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Nordeste unido busca tornar o Forró Raiz Patrimônio da Humanidade

Na Paraíba, entrega do documento ao Iphan marca um passo decisivo na proteção internacional de um dos maiores símbolos da cultura brasileira Em um passo decisivo para o reconhecimento mundial de uma das mais genuínas ...
Redação NE9 Nordeste, da Agência NE9
20 de março de 2026 - às 06:00
Atualizado 20 de março de 2026 - às 06:00
4 min de leitura
solenidade acontece no histórico Theatro Santa Roza, no centro de João Pessoa foto divulgação
solenidade acontece no histórico Theatro Santa Roza, no centro de João Pessoa foto divulgação

Na Paraíba, entrega do documento ao Iphan marca um passo decisivo na proteção internacional de um dos maiores símbolos da cultura brasileira

Em um passo decisivo para o reconhecimento mundial de uma das mais genuínas expressões culturais do Nordeste, será realizada nesta quarta-feira (18), na Paraíba, a entrega do dossiê que oficializa o pedido de candidatura do Forró Raiz a Patrimônio Imaterial da Humanidade.

O documento, que conta com o apoio dos nove estados do Nordeste, será entregue pelo governador da Paraíba, João Azevêdo, ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A solenidade acontece no histórico Theatro Santa Roza, no centro de João Pessoa, a partir das 17h, e reunirá autoridades como o diretor de Patrimônio Imaterial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Deyvisson Gusmão, o superintendente do Iphan na Paraíba, Jivago Barbosa, a coordenadora do Setor de Cultura da Unesco no Brasil, Isabel de Freitas Paula, o secretário de Estado da Cultura, Pedro Santos, a presidente da Associação Cultural Balaio Nordeste, Joana Alves, e o secretário de Sustentabilidade e Mudanças Climáticas do Consórcio Nordeste, Anselmo Castilho, além de outros representantes do poder público, autoridades políticas, fazedores de cultura e sociedade civil organizada.

Para celebrar o marco, a Praça Pedro Américo, em frente ao teatro, recebe apresentações de artistas de peso da região, como Maciel Melo (PE), Deusa do Forró (RN), Os 3 do Nordeste (PB) e o grupo Os Fulano, que acompanhará vozes como as de Sandra Belê e Gitana Pimentel, compondo um retrato vivo da força e diversidade do ritmo.

Próximos passos e o significado do título

De acordo com o diretor de Patrimônio Imaterial do Iphan, Deyvisson Gusmão, com a entrega oficial do dossiê, o documento será encaminhado para a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no próximo dia 31 de março.

O título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade reconhece práticas e saberes que comunidades têm como parte de sua identidade. Mais que uma honraria, essa chancela ajuda a proteger a diversidade cultural frente à globalização, valorizando as raízes e fortalecendo o sentimento de pertencimento das futuras gerações.

Articulação coletiva e o caminho percorrido

A caminhada rumo a esse feito é resultado de uma política colaborativa iniciada em 2024, quando representantes da Secult-PB e da Associação Cultural Balaio Nordeste reuniram-se com a delegação brasileira junto à Unesco, em Paris. Na ocasião, também houve diálogo com a secretaria da Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Imaterial, plantando as primeiras sementes internacionais.

A mobilização ganhou corpo com o 1º Fórum Internacional do Forró de Raiz, no Porto (Portugal), e se consolidou em setembro de 2025, durante o 1º Festival Internacional do Forró de Raiz em Lille, no norte da França. Foi lá que os governadores do Nordeste, representados pela governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, e o governador de Sergipe, Fabio Metidieli, assinaram o Protocolo de Intenções junto ao Iphan.

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A história viva do forró

O forró é muito mais que um gênero musical: é um complexo cultural que envolve dança, festa e tradição. Sua origem remonta ao século XIX, em Pernambuco, mas foi com Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, que ganhou projeção nacional a partir de 1949, com o sucesso “Forró de Mané Vito”.

Espalhado pelo Brasil graças às migrações nordestinas das décadas de 1960 e 1970, o ritmo se diversificou, mas nunca perdeu sua essência. Essa trajetória culminou, em 2021, no reconhecimento do forró como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Iphan, resultado de uma luta histórica capitaneada pelo Fórum Forró de Raiz, que reuniu mais de 400 assinaturas de artistas de todo o país.

Portanto, agora, o Nordeste unido dá o próximo passo para que o mundo reconheça essa riqueza.