Uma notícia que chama a atenção para a importância de proteger quem luta pelos direitos das mulheres: o ex-marido de Maria da Penha e outras três pessoas se tornaram réus por uma campanha de ódio contra a farmacêutica.
A Justiça do Ceará aceitou a denúncia do Ministério Público contra os quatro suspeitos de participar de perseguições virtuais e divulgar notícias falsas para desacreditar Maria da Penha Maia Fernandes, cujo nome batiza a lei que protege mulheres vítimas de violência doméstica no Brasil.
Quem são os acusados?
Os quatro homens denunciados são:
| Nome | Envolvimento |
|---|---|
| Marco Antônio Viveiros | Ex-marido de Maria da Penha, já condenado por tentativa de homicídio contra ela |
| Alexandre de Paiva | Influenciador digital |
| Marcus Vinícius Mantovanelli | Produtor do documentário “A Investigação Paralela: o Caso Maria da Penha” |
| Henrique Zingano | Editor e apresentador |
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o grupo atuou de forma organizada para atacar a honra de Maria da Penha e tentar tirar a credibilidade da lei que leva seu nome. As principais ações foram:
- Perseguições virtuais (cyberbullying) e stalking
- Divulgação de notícias falsas
- Uso de um laudo de exame de corpo de delito forjado para tentar provar a inocência do ex-marido
Os investigados usavam grupos de WhatsApp para planejar as estratégias da campanha de ódio e produzir o documentário. Em um dos áudios obtidos pelo MP, o influenciador Alexandre Paiva diz:
“Vou lá incomodar em Fortaleza e vou de novo lá em frente à casa onde aconteceu o crime para incomodar a dona Maria da Penha. Dona Maria da Penha, de Fortaleza, já deve estar com as barbas de molho.”
Documentário com laudo falso
O documentário produzido pela empresa Brasil Paralelo S/A usou um laudo adulterado de um exame de corpo de delito do ex-marido de Maria da Penha. A Perícia Forense do Ceará concluiu que o documento era uma montagem.
De acordo com o MP, o grupo buscava lucrar com a desinformação, espalhando mentiras para desacreditar a vítima e a lei que leva seu nome.
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A história de Maria da Penha
O caso que deu origem à Lei Maria da Penha é marcado por violência extrema. Em 1983, Marco Antônio Viveiros atirou em Maria da Penha enquanto ela dormia, deixando-a paraplégica. Quatro meses depois, ele a manteve em cárcere privado por 15 dias e tentou eletrocutá-la.
O caso se tornou um símbolo da luta contra a violência doméstica e resultou na criação da Lei nº 11.340/2006, que completa 20 anos em 2026 e é uma das principais normas de proteção às mulheres no Brasil.
Em suma, Maria da Penha virou um ícone do combate à violência contra a mulher.
Crime de ódio não vai ficar impune
Assim, a aceitação da denúncia pela Justiça mostra que atacar a honra de quem luta por direitos não ficará impune.
Agora, os acusados agora respondem a processo criminal e podem sofrer condenação pelos crimes de perseguição e intimidação sistemática virtual.



