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O dia em que choveu meteoro em uma cidade do Nordeste

Em 2020, enquanto o mundo inteiro estava preocupado com a pandemia, algo extraordinário aconteceu no Brasil. No pequeno município de Santa Filomena, no sertão do Nordeste, moradores olharam para o céu e presenciaram uma cena ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
20 de fevereiro de 2026 - às 06:44
Atualizado 20 de fevereiro de 2026 - às 06:44
4 min de leitura

Em 2020, enquanto o mundo inteiro estava preocupado com a pandemia, algo extraordinário aconteceu no Brasil. No pequeno município de Santa Filomena, no sertão do Nordeste, moradores olharam para o céu e presenciaram uma cena inesquecível: um asteroide explodiu na atmosfera e fragmentos começaram a cair do céu em uma verdadeira chuva de meteoros.

Relatos surgiram imediatamente. “Está chovendo pedra na minha cidade!”, disseram moradores assustados e curiosos. O fenômeno foi tão inesperado que poderia ter passado despercebido pela ciência — principalmente porque o objeto vinha da direção do Sol, o que dificulta sua detecção por telescópios.

A cidade que recebeu a chuva de meteoros

Depois da queda, Santa Filomena foi literalmente “invadida” por curiosos, pesquisadores e até caçadores de meteoritos vindos de outros países. Todos queriam encontrar um pedacinho daquele visitante espacial.

Contudo, não era para menos: dezenas de fragmentos estavam em toda a região.

Ciência em prol do conhecimento

Ao mesmo tempo, entre as primeiras pessoas a chegar à cidade estavam pesquisadoras do Museu Nacional, ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A equipe era formada por:

  • Maria Elizabeth Zucolotto, pioneira na pesquisa de meteoritos no Brasil
  • Amanda Tosi
  • Diana Andrade
  • Sara Nunes

Elas foram as únicas representantes da ciência presentes logo no início e conseguiram obter amostras importantes para estudo.

Assim, esse trabalho foi ainda mais simbólico porque, em 2018, o Museu Nacional sofreu um incêndio devastador que destruiu grande parte de seu acervo científico. A incorporação desse meteorito representou também um passo na reconstrução da coleção.

O fragmento recolhido para estudo

Em 2023, o Museu Nacional apresentou oficialmente o meteorito de Santa Filomena como a primeira peça incorporada à coleção após o incêndio.

O fragmento pesa cerca de 2,8 kg e foi escolhido por apresentar características especiais.

Meteorito Santa Filomena. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Meteorito Santa Filomena. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

De acordo com a professora Elizabeth Zucolotto, ele possui:

  • Crosta de fusão fresca (a “casquinha” formada quando o meteorito atravessa a atmosfera em altíssima velocidade)
  • Depressões na superfície que parecem marcas de dedo (menos comuns em meteoritos rochosos)
  • Linhas de fluxo nas laterais, formadas quando o objeto mantém posição estável durante sua passagem pela atmosfera

Esses detalhes ajudam os cientistas a entender como o meteorito viajou pelo espaço e como foi sua entrada na atmosfera da Terra.

Resumo das principais informações

InformaçãoDetalhe
Ano da queda2020
LocalSanta Filomena (PE)
O que ocorreuExplosão de asteroíde com chuva de meteoros
Fragmento recolhidoMeteorito de 2,8 kg
Instituição responsávelMuseu Nacional/UFRJ
Contexto históricoPrimeira peça incorporada após o incêndio de 2018
Meteorito Santa Filomena. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Apresentação do meteorito Santa Filomena. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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Por que essa história é tão especial?

A queda do meteorito de Santa Filomena é especial por vários motivos:

  1. Aconteceu durante um momento histórico difícil (a pandemia).
  2. Veio de uma direção difícil de monitorar (a do Sol).
  3. Mobilizou cientistas rapidamente.
  4. Representou um marco na reconstrução científica do Museu Nacional.

Em suma, mais do que pedras vindas do espaço, esse fenômeno simboliza a curiosidade e a ciência. Além disso, nos lembra que, mesmo em tempos desafiadores, o universo continua nos surpreendendo — e a ciência continua pronta para entender esses sinais vindos do céu.

Afinal, às vezes o extraordinário pode cair bem no nosso quintal.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.