Em 2020, enquanto o mundo inteiro estava preocupado com a pandemia, algo extraordinário aconteceu no Brasil. No pequeno município de Santa Filomena, no sertão do Nordeste, moradores olharam para o céu e presenciaram uma cena inesquecível: um asteroide explodiu na atmosfera e fragmentos começaram a cair do céu em uma verdadeira chuva de meteoros.
Relatos surgiram imediatamente. “Está chovendo pedra na minha cidade!”, disseram moradores assustados e curiosos. O fenômeno foi tão inesperado que poderia ter passado despercebido pela ciência — principalmente porque o objeto vinha da direção do Sol, o que dificulta sua detecção por telescópios.
A cidade que recebeu a chuva de meteoros
Depois da queda, Santa Filomena foi literalmente “invadida” por curiosos, pesquisadores e até caçadores de meteoritos vindos de outros países. Todos queriam encontrar um pedacinho daquele visitante espacial.
Contudo, não era para menos: dezenas de fragmentos estavam em toda a região.
Ciência em prol do conhecimento
Ao mesmo tempo, entre as primeiras pessoas a chegar à cidade estavam pesquisadoras do Museu Nacional, ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
A equipe era formada por:
- Maria Elizabeth Zucolotto, pioneira na pesquisa de meteoritos no Brasil
- Amanda Tosi
- Diana Andrade
- Sara Nunes
Elas foram as únicas representantes da ciência presentes logo no início e conseguiram obter amostras importantes para estudo.
Assim, esse trabalho foi ainda mais simbólico porque, em 2018, o Museu Nacional sofreu um incêndio devastador que destruiu grande parte de seu acervo científico. A incorporação desse meteorito representou também um passo na reconstrução da coleção.
O fragmento recolhido para estudo
Em 2023, o Museu Nacional apresentou oficialmente o meteorito de Santa Filomena como a primeira peça incorporada à coleção após o incêndio.
O fragmento pesa cerca de 2,8 kg e foi escolhido por apresentar características especiais.

De acordo com a professora Elizabeth Zucolotto, ele possui:
- Crosta de fusão fresca (a “casquinha” formada quando o meteorito atravessa a atmosfera em altíssima velocidade)
- Depressões na superfície que parecem marcas de dedo (menos comuns em meteoritos rochosos)
- Linhas de fluxo nas laterais, formadas quando o objeto mantém posição estável durante sua passagem pela atmosfera
Esses detalhes ajudam os cientistas a entender como o meteorito viajou pelo espaço e como foi sua entrada na atmosfera da Terra.
Resumo das principais informações
| Informação | Detalhe |
|---|---|
| Ano da queda | 2020 |
| Local | Santa Filomena (PE) |
| O que ocorreu | Explosão de asteroíde com chuva de meteoros |
| Fragmento recolhido | Meteorito de 2,8 kg |
| Instituição responsável | Museu Nacional/UFRJ |
| Contexto histórico | Primeira peça incorporada após o incêndio de 2018 |

LEIA TAMBÉM
- O que é a Falha da Samambaia? Entenda o fenômeno geológico que corta o Nordeste
- Descubra as 10 cidades do Nordeste que mais choveu em fevereiro
- Paraíba reforça protagonismo na conservação dos recifes de corais
Por que essa história é tão especial?
A queda do meteorito de Santa Filomena é especial por vários motivos:
- Aconteceu durante um momento histórico difícil (a pandemia).
- Veio de uma direção difícil de monitorar (a do Sol).
- Mobilizou cientistas rapidamente.
- Representou um marco na reconstrução científica do Museu Nacional.
Em suma, mais do que pedras vindas do espaço, esse fenômeno simboliza a curiosidade e a ciência. Além disso, nos lembra que, mesmo em tempos desafiadores, o universo continua nos surpreendendo — e a ciência continua pronta para entender esses sinais vindos do céu.
Afinal, às vezes o extraordinário pode cair bem no nosso quintal.


