O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicou que pretende colocar os minerais críticos e terras raras no centro das conversas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante viagem prevista para a primeira semana de março, em Washington.
A princípio, a estratégia envolve a possibilidade de parcerias bilaterais voltadas à transição energética e ao desenvolvimento tecnológico, setores que dependem fortemente desse tipo de insumo.
Em entrevista ao UOL News, Lula afirmou que a proposta é “estabelecer acordos em que a gente possa trabalhar junto”, citando explicitamente o interesse em dialogar sobre terras raras — grupo de elementos químicos essenciais para a fabricação de baterias, turbinas eólicas, painéis solares, semicondutores e equipamentos de alta tecnologia.

Contexto internacional
A sinalização do governo brasileiro ocorre em um momento de intensificação da agenda internacional dos Estados Unidos nesse mesmo segmento.
Nos últimos dias, o governo norte-americano avançou em acordos estratégicos com países produtores e blocos econômicos, incluindo Argentina, México, União Europeia e Japão.
O movimento é interpretado por analistas como parte de uma política de diversificação de fornecedores e de redução da dependência da China, hoje líder global na produção e no processamento de minerais críticos.
A Argentina, por exemplo, possui uma das maiores reservas mundiais de lítio, mineral considerado essencial para a indústria de baterias e veículos elétricos. O país sul-americano firmou entendimentos recentes com os EUA, reforçando o reposicionamento geopolítico do setor na América Latina.
Potencial brasileiro
O Brasil é assunto frequente em estudos internacionais como um dos países com maior diversidade mineral do mundo, incluindo reservas relevantes de nióbio, grafite, níquel, cobre e elementos de terras raras. Esses recursos são considerados estratégicos para cadeias produtivas ligadas à energia limpa, tecnologia da informação e mobilidade elétrica.
Especialistas apontam que a entrada do Brasil em acordos dessa natureza pode ampliar investimentos em pesquisa, beneficiamento mineral e inovação industrial, além de fortalecer a presença do país em cadeias globais de valor. Por outro lado, o debate também envolve preocupações ambientais e a necessidade de regulação sustentável da exploração mineral.
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Relações bilaterais em reaproximação
Portanto, a viagem de Lula acontece em um cenário de reaproximação diplomática entre Brasil e Estados Unidos. Em especial, após o relaxamento parcial de tarifas comerciais aplicadas a produtos brasileiros em 2025. Afinal, a inclusão dos minerais críticos na pauta reforça o caráter econômico e estratégico do encontro, que deve abranger também comércio, energia e cooperação tecnológica.
Nos bastidores, a expectativa é que o tema ganhe peso por representar interesses convergentes. Enquanto os EUA buscam segurança de suprimentos para sua indústria de alta tecnologia, o Brasil enxerga a oportunidade de agregar valor às suas riquezas naturais. Desse modo, ampliar sua influência nas discussões globais sobre transição energética e sustentabilidade.



