir a percepção de risco;
- Manter atividades como surfe, natação e esportes aquáticos;
- Fortalecer a imagem do estado como destino turístico responsável e preparado.
A expectativa do governo é que os dados coletados permitam ações mais precisas, evitando medidas generalizadas e promovendo uma convivência mais equilibrada entre atividades humanas e vida marinha.
Com a retomada do projeto, Pernambuco volta a adotar uma política baseada em ciência, monitoramento contínuo e gestão preventiva, considerada fundamental para um litoral urbano, turístico e ambientalmente sensível como o do estado.


