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Justiça em ação: Ex-marido de Maria da Penha é preso em Natal

A polícia prendeu o ex-marido da ativista Maria da Penha Maia Fernandes neste domingo (9) em Natal, no Rio Grande do Norte. Mas afinal, o que aconteceu para a prisão de Marco Antônio Heredia Viveros ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
10 de agosto de 2026 - às 08:00
Atualizado 10 de agosto de 2026 - às 08:00
4 min de leitura

A polícia prendeu o ex-marido da ativista Maria da Penha Maia Fernandes neste domingo (9) em Natal, no Rio Grande do Norte. Mas afinal, o que aconteceu para a prisão de Marco Antônio Heredia Viveros décadas depois do crime que marcou a história do Brasil?

A violação que levou à prisão

A princípio, tudo começou quando Heredia decidiu conceder uma entrevista a uma emissora de TV nacional para falar sobre o caso que o levou à condenação pela tentativa de assassinato de Maria da Penha, ocorrida em 1983 .

Antes de mais nada, o problema é que, desde 2024, a Justiça concedeu uma medida protetiva que o proibia de divulgar informações sobre o processo. Além disso, a proibição também abrange propagar o nome e a imagem das vítimas (Maria da Penha e as duas filhas do casal) em redes sociais, aplicativos ou qualquer ambiente virtual .

Assim, ao aceitar participar da entrevista e permitir que chamadas e trechos da matéria tivessem veiculação, antes da exibição, Heredia descumpriu essa determinação judicial .

A decisão da Justiça

Diante da violação, o Ministério Público do Ceará (MPCE) solicitou a prisão preventiva do investigado. A Justiça então acolheu o pedido e que entendeu haver indícios suficientes da prática do crime de descumprimento de medidas protetivas de urgência .

O juiz César Morel Alcântara, responsável pela decisão, destacou que Heredia havia sido devidamente notificado das restrições e das consequências jurídicas em caso de violação .

A prisão foi realizada pela Polícia Militar do Rio Grande do Norte, em ação articulada com o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do MP potiguar .

Maria-da-Penha-que-deu-nome-a-lei-que-coibe-a-violencia-domestica foto Marcelo Camargo Agencia Brasil
Maria da Penha dá nome à lei que coibe a violência doméstica. Foto: Marcelo Camargo / Agencia Brasil

Além da prisão

Ao mesmo tempo, a Justiça não se limitou à detenção. Determinou também:

  • Retirada imediata do ar de todo conteúdo relacionado à entrevista 
  • Proibição de veiculação da reportagem em quaisquer plataformas 
  • Preservação do material produzido, incluindo arquivos, registros de edição, contratos e comunicações internas 
  • Multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento dessas determinações 

Um contexto histórico importante

Em suma, este episódio ocorre em um momento simbólico: a Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006, completa 20 anos . A legislação, que leva o nome da ativista, nasceu da dor de Maria da Penha, que sobreviveu a duas tentativas de feminicídio cometidas pelo próprio marido .

Em 1983, enquanto dormia, ela levou um tiro nas costas que a deixou paraplégica. Meses depois, sofreu uma tentativa de eletrocussão durante o banho . O agressor permaneceu impune por mais de 15 anos, o que levou Maria da Penha a denunciar o Brasil à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA .

Em 2001, o Estado brasileiro foi condenado internacionalmente por negligência e omissão, sendo obrigado a reformular suas leis para punir com rigor a violência doméstica, o que culminou na sanção da lei em 2006 .

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Resumo do caso em tópicos:

Ponto-chaveDetalhamento
Quem foi preso?Marco Antônio Heredia Viveros, ex-marido de Maria da Penha 
Motivo da prisãoDescumprimento de medida protetiva ao dar entrevista sobre o caso 
Qual era a proibição?Divulgar informações sobre o processo e propagar nome/imagem das vítimas 
Quando e onde foi preso?Domingo (9), em Natal (RN), pela PM local com apoio do Gaeco 
Outras determinaçõesSuspensão da entrevista, retirada de conteúdos e multa de R$ 100 mil/dia 
Contexto históricoCaso ocorre nos 20 anos da Lei Maria da Penha (2006-2026) 

Em resumo, este caso nos lembra que a luta contra a violência doméstica é contínua e que as medidas protetivas existem para garantir a segurança e a dignidade das vítimas. A prisão de Heredia, mesmo após mais de 40 anos do crime, demonstra que a Justiça está atenta e que ninguém está acima da lei.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.