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Fábricas de fertilizantes na Bahia e em Sergipe reforçam produção nacional

A princípio, as unidades, conhecidas como Fafen-BA e Fafen-SE, produzem amônia, ureia e Arla 32, produtos essenciais para o agronegócio, a indústria e o setor de transportes.
Eliseu Lins, da Agência NE9
14 de janeiro de 2026 - às 06:12
Atualizado 14 de janeiro de 2026 - às 06:12
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Fábrica de fertilizantes arrendada pela Unigel em Camaçari, na Bahia Foto Divulgação Unigel
Fábrica de fertilizantes arrendada pela Unigel em Camaçari, na Bahia Foto Divulgação Unigel

Unidades voltam a produzir ureia, amônia e Arla 32, ampliando oferta de insumos para o agronegócio e a indústria

As fábricas de fertilizantes nitrogenados da Petrobras localizadas na Bahia e em Sergipe voltaram a operar neste início de ano, marcando um passo relevante para o fortalecimento da produção nacional de insumos estratégicos.

A princípio, as unidades, conhecidas como Fafen-BA e Fafen-SE, produzem amônia, ureia e Arla 32, produtos essenciais para o agronegócio, a indústria e o setor de transportes.

Na Bahia, a fábrica situada em Camaçari concluiu o processo de manutenção em dezembro de 2025 e encontra-se atualmente em fase de comissionamento de partida, com previsão de início da produção de ureia até o fim de janeiro.

Já em Sergipe, a unidade localizada no município de Laranjeiras iniciou a produção de amônia em 31 de dezembro e começou a fabricar ureia no dia 3 de janeiro.

Investimentos e geração de empregos no Nordeste

A retomada das operações envolveu investimentos iniciais de R$ 38 milhões em cada unidade e teve impacto direto na economia regional. Segundo a Petrobras, o retorno das Fafen gerou cerca de 1.350 empregos diretos e 4.050 empregos indiretos, impulsionando cadeias produtivas e serviços locais nos dois estados nordestinos.

A planta de Sergipe tem capacidade para produzir 1.800 toneladas de ureia por dia, volume equivalente a aproximadamente 7% do mercado nacional. Já a unidade baiana pode fabricar 1.300 toneladas diárias.

No caso da Fafen-BA, a operação inclui ainda os Terminais Marítimos de Amônia e Ureia do Porto de Aratu, no município de Candeias, ampliando a eficiência logística da produção.

Gás natural garante continuidade da produção

Para assegurar o fornecimento energético necessário à retomada das atividades na Bahia, a Petrobras firmou, em dezembro, um contrato com a Bahiagás para movimentação de gás natural canalizado.

Dessa forma, o acordo prevê o transporte de 1,2 milhão de metros cúbicos de gás por dia, por meio da malha de gasodutos, garantindo a estabilidade operacional da unidade de Camaçari.

Redução da dependência externa de fertilizantes

De acordo com a Petrobras, as duas unidades do Nordeste, somadas à Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA), no Paraná, deverão responder por cerca de 20% de toda a demanda nacional de ureia.

A expectativa da estatal é ampliar esse percentual para 35% nos próximos anos, com a entrada em operação de uma nova planta em construção no Mato Grosso do Sul.

“As duas FAFENs, juntamente com a ANSA, responderão por 20% da demanda de ureia do Brasil. Nossa expectativa é elevar a produção nacional para 35% nos próximos anos”, afirma o diretor de Processos Industriais e Produtos da Petrobras, William França.

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Aplicações estratégicas para agronegócio e indústria

A ureia produzida nas unidades é amplamente utilizada como fertilizante agrícola e também na alimentação de ruminantes. Além disso, os insumos atendem setores industriais como o têxtil, o de tintas e o de papel e celulose. Contudo, o Arla 32 desempenha papel fundamental na redução das emissões de poluentes no setor de transportes, contribuindo para o cumprimento de normas ambientais.

Portanto, com a retomada das fábricas na Bahia e em Sergipe, o Nordeste ganha protagonismo na estratégia nacional de fertilizantes, reduzindo a dependência de importações, fortalecendo o agronegócio e ampliando a capacidade industrial do país.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.