Um registro raro e simbólico da harpia (Harpia harpyja), uma das maiores aves de rapina do planeta, foi confirmado no Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal, no extremo sul da Bahia, no dia 27 de novembro.
Considerada uma espécie de topo da cadeia alimentar, a presença da ave é um forte indicativo de qualidade ambiental e equilíbrio ecológico, reforçando o papel estratégico da unidade na conservação da Mata Atlântica.
Espécie símbolo de florestas preservadas
A harpia, também conhecida como gavião-real, pode atingir até 2 metros de envergadura, pesar mais de 9 quilos e se alimenta principalmente de preguiças, macacos e outros vertebrados de médio porte. Por exigir grandes áreas de floresta contínua e bem preservada, a espécie é considerada um indicador biológico da integridade dos ecossistemas.
No Brasil, a harpia ocorre principalmente na Amazônia, mas também possui registros esporádicos na Mata Atlântica, onde é classificada como ameaçada de extinção devido ao desmatamento e à fragmentação florestal.
Onde a harpia já foi vista no Nordeste
Além do recente registro no sul da Bahia, a harpia já foi documentada em outras áreas do Nordeste brasileiro, como:
- Sul e extremo sul da Bahia, em remanescentes contínuos de Mata Atlântica
- Sergipe, em áreas florestais protegidas
- Pernambuco, especialmente em reservas e mosaicos de conservação
- Ceará e Maranhão, em zonas de transição entre Mata Atlântica, Cerrado e Amazônia
Esses registros são raros e reforçam a importância das unidades de conservação nordestinas como refúgios para espécies de grande porte e alto valor ecológico.
Corredor ecológico estratégico
O Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal, juntamente com os Parques Nacionais do Descobrimento e do Pau Brasil, forma um corredor ecológico essencial para a manutenção da biodiversidade da Mata Atlântica no sul da Bahia. Essas áreas conectadas preservam florestas maduras capazes de sustentar espécies sensíveis, como a harpia.
Além de seu valor ambiental, o Monte Pascoal possui forte relevância histórica e cultural, sendo o primeiro ponto avistado pelos portugueses em 1500 e território tradicional do povo indígena Pataxó.
Monitoramento confirma biodiversidade preservada
De acordo com a gestora do parque, Raiane Viana, o registro confirma dados obtidos nos últimos anos por meio do monitoramento ambiental.
“Apesar dos desafios, os levantamentos mostram que ainda existe uma biodiversidade extremamente rica no Monte Pascoal. A harpia é uma prova clara disso”, destacou.
O flagrante ocorreu em um momento especial, durante a semana em que o parque completava 64 anos de criação, coroando os esforços de conservação.
Saber indígena e protagonismo local
Um dos aspectos mais relevantes do registro é que a presença da harpia já era conhecida pelas comunidades indígenas Pataxó. O flagrante foi feito por um grupo liderado por Caxiló, jovem liderança da Aldeia Pé do Monte, que atua como condutor turístico e monitor da biodiversidade.
“O registro comprova o saber tradicional indígena, que já apontava a presença do gavião-real na região”, ressaltou a gestora.
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Conservação e futuro da espécie
A confirmação da harpia no Monte Pascoal fortalece iniciativas de gestão integrada, conservação participativa e projetos de pesquisa, como o Projeto Harpia, que atua no monitoramento e na proteção da espécie em diferentes biomas.
Mais do que um registro isolado, a ocorrência da ave demonstra que é possível conciliar a proteção ambiental com os direitos e a participação das comunidades indígenas, garantindo a preservação de um dos patrimônios naturais mais valiosos do Nordeste brasileiro.


