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Estudante nordestino vence prêmio internacional de engenharia

Um estudante nordestino da Universidade Federal de Sergipe conseguiu um feito raro para a engenharia brasileira: venceu uma competição internacional de inovação em Paris disputando diretamente contra algumas das mais tradicionais escolas de engenharia da ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
28 de maio de 2026 - às 06:47
Atualizado 28 de maio de 2026 - às 06:47
4 min de leitura

Um estudante nordestino da Universidade Federal de Sergipe conseguiu um feito raro para a engenharia brasileira: venceu uma competição internacional de inovação em Paris disputando diretamente contra algumas das mais tradicionais escolas de engenharia da Europa.

O sergipano Erick Matheus Santos Morais, aluno de Engenharia Civil da UFS, conquistou o primeiro lugar na categoria “Prix du projet innovation” durante o programa Chaire IdB 2026, promovido pela prestigiada ESTP Paris, uma das principais instituições francesas ligadas à engenharia, construção civil e inovação tecnológica.

A conquista chama atenção não apenas pelo prêmio em si, mas pelo contexto da disputa. Erick era o único estrangeiro entre os competidores e ainda enfrentava a barreira da língua, já que boa parte das apresentações e debates ocorreram em francês.

Mesmo assim, o estudante nordestino ajudou sua equipe a desenvolver uma solução considerada uma das mais inovadoras do evento.

Engenharia, arte e sustentabilidade

Assim, a vitória ganha ainda mais peso porque o projeto premiado não ficou apenas na teoria acadêmica. A proposta envolveu uma solução real para recuperação de uma antiga fábrica de linho francesa, utilizando impressão 3D em concreto e técnicas de engenharia sustentável que hoje estão entre as maiores apostas do setor da construção civil mundial.

O grupo criou uma fachada inovadora inspirada nas ondulações do tecido de linho e nos movimentos das plantações utilizadas para produção da matéria-prima. A ideia combinou modelagem matemática, arquitetura paramétrica, sustentabilidade e engenharia estrutural.

Além da estética diferenciada, o projeto também desenvolveu um concreto de baixo carbono produzido com materiais recicláveis, algo que vem sendo amplamente pesquisado em universidades e empresas ao redor do mundo diante da pressão global pela redução das emissões de CO₂ da construção civil — um dos setores que mais impactam o meio ambiente.

De acordo com Erick, o grande diferencial do trabalho foi justamente conseguir transformar cálculos complexos e conceitos técnicos em uma solução visualmente forte, funcional e ambientalmente sustentável.

O estudante destacou que o projeto surpreendeu os jurados pela integração entre tecnologia, engenharia e expressão artística. A equipe precisou ainda comprovar a viabilidade técnica da impressão 3D aplicada a elementos construtivos complexos, passando por testes mecânicos e validações estruturais.

Em suma, a conquista também chama atenção para um movimento que vem crescendo silenciosamente no Nordeste: universidades federais da região têm ampliado presença em pesquisas internacionais, inovação tecnológica e projetos de engenharia avançada.

Impressora aplicando cimento no projeto foto reprodução

Nordeste ganha destaque internacional

A conquista também reforça um movimento importante: universidades nordestinas vêm ampliando presença em pesquisas internacionais, inovação e intercâmbios tecnológicos.

Nos últimos anos, instituições federais da região passaram a ganhar mais espaço em:

  • engenharia;
  • inteligência artificial;
  • energias renováveis;
  • tecnologia sustentável;
  • e pesquisas ligadas à construção civil.

No caso de Sergipe, o prêmio ajuda a projetar a UFS internacionalmente em um setor considerado estratégico para o futuro da engenharia mundial.

Ao mesmo tempo, a impressão 3D aplicada à construção civil vem sendo estudada globalmente como alternativa para:

  • reduzir custos;
  • acelerar obras;
  • diminuir emissão de carbono;
  • e criar construções mais sustentáveis.

Programa financiado pela CAPES foi decisivo

O estudante participou da experiência internacional através do programa Brafitec, parceria entre Brasil e França voltada à formação de engenheiros.

O intercâmbio foi financiado pela CAPES, órgão federal responsável pelo apoio à pós-graduação e pesquisa científica.

Erick destacou que o apoio financeiro foi fundamental para viabilizar sua permanência na França e sua participação no projeto.

A vitória ganhou ainda mais peso pelo fato de a Escola Polytech Orléans participar da competição pela primeira vez justamente na categoria em que saiu campeã.

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Antes de mais nada, o prêmio conquistado pelo estudante sergipano acontece em um momento de forte transformação global da construção civil.

Portanto, atualmente, universidades e empresas do mundo inteiro investem pesado em impressão 3D, concreto sustentável, inteligência artificial aplicada à engenharia, automação de obras e redução de impacto ambiental.

E, dessa vez, um estudante nordestino conseguiu superar gigantes europeus justamente dentro desse cenário.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.